domingo, 19 de abril de 2009

Procura-se

PROCURA-SE POLICIAMENTO OSTENSIVO NAS RUAS DAS CIDADES BRASILEIRAS...
ESTE BLOG NÃO ACABOU. APENAS UMA PAUSA PARA DESCANSO DESSA VIDA DE TODOS OS DIAS.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Um castelo é para poucos

Construir castelos de verdade é tarefa para poucos neste mundo. A maioria só consegue construí-los em sonhos. Pouquíssimos os erguem nas areias de uma praia qualquer. Vemos então, de vez em quando, aqueles maravilhosos “castelos de areia” – não confundir com aquela recente operação da polícia federal, que se desmancham ao sabor de uma onda malvada.
O Brasil não é verdadeiramente e nem tradicionalmente um país de castelos de verdade, até que, de repente, não mais que de repente, surge um senhor castelo em São João Nepomuceno, no Estado de Minas Gerais. Um castelo que deixou muita gente de boca aberta. Sem dúvidas um bonito castelo. Espantoso, milionário.
Como foi dito anteriormente, ter um castelo não é para qualquer um. Mas aquele senhor, que também é deputado federal, conseguiu a façanha. E, paradoxalmente, tem duas coisas: o castelo e um posto no nosso Congresso Nacional.
Agora, a gente não consegue imaginar como um dono de castelo precisa ter um emprego público, ou melhor, uma função pública que é paga com o dinheiro dos humildes servos contribuintes. Castelos são destinados a reis, rainhas, príncipes. Pelo menos foi assim que a gente viu, quando leu sobre a história do mundo. Mesmo que aquilo tudo tenha sido Histórias da Carochinha, mas que ficaram nas profundezas de nossas mentes. Mas, como o Brasil é de fato um país exótico...
Bom, tudo bem, ou tudo mal. Deixa pra lá. Deixa o homem curtir o seu castelo, construído, segundo ele afirmou, com o dinheiro do lucro das suas empresas de segurança. Aliás, ele deve ter feito a segurança do Brasil inteiro. Afinal, aqui a gente tem segurança por todos os lados. Bem, pelo menos as autoridades têm.
Alguém poderia fazer o favor de dizer para esse moço do castelo de Nepomuceno, para ele ser pelo menos um pouco mais benévolo com seus humildes servos que o colocaram lá na Câmara, em Brasília. Isto é, baixar mais um pouco o nariz da arrogância quando circula no plenário. O ar da prepotência incomoda mais do que a propriedade do castelo. Ele pode até ter o castelo, mas não precisa pisar na cabeça dos humildes servos que o elegeram. Ao invés disso, deveria mandar engenheiros verificarem se as bases do alicerce do seu pequeno grande feudo, estão construídas com materiais verdadeiramente sólidos. Tanta coisa que desaba nesta vida!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Do apito do trem, nem o eco sobrou

Não podemos falar da vida de todos os dias, se não falarmos das condições de vida que o País oferece. Entenda-se isso como “qualidade de vida”. Mesmo as pessoas que têm uma condição financeira mais favorável, não estão livres dos estresses provocados pelos péssimos serviços públicos. O sistema de transportes, por exemplo. Pegue o seu carro e saia a viajar por uma rodovia. Enfrente a BR-040, a BR-381 ou qualquer outra.
A cada dia que passa, mais e mais carretas trafegam por todas as rodovias brasileiras. Para os observadores, o volume do transporte de cargas por estradas já começa a impressionar. E por que isso? Por que não temos uma malha ferroviária adequada às necessidades brasileiras. Temos alguma coisa, mínima, mas nunca tivemos um transporte ferroviário de carga como noutros países que se preocuparam com isso.
Os governos sempre tentaram explicar o motivo. Que os investimentos em transporte ferroviário são muito altos, que o Brasil é imenso, etc.
Será? Seriam? Serão?
Talvez o melhor fosse assumir que somos um País que desenvolveu a cultura do pneu e da gasolina. E somente Deus sabe que interesses nos levaram a isso. Essa historinha é longa e não dá para ser entendida assim, de um momento para o outro.
Técnicos, estudiosos de transporte entendem o absurdo que é transportar grãos, por exemplo, na carroceria de caminhões, que, ao longo do tempo, tornaram-se maiores e mais pesados. Obviamente estragando o asfalto das estradas e quase entupindo as mesmas. Imagine toda a carga brasileira sendo transportada pelas rodovias. Toda mesmo. Imagine o caos rodoviário dentro de alguns anos, com o Brasil crescendo e, claro, com o aumento de sua população! E com o aumento das necessidades de consumos, isto sem contar as exportações dos produtos.
Mais isto é um assunto que ainda vai rolar por muitos e muitos anos, enquanto a vontade política para mudar esse quadro não for muito forte. Infelizmente ainda teremos muito acidentes rodoviários envolvendo essas grandes carretas. Elas hoje são extremamente modernas, com motoristas em geral despreparados e mal pagos para conduzi-las. Portanto, se quiser fazer uma viagem de lazer com o seu carrinho, ou mesmo de trabalho, por uma rodovia, não custa nada rezar um Pai Nosso e ir em frente. Com fé, muita fé. Por que o trem da lembrança de alguns poucos, já descarrilou há muito tempo.

