terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carnaval o ano inteiro

Assim como cada indivíduo, cada país também tem seu modo próprio de existir. Claro que não se pode pensar igual. As diferenças existem e devem ser respeitadas, embora com aquele limite que não incomode e nem interfira na diferença do outro. Seria o “cada um na sua” com o devido respeito às regras básicas instituídas. E para isso, teria que haver um mínimo de organização, de padronização cultural no caso de uma sociedade.
No Brasil, por exemplo, já faz parte da cultura, o comportamento, no que diz respeito ao início verdadeiro do ano de trabalho, exceção à regra no caso de meia dúzia de gatos pingados. Chegou dezembro, o ano pára. Vem o Natal, as férias de muitos e depois o Carnaval, a verdadeira explosão da alegria do povo. Talvez a única verdadeira alegria por alguns dias, no universo de doze meses. Talvez a extravasão do grito contido, da sátira, da ironia. O grito por tanta coisa que não deveria acontecer no meio social. Um verdadeiro Carnaval antes que se retorne à realidade do dia a dia.
Com isso, estamos perto, poderíamos dizer, de “começar” o ano de 2009. Para quem se deu ou se dá ao trabalho de observar os acontecimentos, neste janeiro e agora no fevereiro que está terminando, tudo se repetiu. Não houve fato acontecido que tivesse alterado o rumo da história. Fazendo-se uma retrospectiva do noticiário desses meses, a mesma cascata de coisas desagradáveis e que tornam a vida do cidadão insegura e de baixa qualidade. Benefícios para a população, só aqueles que são pagos aos aposentados do INSS e que até agora ninguém explicou porque são denominados assim. “Benefícios”? O sujeito paga a vida toda para ter uma aposentadoria irrisória! Volta-se ao velho chavão de que, educação para todos, transporte coletivo digno e leitos nos hospitais públicos para todos os que pagam por isso durante a vida inteira, deveriam ser os verdadeiros benefícios, entre outros, para a população. Mas, não é bem assim...
Como bem disse o professor de ética e filosofia da Unicamp, Roberto Romano, em uma entrevista recente concedida à TV UOL (aquele provedor da internet), “na política, a sensação é de Carnaval o ano inteiro”. A entrevista está lá para quem quiser conferir. Um vídeo interessante, certamente de alguém experiente e que se dedica ao estudo da sociedade brasileira e ao comportamento do ser humano em geral. O acesso não é difícil dentro da página principal do UOL na rede. Coloca-se o nome do professor na busca e chega-se ao vídeo...
Resumindo bastante o que o professor disse na entrevista, o carnaval aqui é permanente. O carnaval do dinheiro público, o carnaval das repetições de fatos, das improbidades, do gasto indiscriminado do dinheiro público, da falta de respeito ao cidadão, das manipulações do poder, o carnaval das oligarquias, daqueles que somente deixam o poder dentro de um caixão.
Enquanto a entrevista desse professor permanece arquivada na rede, vamos lembrar agora de outros carnavais. De carnavais particulares, como o daquela advogada pernambucana que agitou a tranquila e agitada Suíça, com a denúncia de que teria sido vítima dos skinheads locais. E que depois tivemos que vergonhosamente voltar atrás. Deveríamos mesmo pedir desculpas àquele país. Até o Lula se manifestou e cobrou providências ao governo suíço. Mas graças a Deus vieram os festejos do carnaval brasileiro. A festa propriamente dita. E o fato silenciou, não sabemos que final aconteceu com a moça.
Nesse caso, o governo brasileiro não foi alertado ou se esqueceu de alguns detalhes históricos. Do Jean Charles que foi comprovadamente assassinado em Londres anos atrás e que, na ocasião, não houve grandes cobranças enérgicas por parte daqui. Que muita gente inocente foi barrada em aeroportos da Europa, passou por constrangimentos e voltou com prejuízos dos gastos com a viagem interrompida. E não houve cobranças tão fortes como no caso provocado por essa advogada pernambucana. Ora, por quê? A pergunta fica para quem quiser responder ou explicar.
O governo parece que também se esqueceu ou não foi alertado para o caso de inúmeros estrangeiros que chegam ao Brasil e são mortos, violentados, assaltados em nossas cidades. Só para exemplificar, o caso do casal de franceses que quase foi massacrado, há pouco tempo, em assalto nas cercanias da ilha de Itaparica na Bahia, dentro de um barco. Ou o jovem italiano atropelado e morto recentemente na Avenida Atlântica, no Rio, quando defendia sua família de um terrível assalto na praia de Copacabana. Os casos dias atrás e ontem, em pleno Carnaval brasileiro, de inúmeros estrangeiros de várias nacionalidades que foram assaltados e por sorte não mortos em nossas grandes metrópoles.
Será que somos mesmo um Carnaval eterno? Aquele Carnaval falado pelo professor Romano em sua entrevista? Um Carnaval de vergonhas e constrangimentos lá fora e aqui dentro?
Por hoje chega, vamos tomar cerveja que talvez seja melhor. Aliás, hoje ainda é Carnaval de verdade. Alegrias!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Trombando com a reforma

