O dia a dia de todos nós. Os fatos que ocorrem. O exercício da cidadania. A qualidade das relações humanas. Educação, que gera respeito para que o cidadão exija seus direitos e cumpra seus deveres.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Quem saberá o que aconteceu?
Os porquês do apagão de energia, que afetou 18 Estados brasileiros nesta semana, serão tão esclarecedores para a população como os motivos que causam um grande acidente aéreo no País. Será tanta controvérsia até que o assunto caia no esquecimento. Até porque o Natal vem aí, o Reveillon de 2010, festas que ocupam a memória do povo. Quando daqui a meses ou mais de ano for resolvido o que dizer de fato, meia dúzia de gatos pingados ouvirão falar do relatório oficial sobre a escuridão inesperada. Como falado antes, tal como os relatórios de desastre aéreo. Diluídos no tempo e no espaço. Só quem perdeu parentes é que não esquece do fato. No caso do blecaute nacional, só quem foi assaltado ou sofreu algo mais sério, não esquecerá da escuridão geral do dia 10 de novembro deste ano. Coisas do comportamento nacional.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Raios que o partam
O Brasil apagou literalmente na última terça-feira. Às 22:13 horas. Sobrou praticamente a Amazônia, que por ser selva já é escura mesmo. Raios que o partam.
Dizem que foi um deles. Pior que não dá para pegar o raio culpado e fazer ele pagar os prejuízos. Então, foi uma fatalidade. O raio se enfiou terra adentro. Sumiu. Ficaram as controvérsias.
Apagão para uns, lucro para outros. No dia seguinte, no Rio de Janeiro, não havia mais nas lojas, nenhuma lanterna ou luz de emergência para contar a história. O povo comprou tudo que havia. E pacote de velas aos montes. Parecia até que haveria uma grande macumba no terreiro carioca, ou pagamento coletivo de promessa.
Dizem que foi um deles. Pior que não dá para pegar o raio culpado e fazer ele pagar os prejuízos. Então, foi uma fatalidade. O raio se enfiou terra adentro. Sumiu. Ficaram as controvérsias.
Apagão para uns, lucro para outros. No dia seguinte, no Rio de Janeiro, não havia mais nas lojas, nenhuma lanterna ou luz de emergência para contar a história. O povo comprou tudo que havia. E pacote de velas aos montes. Parecia até que haveria uma grande macumba no terreiro carioca, ou pagamento coletivo de promessa.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Ser moderno ou ser esperto - é uma questão
Depois de uma pausa, vamos lá:
No mundo atual, prolifera a esperteza. Infelizmente uma esperteza doentia, visando somente angariar fundos suficientes e necessários para uma vida considerada boa, cercada de todos os atributos de conforto dessa época contemporânea. Conforto é bom, claro, quem não gosta? Até os mais bobos.
E a tal esperteza se espalhou por pessoas físicas e jurídicas. As pessoas mais simples, geralmente crédulas, que muitas vezes se deixam levar pelo que ouvem na propaganda espalhada por aí, tanto aquela direta, como aquela mais perigosa, sutil, que envolve a alma, têm que estar muito atentas. É um tal de “isso pode”, “não pode aquilo”, “faça assim”, “faça assado”, “coma isso e não aquilo”, que ficamos tontos em meio a um tiroteio de ofertas.
Pela internet, de fato um dos meios mais vertiginosos de comunicação, circulam emails com anexos que tentam nos mostrar perigos relacionados a certos produtos. Mas, isto não é o suficiente.
O que se precisa é eliminar ao máximo a ingenuidade de alguns, motivada pela falta de noção (que na maioria dos casos não lhes foi doada pela educação básica) em relação ao dia a dia que nos envolve. E isso é um processo que, com certeza, ainda vai levar muito tempo.
Enquanto isso não acontece, empresas e gente espertas na busca de dinheiro, porém incompetentes na execução de produtos e serviços, continuarão em sua tentativa de nos idiotizar, querendo a todo custo que ingressemos naquele rebanho imenso que somente sabe imitar comportamentos, sem jamais pensar em suas conseqüências, se boas ou ruins.
HOJE, EM TUDO, TUDO MESMO, SÓ HÁ O INTERESSE COMERCIAL. HÁ QUE SE FAZER CHOVER DINHEIRO. POR UM LADO É LÓGICO QUE ESSA MERDA DO DINHEIRO É PRECISO PARA TUDO, POR OUTRO, NÃO É NECESSÁRIO EXAGERAR EM SUA BUSCA. É A ÉPOCA DO SE DAR BEM A QUALQUER CUSTO, MESMO QUE ISTO IMPLIQUE EM DETONAR AS PESSOAS. ALIÁS, O QUE MENOS TEM VALOR NESSE MUNDO MODERNO, ATUAL, CHEIO DAS TECNOLOGIAS DAS DELÍCIAS. A VIDA SIMPLES, EQUILIBRADA, NÃO FALO DE VIDA MISERÁVEL, MESQUINHA, DE FOME, AQUELA FOI PARA O BREJO E PARECE SÓ CABER AOS BOBOS, DE ACORDO COM OS OLHARES E OBSERVAÇÕES MAIS "ESPERTAS". A VIDA "FÁCIL" QUE ANTES, EM MEADOS DO SÉCULO PASSADO, ERA ATRIBUÍDA ÀS PROSTITUTAS, ATUALMENTE CAIU NO GOSTO GERAL. É O QUE PARECE.