domingo, 22 de março de 2009

Por quê trocar políticos e fraldas?

Pela internet circulam todos os dias, milhares, talvez milhões de emails, carregando os mais variados tipos de anexos. Coisas interessantes, mensagens positivas com belas imagens, coisas engraçadas, bizarras, verdades, assuntos chatos e cansativos. E também circulam muitas mentiras, invenções com objetivos esquisitos e muita porcaria.
Assim, circula também pela rede uma frase atribuída ao grande escritor português Eça de Queirós. O autor de “O primo Basílio”, o famoso romance. A frase seria esta: “os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão”.
Tendo sido proferida ou não por Eça de Queirós, a frase não deixa de nos fazer pensar. Se de autoria do escritor português, é surpreendente a gente observar que essa “razão” a que o autor se refere, vem de longa data, já que Eça viveu no século 19. Nasceu em 1845, em Portugal, e morreu em 1900, em Paris.
Obviamente que fraldas ou qualquer outro tipo de pano protetor, ficam cheios de bosta desde que surgiram os primeiros bebês no mundo. E claro que a troca sempre teve que ser imediata, pois senão ninguém agüentaria ficar com o nenem por perto.
Já os políticos, chega a dar tristeza a constatação, ao que tudo indica, que a produção fecal vem de séculos atrás. Provavelmente de muito antes de Eça de Queirós ter nascido. E o pior é que políticos não são trocados assim frequentemente. No Brasil, geralmente são os mesmos por anos e anos. A troca só é feita quando eles baixam o cemitério. E assim mesmo são trocados por um filho ou um neto. Ou seja, a historinha sempre continua. Do mesmo modo que os emails vão continuar circulando pela internet.

terça-feira, 10 de março de 2009

Vida cega

Vivemos uma época em que o "ter" e o "poder" transformaram-se numa verdadeira obsessão. E daí vem o sofrimento de muitos, pela sensação do fracasso em não ter ou em não poder. A cultura hoje é a do corpo perfeito, das tatuagens consideradas maravilhosas, dos carros importados, das casas hiper confortáveis, dos telefones celulares de última geração, dos GPS para guiar os motoristas em seus automóveis, dos cruzeiros marítimos, etc.
As coisas naturais da vida, aquelas coisas simples da vida parecem terem caído no abandono. Por exemplo, a felicidade em abrir os olhos todas as manhãs e poder enxergar. Esse simples ato não é comemorado por nós. O que seria do ter e do poder se não pudéssemos ver nada além da escuridão permanente?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Fazer xixi na rua? Traga um penico portátil no bolso...