Ora, “essa vida de todos os dias”! Poderia ser menos complicada, mais simples, não fossem algumas invenções dos homens, para aumentar a preocupação dos comuns seres mortais.
Já não bastam as dificuldades em se arranjar emprego, a falta de dinheiro para se pagar as contas mensais ou os créditos em excesso, o caos urbano, o caos nos hospitais, a falta de transporte público adequado, e outras questões? Arranjam para nós, agora, uma nova reforma ortográfica, feita, dizem, com o objetivo de unificar o idioma português em todos os países que falam esta língua.
Com o perdão dos senhores doutores em língua portuguesa e de suas justificativas para a unificação do idioma, qual seria de fato a suma importância da referida medida? Ainda não se ouviu com clareza, alguém explicar com convencimento a necessidade de tal reforma. Afinal, até então, sempre conseguimos entender muito bem (quem sabe ler, claro!) a leitura de um texto escrito no português de Portugal, com ressalvas para algumas palavras diferentes e com significado específico daquele país. Afinal, a grande massa populacional brasileira não vivia lendo textos em português dos outros países irmãos de idioma, afastados por milhares de quilômetros de nós, brasileiros. E muito menos nunca mantivemos toneladas de correspondências com os habitantes desses países de semelhança lingüística. Que essa reforma então ficasse somente no topo das relações internacionais ou para o intercâmbio cultural das elites.
Mas enfim, alguém inventou ou decidiu que tinha que se unificar e a coisa aconteceu, para o desespero de milhares, talvez poucos milhões que já sabiam escrever, de forma correta ou quase que correta, o português brasileiro até noutro dia. “Começar de novo”, tal qual o título da canção de Ivan Lins.
Certamente, pelas regras atuais, este texto já está cheio de erros ortográficos. Já que “idéia”, não se escreve mais com acento. Agora será “ideia”, tal como “assembleia”, embora a pronúncia continuará sendo aberta e não “idêia” ou “assemblêia”. Se não foi para fazer uma puta confusão na cabeça dos atuais estudantes em estágio mais avançado ou na de quem já sabia escrever, foi para quê essa nova reforma? Há que se pensar que a resposta é difícil, pois, como já foi dito, não houve quem desse uma convincente explicação da necessidade de tal reboliço no idioma pátrio.
De concreto, temos até 2012 para aprendermos a escrever direito, tal como colocando dois erres em “autorretrato”, que até então se escrevia auto-retrato. E mais uma série de regrinhas que teremos que engolir. Ou voltaremos para a escola, ou teremos que comprar novos dicionários, gramáticas e todos os apetrechos necessários ao novo aprendizado. E haja dinheiro para acompanhar essa reforma da escrita, embora quem for a Portugal terá que compreender que “bestial” não é bem aquilo que entendemos aqui no Brasil, que “rapariga” lá é outra coisa, ou “bicha” não é aquilo que dizemos aqui no Brasil, por exemplo.
Mas, vamos em frente para ver no que vai dar. E com certeza vai dar naquilo que sempre deu. Ou seja, lá pra depois de 2012, a maioria de nós terá sempre dúvidas quanto a escrever esta ou aquela palavra em português. Os professores de português certamente vão se escabelar, os alunos se desesperarão nas provas e vestibulares, mesmo com o prazo de carência dado para a efetivação da reforma. E os editores de livros, gramáticas e dicionários irão faturar com as novas vendas.
Por acaso alguém já ouviu falar que o idioma inglês passou por reforma ortográfica? Isto para não citar o espanhol, que também é muito falado em várias partes do mundo. Muitos desses povos, que falam essas línguas, devem ter coisas mais importantes com o que se preocupar.
Bem, com reformas à parte, vamos agora entrar no Brasil do dia a dia. No Brasil da rua, da internet, do povão que luta para a sobrevivência diária. Qual vai ser a importância dessa reforma ortográfica unificada para esses que são a maioria do País? Se alguém souber a resposta, por favor, comente, fale, explique e, desde já, mil perdões, pela possível ignorância deste texto.
Quem tem acesso à internet e a usa em conversas e bate-papos, sabe que já foi criada uma ortografia específica para o português usado na rede. Tudo cifrado, tudo abreviado, verdadeiras expressões idiomáticas estranhas, que os jovens, principalmente, já se habituaram a escrever em sua comunicação. E que devem deixar chocados os senhores doutores da língua portuguesa.
Afora isso, Brasil adentro, os “pobremas” irão continuar na boca do povo. Que falarão, mas nunca saberão nem como se escreve essa palavra esquisita para nós, privilegiados – “pobrema”. O jogo do “framengo” será sempre assim por muito tempo. Existe um moço nesse interior brasileiro, que toma conta de uma chácara e cuja linguagem é surpreendente, mesmo sui-generis. Para ele, poço artesiano é poço “anestesiano”. Película no vidro dos carros é “pelica”, a marca Fiat é “Fit”, época é “épa”... E por aí vai. Tentem explicar essa nova reforma ortográfica para ele, a unificação da escrita do português e onde fica pelo menos Portugal.
Desculpem a ousadia, mas essa reforma ortográfica provavelmente não nos trará nada de concreto em termos práticos. Provavelmente não provocará as reformas políticas necessárias, as sociais, as reformas em nosso sistema judiciário, as reformas da maneira do ensino como um todo, e, sobretudo, não alterará a mentalidade reinante e muito menos o comportamento do homem brasileiro no que toca ao exercício pleno da cidadania. E mais, não vai alterar o teor dos discursos demagógicos e chatos de nossos políticos. Essa reforma não vai ensinar nem disseminar o respeito que deve haver entre os membros de uma sociedade como a nossa. Poderá, no mínimo, causar estresse, àqueles que se preocupam em escrever corretamente o idioma nacional.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Os caminhos de todos os dias