Então, salvem-se quem quiser e puder. Ou mergulhe de cabeça na mentalidade reinante. São dois caminhos extremamente difíceis de se escolher.
No mundo atual, prolifera a esperteza. Infelizmente uma esperteza doentia, visando somente angariar fundos suficientes e necessários para uma vida considerada boa, cercada de todos os atributos de conforto dessa época contemporânea. Conforto é bom, claro, quem não gosta? Até os mais bobos.
E a tal esperteza se espalhou por pessoas físicas e jurídicas. As pessoas mais simples, geralmente crédulas, que muitas vezes se deixam levar pelo que ouvem na propaganda espalhada por aí, tanto aquela direta, como aquela mais perigosa, sutil, que envolve a alma, têm que estar muito atentas. É um tal de “isso pode”, “não pode aquilo”, “faça assim”, “faça assado”, “coma isso e não aquilo”, que ficamos tontos em meio a um tiroteio de ofertas.
Pela internet, de fato um dos meios mais vertiginosos de comunicação, circulam emails com anexos que tentam nos mostrar perigos relacionados a certos produtos. Mas, isto não é o suficiente.
O que se precisa é eliminar ao máximo a ingenuidade de alguns, motivada pela falta de noção (que na maioria dos casos não lhes foi doada pela educação básica) em relação ao dia a dia que nos envolve. E isso é um processo que, com certeza, ainda vai levar muito tempo.
Enquanto isso não acontece, empresas e gente espertas na busca de dinheiro, porém incompetentes na execução de produtos e serviços, continuarão em sua tentativa de nos idiotizar, querendo a todo custo que ingressemos naquele rebanho imenso que somente sabe imitar comportamentos, sem jamais pensar em suas conseqüências, se boas ou ruins.
HOJE, EM TUDO, TUDO MESMO, SÓ HÁ O INTERESSE COMERCIAL. HÁ QUE SE FAZER CHOVER DINHEIRO. POR UM LADO É LÓGICO QUE ESSA MERDA DO DINHEIRO É PRECISO PARA TUDO, POR OUTRO, NÃO É NECESSÁRIO EXAGERAR EM SUA BUSCA. É A ÉPOCA DO SE DAR BEM A QUALQUER CUSTO, MESMO QUE ISTO IMPLIQUE EM DETONAR AS PESSOAS. ALIÁS, O QUE MENOS TEM VALOR NESSE MUNDO MODERNO, ATUAL, CHEIO DAS TECNOLOGIAS DAS DELÍCIAS. A VIDA SIMPLES, EQUILIBRADA, NÃO FALO DE VIDA MISERÁVEL, MESQUINHA, DE FOME, AQUELA FOI PARA O BREJO E PARECE SÓ CABER AOS BOBOS, DE ACORDO COM OS OLHARES E OBSERVAÇÕES MAIS "ESPERTAS". A VIDA "FÁCIL" QUE ANTES, EM MEADOS DO SÉCULO PASSADO, ERA ATRIBUÍDA ÀS PROSTITUTAS, ATUALMENTE CAIU NO GOSTO GERAL. É O QUE PARECE.
Então, salvem-se quem quiser e puder. Ou mergulhe de cabeça na mentalidade reinante. São dois caminhos extremamente difíceis de se escolher.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
PAUSA TEMPORÁRIA
O ato de escrever, ou de registrar acontecimentos e comentários, a respeito do momento em que se vive, é inerente ao homem desde os tempos primitivos de sua existência. Os escribas do antigo Egito, por exemplo, deixavam nos "papiros", um pouco da história que lhes era transmitida por autoridades ou os faraós da época. Escrever não é um processo difícil. Em princípio, todo ser humano tem condições para isso. Todavia, conseguir comunicar-se pela escrita e passar a mensagem real e verdadeira sobre determinado assunto, é algo que exige muito esforço do escritor. Na verdade, é algo que flui pelo cérebro com simplicidade, pelo sangue do autor, pela emoção que deve ser isenta e se materializa pelas mãos, hoje em dia, por intermédio dos modernos instrumentos de escrever de que dispomos.