Mais do que por sua variedade climática, diferenças entre regiões e culturas regionais, população resultante do cruzamento de várias raças humanas, o Brasil é de fato um país dos contrastes.
Talvez agora, depois de formada a imensa aldeia global decorrente da velocidade das comunicações mundiais, nosso país não cause tanto espanto a outros povos, digamos, que ainda demonstram comportamentos sociais onde o respeito ao ser humano e a educação se destacam em suas culturas. Afinal, a tendência que se observa hoje é a disseminação das porcarias mundiais. Os melhores valores humanos estão virando de cabeça para baixo, enterrando-se e perdendo-se na lama do planeta.
Obviamente, a maioria de nós, brasileiros, é oriunda do século passado. Estamos em 2009, mas ainda carregamos uma bagagem muito pesada dos idos de 1900 e antigamente. Os nacionais deste século ainda são jovens em torno dos oito anos de idade. Não fica muito difícil a gente entender essa miscelânea de coisas que acontecem no dia a dia. Miscelânea de coisas ruins que praticamente encobrem algo de bom que acontece ou que venha a acontecer. A população proliferou e com isso os problemas também proliferaram, evidentemente por causa da falta de educação de massa reinante. Aquela velha máxima de que “o errado é que está certo”. Bem, parece que vem sendo assim.
Por isso, a afirmativa dos contrastes. Ah, se resolver os problemas desses contrastes fosse apenas como se mexer naquele botãozinho da TV, que sempre melhora a imagem! Assim, vai se tornando cada vez mais difícil a solução de certas coisas, por mais que governantes façam de seus discursos, verdadeiras epopéias do desenvolvimento brasileiro.
E haja contrastes. Milhões deles. Desde aquele cidadão deputado, dono do castelo fantástico situado em São João Nepomuceno, que circula para lá e para cá com o “nariz em pé”, na Câmara dos Deputados, passando pelo outro cidadão do Senado, que não declarou à receita federal a sua simples casinha no valor de cinco milhões de reais. No meio deste caminho, a gente tropeça em tudo. Na falta de policiamento em nossas cidades; na falta de leitos hospitalares no sistema público; nas agressões que professores vêm sofrendo pelos alunos, dentro das escolas em todo o Brasil; na violência generalizada; numa multidão de criminosos de várias espécies, ricos e pobres, a quem não acontece nada, na prática, de punição. Nada disso é novidade. Muita gente sabe disso, mas prefere talvez não pensar muito no assunto. E isto até é compreensível, na medida em que existem tantas outras coisas mais importantes no nível pessoal, para a sobrevivência de cada um.
Mas não deixamos de ser um país dos contrastes. Enumerá-los, todos, impossível!
Aliás, a vida vai se tornando uma verdadeira missão impossível, onde quem mais foi capaz de aperfeiçoar o tão falado jeitinho brasileiro, consegue romper as barreiras de tão terrível missão.
No entanto, não vamos nos deter em nada disso. Essa vida de todos os dias é assim mesmo. Quem a faz ou a fez assim, fomos nós mesmos.
Nessa do cotidiano, de fatos que tornam o contraste brasileiro ainda mais evidente, vem uma notícia do Rio de Janeiro, onde dois rapazes foram presos porque estavam fazendo xixi numa das calçadas do centro da cidade. Foi durante a apresentação de um bloco de carnaval. Talvez algum bloco vencedor, pois o fato aconteceu após os dias oficiais daquela festa.
Criou-se uma polêmica. Foram presos sob a acusação de praticarem atos obscenos. Ora, em momento algum a notícia falou que eles se masturbavam ou que apontavam seus pênis na direção dos transeuntes. Apenas, estavam, digamos, vulgarmente, mijando. Provavelmente haviam ingerido, como todo bom brasileiro, muitos copos de cerveja, na melhor das hipóteses. Na verdade, este fato, o de mijar na rua, poderíamos dizer, é muito comum pelas cidades do Brasil. Alguns lugares particularmente, em praticamente todas as cidades do País, fedem a mijo. Ou melhor, a urina, a xixi, para não constranger a linguagem de alguns cidadãos mais polidos.
Claro que isto não justifica o fato e nem defende os dois rapazes presos. Embora haja coisas bem piores que o ato de urinar em público. Algumas coisas públicas, por exemplo, ou o mau uso dinheiro público. E nem por isso pessoas vão em cana. Alegação de ato obsceno? Mais do que o ato constrangedor de alguém urinar na rua, a gente vê certamente coisas, digamos, mais obscenas em determinados programas de televisão e até mesmo na rua, nas praias, no Carnaval, em determinadas instituições, etc.
Acima de tudo, fica a pergunta que não quer calar: onde estão os banheiros públicos de nossas cidades brasileiras? Aqueles banheiros higienizados, como em países da Europa, por exemplo, onde se paga um valor para o uso, mas num caso de emergência o cidadão tem onde se aliviar. E não somente do xixi, mas até de uma diarréia repentina.
Banheiro público em nossas cidades, apenas nos shoppings centers e mais exatamente para os usuários desses.
Portanto, cuidado ao circular a pé por nossas ruas e avenidas. Reze para sua bexiga não encher repentinamente ou evite beber muitos líquidos, o que é impossível num país quente como o nosso. Se tiver uma caganeira então, azar o seu. Como diz o nosso filósofo Faustão, “se vira nos trinta”! Ou use aquele botão da TV que ativa o contraste, porque você vai passar em segundos do vermelho para o roxo e o amarelo. Sua imagem vai ficar horrível.