Cada dia que amanhece não deixa de ser uma incógnita para cada um de nós. Fizemos planos para esse dia ou não fizemos, o sol pode ter nascido ou estar encoberto por nuvens, tomamos um simples gole de café ou comemos tudo o que temos ou não temos direito na mesa matinal.
Saímos à rua, ficamos em casa, temos tarefas ou nada temos a fazer. Pensamos na vida ou não pensamos. Temos vários caminhos a seguir, não temos nenhum ou temos apenas um único modo a seguir. Não importa. O fato é que o dia nasceu e a vida tem que prosseguir.
Talvez seja cada um desses fatores ou todos juntos que nos impulsionam para frente, apontando-nos que a vida não pode parar, mesmo que fiquemos estagnados ou depressivos com algo de ruim ou com os caminhos que se fecharam. Interessante que, se ficamos assim, para baixo, a vida vai seguir do mesmo jeito e, de certo modo, estaremos perdendo tempo precioso. Todos continuarão passando por nós, para lá e para cá.
O relato transcrito abaixo, feito por uma pessoa amiga de Minas Gerais, chegou via email. Estava inserido numa outra mensagem, mas considerei-o de grande valor. A leitura do pequeno texto nos mostra que a própria vida nos apresenta, em exemplos vivos e práticos, aquilo a que todos nós podemos estar sujeitos ao longo da existência. Um relato de uma experiência prática, de um momento difícil, mas que, ao final, dá-nos a esperança de que, mesmo sem alternativas ou mesmo que o caminho seja o único que se apresenta a nós, o jeito é seguir, com toda a fé e esperança de que o amanhã será bem melhor.
Segue a transcrição. Que sirva de reflexão, como serviu a mim:

“No dia 22 de janeiro, caiu uma tempestade em Belo Horizonte. Pela primeira vez na vida eu vi, assim como meus colegas, uma enchente bem de perto. A avenida que passa ao largo da Faculdade, onde trabalho, transformou-se num rio. Viam-se objetos passando, sendo levados.
A gente não consegue imaginar como a água pode ser tão forte. Nem vendo na TV, como tantas vezes já vi. De perto é outra história. E ficamos pensando que tantas catástrofes são consequências das ações indevidas dos seres humanos, que não respeitam o ambiente, nem aos outros seres, nem a si mesmos. Ao voltar para casa naquela noite, encarei um trânsito de duas horas, quando gasto normalmente 25 minutos. E fiquei pensando que há momentos e situações da vida em que só podemos seguir por um único caminho. Não temos alternativas, pois outros nos tiraram todas. Mesmo que tenhamos muita vontade. A única solução é respirar fundo, manter a calma e ter fé de que no final tudo será melhor.”

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Imagine uma vida bem melhor...

Que melhor seria esta vida, sem os problemas do Oriente Médio, sem as questões da faixa de Gaza e as de gaze para enfaixar os feridos de guerra ou das balas perdidas que pairam sobre o nosso Brasil. Ou os feridos que sobram da nossa violência do trânsito.
Que ótimo seria se não houvesse a zona de convergência do Atlântico Sul para encher grandes regiões brasileiras, de nuvens pesadas, que caem em chuvas torrenciais para inundar inúmeras cidades e provocar mortes e problemas. Mais do que já temos.
Que bom seria viver mais intensamente e sem preocupações, se hoje tivéssemos a certeza absoluta de que nossos vôos comerciais seguem seguros pela imensidão do céu. Que os aviões não partem mais com aqueles atrasos imensos.
Seria um viver maravilhoso se saíssemos pelas nossas estradas, sem o risco de quebrar a cara e o resto também. Se essas estradas não tivessem buracos, fossem perfeitamente sinalizadas e os motoristas que por elas passam, fossem responsáveis, educados civilizadamente e não cometessem aqueles atos insanos ao volante, que já se tornaram tão comuns pelo país afora. Pura falta de educação e do resto. Falta de noção.
Como seria bom se a maioria da população enxergasse, entendesse melhor um jeito de viver melhor. Que tivesse uma cultura mais próxima do civismo e do verdadeiro respeito ao semelhante.
Viver seria um ato de qualidade se houvesse educação adequada a todos. Saúde em primeiro lugar. Que grávidas não precisassem dar à luz em cima de uma mesa de recepção de um hospital, auxiliadas por um parente. Que houvesse humanidade e responsabilidade para com o socorro de quem pagou impostos para tal.
Uma montanha de coisas seria verdadeiramente melhor SE... Embora toda essa porcaria que está por aí não invalide o ato de viver. Ao contrário, é preciso sentir muita vontade de viver, para a tentativa de se deixar um legado melhor.
De qualquer modo, nem tudo está perdido. Há dias, um denominado “grande líder” mundial já caiu fora. Deu lugar a outro. Esperanças se renovam, porque sobre determinados líderes que aparecem, a gente não tem o que dizer e mesmo o inferno deve estar cheio deles.
Aqui, ali, ou acolá, por esses barris de pólvora que explodem a todo o momento em todo o mundo, a gente só pode mesmo é sentir pena. E escolher novos caminhos que apontem para um futuro melhor. Vai depender sempre de cada um de nós, pois qualquer ser vivente neste planeta tem o seu valor, por mais humilde que seja, Mesmo que pense que não tem. O problema todo é aquela falta de visão. Ou de humildade em demasia, ou de ignorância em demasia.
Mas, pelo menos um já se foi. O duro é a gente imaginar quantos ainda restam para cair fora.
Por isso, é importante curtir bem a vida, porque ela passa rápido. Mas por que não, jogar fora o excesso daquele egoísmo muito comum em nós, humanos, e pensar um pouco mais nos filhos, nos netos, nas gerações que estarão por vir?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Um piano afinado soa bem melhor

Há quase dez anos, exatamente de 1999 para o ano 2000, o mundo se preocupava com o chamado “bug do milênio”. Ou seja, as preocupações giravam em torno da virada do segundo para o terceiro milênio. Números, datas, computadores, etc, como funcionariam no fechamento do século XX, para a chegada do século XXI – o primeiro do terceiro milênio. Os governos do mundo todo investiram em tecnologia e em pessoal para que nada fosse perdido e a passagem da data fosse perfeita. A informática tornou-se o foco principal. Seria o “caos” a perda de tantas coisas importantíssimas, tantos dados. Mas, sabe Deus, se não teria sido melhor perder algumas memórias deste mundo. Não é de causar espanto que, quando o Homem quer, tem interesses imensos, ele enterra dados, memórias e tudo o que for possível. Com “bug” ou sem “bug”.
Mas, como o tempo está mesmo passando depressa, podemos dizer que já estamos caminhando para o final da primeira década do século atual. O próximo ano já é 2010. O tal do “bug” ficou para trás, no esquecimento. Agora, as preocupações são outras, muito mais complexas. Todavia, apesar da rapidez do tempo, ainda nos utilizamos e vivemos, mesmo que com algumas mudanças já evidentes, de coisas do século passado, especialmente dos últimos anos do final do segundo milênio. Afinal, a maioria de nós procede de lá. Como disse o compositor Belchior, em sua música do século passado, “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. E ainda somos. Mesmo que cheiremos uma tonelada de cocaína por ano, mesmo que matemos jovens em portas de boates, mesmo que fiquemos com uma garota a cada dia. Ou um garoto.
Os seres humanos do século XXI ainda são crianças. São agora as figuras mais jovens no planeta, os primeiros nascidos no terceiro milênio, pouco mais de dois mil anos da passagem de Jesus Cristo por aqui. Essas crianças não passaram dos dez anos de idade, embora já respirem toda a moderna tecnologia do mundo, as novas idéias (novas e boas, obviamente) e, sobretudo, a internet – uma das mais velozes formas de comunicação até a presente data e com características próprias.
Mas, o que de fato mudou para melhor nesses últimos anos? O que mudou de verdade no ser humano em relação ao ato de viver? O que continuamos carregando de bom?
Viver, este blog defende, continua sendo uma das melhores coisas que pode acontecer ao ser humano. E que coisa boa esse ato de viver, simples na sua essência. Não estamos ligados em nenhuma tomada e ainda não pagamos conta para respirar o ar que nos rodeia. Coisa boa esse viver simplificando as alegrias, procurando caminhos menos complicados. Procurando ter apenas o suficiente para ser feliz. Largando de lado os excessos, que só trazem dores de cabeça. Malas sem alças. Vivendo intensamente cada dia da vida, como se fosse o último a acontecer. Intensamente de amor pela vida, pela preservação dela. Deixando de lado aqueles que de modo algum querem saber desse tipo de intensidade.
Mas, o que é o suficiente para se ser feliz? Um sorvete, dinheiro no Banco, um carro, um abraço, ser amado por alguém ou amar a esse alguém? O suficiente depende do ponto de vista de cada um, claro.
Porém, como dizem que, “o que importa é ser feliz”, então vamos em frente para conferir os resultados lá adiante. E sem esquecer que tudo passa rapidamente, tentemos fazer do tempo um tempo bem melhor. Sem esquecer também que, este fazer do tempo, vai gerar sempre uma variedade de conseqüências. Que podem ser boas ou ruins. Todo mundo sabe disso, mas finge que não sabe ou se faz de bobo. É aquela mania de teclar na mesma tecla do piano, mesmo na que desafina, mesmo que estejamos caminhando para o ano 3000.


Nota: Bug é um jargão internacional usado por profissionais e conhecedores de programação, que significa um erro de lógica na concepção de um determinado software.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Nada cai do céu. Muito menos o amor.

Na verdade, tudo começa na família. Entre outras coisas, o amor e o tempo. O amor, ninguém nos ensina. Ao contrário, ele vem em forma de doação desde quando somos gerados, de preferência bem vindos e a partir do momento em que despontamos para a vida. Se recebermos, saberemos dar ou aprenderemos ou não com os tropeços da vida.
Quanto ao tempo, este a gente tem que fazer, tem que produzir. Tempo perdido é vida perdida, ou parte desta perdida. O tempo passa rápido, principalmente quando não produzimos nada de útil. Especialmente quando estamos sobrecarregados, cheios de tarefas consideradas importantes e não podemos nem falar ao telefone com um amigo.
O amor por algo ou alguém, sempre nos torna de grande utilidade na vida. Não deixa de ser complicado, pois dá algum trabalho o exercício do amor. É doação. E o ato de doar exige ausência de egoísmo.
Neste dia, em que começamos mais um ano cheios de esperanças, este blog resolveu passar como mensagem de Ano Novo, o desejo do Amor. E a história abaixo contada, provavelmente muito mais real e comum do que a gente possa imaginar, oferece para nós, em palavras simples numa narrativa mais do que direta, uma grande lição sobre a questão do Amor. Esse mesmo amor que, a cada final e início de um novo ano, é o alvo, é a busca eterna para dias melhores. Fica a certeza de que, um mundo sem amor é um mundo sem dignidade e respeito. Feliz de quem consegue enxergar a simplicidade da questão, como o autor do referido texto que se segue, que sofreu na pele a experiência da falta de amor e aprendeu, sozinho, a necessidade dele.
Essa história veio anexada num email. O autor da história não assina o texto. Pena, pois a narrativa é feita num bom português. Clara e bem encadeada. De qualquer forma, o texto está transcrito entre aspas. De qualquer modo, uma bela coisa que circulou pela internet. E mostra, perdoem a redundância, que todo o desamor pode começar no início da vida.
Este blog não precisa dizer mais nada. Apenas deixar que as pessoas reflitam. FELIZ ANO DE 2009.


“Como se escreve…?

Quando eu tinha somente cinco anos, a professora do jardim de infância pediu aos alunos que fizéssemos um desenho de alguma coisa que amávamos.
Eu desenhei a minha família. Depois, tracei um grande círculo com lápis vermelho ao redor das figuras.
Desejando escrever uma palavra acima do círculo saí de minha mesinha e fui até a mesa da professora e disse:
- Professora, como a gente escreve…?
Ela não me deixou concluir a pergunta.
Mandou-me voltar para o meu lugar e não me atrever mais a interromper a aula.
Dobrei o papel e o guardei no bolso.
Quando retornei para casa, naquele dia, me lembrei do desenho e o tirei do bolso.
Alisei-o bem sobre a mesa da cozinha, fui até minha mochila, peguei um lápis e olhei para o grande círculo vermelho.
Minha mãe estava preparando o jantar, indo e vindo do fogão para a pia. Eu queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para ela e disse:
Mamãe, como a gente escreve…?
- Menino, não dá para ver que estou ocupada agora?
Vá brincar lá fora. E não bata a porta, foi a resposta dela.
Dobrei o desenho e guardei no bolso.
Naquela noite, tirei outra vez o desenho do bolso. Olhei para o grande círculo vermelho, e peguei o lápis.
Queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para meu pai.
Alisei bem as dobras e coloquei o desenho no chão da sala, perto da poltrona reclinável do meu pai e disse.
- Papai, como a gente escreve…?
Estou lendo o jornal e não quero ser interrompido.
Vá brincar lá fora. E não bata a porta.
Dobrei o desenho e o guardei no bolso novamente.
No dia seguinte, quando minha mãe separava a roupa para lavar, encontrou no bolso da calça, enrolados no papel, uma pedrinha, um pedaço de barbante e duas bolinhas de gude.
Todos os meus “tesouros” que eu catara enquanto brincava fora de casa. Ela nem abriu o papel. Atirou tudo no lixo.
Os anos passaram.
Quando tinha 28 anos, minha filha de cinco anos fez um desenho.
Era o desenho de sua (minha) família.
Sorri quando ela apontou uma figura alta, de forma indefinida e me disse:
- Este aqui é você, papai!
Olhei para o grande círculo vermelho feito por minha filha ao redor das figuras, e lentamente comecei a passar o dedo sobre o círculo.
Ela desceu rapidamente do meu colo e avisou:
Eu volto logo!
E voltou. Com um lápis na mão.
Acomodou-se outra vez nos meus joelhos, posicionou a ponta do lápis perto do topo do grande círculo vermelho e perguntou.
- Papai, como a gente escreve amor?
Abracei minha filha, tomei a sua mãozinha e a fui conduzindo, devagar, ajudando-a a formar as letras, enquanto dizia:
Amor... Amor, querida, se escreve com as letras T… E…M…P…O (TEMPO).
Conjugue o verbo amar todo o tempo.
Use o seu tempo para amar.
Crie um tempo extra para amar, não esquecendo que para os filhos, em especial, o que importa é ter quem ouça e opine, quem participe e vibre, quem conheça e incentive.
Não espere seu filho ter que descobrir sozinho como se soletra amor, família, afeição.
Por fim, lembre-se:
se você não tiver tempo para amar, crie.
Afinal, o ser humano é um poço de criatividade e o tempo…
…bom, o tempo é uma questão de escolha.”

(autor desconhecido)