Contudo, não basta escrever bem ou comunicar-se bem pela escrita. É necessário que do outro lado haja seres que saibam ler, decodificar a mensagem e que, mais interessante ainda, estejam interessados em ler aquilo que se escreveu. Sem leitura, sem leitor, a comunicação torna-se sem efeito, pela ausência de resposta ou qualquer outro modo de interação. Por isso, as críticas, respostas e qualquer outro meio de reação são necessários para que se possa estabelecer um processo verdadeiro de comunicação. E nesse processo todo é preciso que funcione sempre a educação boa.
As palavras, tanto as de ida como as de volta, deveriam ser isentas de emoções violentas, avassaladoras. Certamente, o ser humano foi destinado ao mundo, veio até aqui, para aprender. E esse aprendizado não é complicado ou difícil, bastando para isso lançar-se um olhar sobre a natureza que nos cerca. Tudo na natureza é sábio e funciona sempre nos momentos precisos, mostrando para nós, em muitos casos, ensinamentos de modos aterradores e que mesmo assim não conseguimos quase nunca decifrar. E tudo porque o ser humano considera-se em geral o herói do planeta, o ser mais maravilhoso que chegou por aqui. O ser que destrói, sem dó nem piedade, sem planejamento ou sem medidas compensadoras, tudo que a natureza levou talvez milhões de anos para construir.
Como na linguagem escrita que vemos na imprensa, na literatura ou nos papéis em geral e que muitas vezes não entendemos ou não fazemos um mínimo esforço para entender, o homem também subestima a linguagem do Universo, da natureza, das plantas, das terras, das águas e, principalmente, dos animais. Ao contrário, o homem construiu o seu imenso palanque e do alto de sua tribuna tenta dominar tudo. Imagina-se cheio de poder, o próprio "deus" da matéria. Esquece-se, e nem vamos aqui falar de Deus, da grande força energética que circunda e circula pelo planeta, pelo cosmos. E que essa verdadeira força esquecida pode e pode tudo numa questão de minutos ou até de segundos.
Por isso e que, muitas vezes, o silêncio é necessário. Porque o discurso não é interessante, mesmo chato, não gera aquele papel ou metal que nos leva àquela considerada boa vida, não mobiliza porque não traz aquelas promessas sempre enganadoras. O silêncio é necessário também para que não haja cansaço, para que não fique acontecendo um pregão no deserto. Já que a maioria parece estar surda e com os pés flutuantes, o melhor discurso é mesmo a ausência de palavras. O resto é deixar acontecer.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
O ESPÍRITO DE LAMPIÃO VIVE
Introdução
Problemas sociais e fundiários no nordeste brasileiro deram origem a uma prática violenta naquela região, de meados do século XIX até quase a metade do século passado: O CANGAÇO.
Os cangaceiros agiam em bandos ou individualmente, atemorizando e aterrorizando populações inteiras de vilas e pequenas cidades do sertão nordestino. Saqueavam, matavam, roubavam, aplicavam a lei do “mais forte”, atemorizavam até os coronéis do interior. Viviam escondidos na caatinga e eram perseguidos pela polícia, que desde aqueles tempos já tinham dificuldade em localizar bandidos. O mais famoso cangaceiro nordestino foi Virgulino Ferreira da Silva, o LAMPIÃO, que liderava um bando violento e cuja mulher, Maria Bonita, assim chamada por ser considerada muito bonita, agia como descrito no trecho dessa antiga música, “Paraíba masculina, mulher macho sim senhor...”. Ou seja, pegava nas armas, matava se preciso fosse e agia tal qual o bando a que pertencia. Lampião atemorizou durante as décadas de 20 e 30 do século passado. Em 28 de julho de 1938 ele foi pego numa emboscada e morto com sua mulher e mais nove cangaceiros, no interior de Sergipe, conforme conta a História, que diz também que, a partir do Governo Getúlio Vargas e por decisão deste presidente, o cangaço começou a ter fim.
A História conta também que, para as autoridades, o cangaço simbolizava o mal, a brutalidade que precisava ser extinta. Todavia, conta-se também que, por uma parte da população do sertão, o cangaço e o próprio Lampião encarnou “valores” como a bravura, o heroísmo e o “senso de honra”. Os cangaceiros geralmente tinham apelidos. Entre outros, fizeram essa história violenta com controvérsias de “honra” e “heroísmo”, os cangaceiros Jesuíno Brilhante, que já agia por volta de 1870, Colchete, Jararaca e o também famoso Corisco, este último oficialmente morto em 1940.
Os dias de hoje
Mas, o que mudou de lá para cá, até os nossos dias no Brasil? Claro, muita coisa mudou. É óbvio. Porém, as cenas de violência a que assistimos atualmente, tanto nas ruas de nossas cidades, como também até no interior de espaços públicos onde deveriam proliferar grandes decisões para o País, não nos deixam alternativas para uma reflexão. E nem precisamos ter doutorados, mestrados, ou títulos de PhD, para concluirmos que, embora o Brasil tenha se desenvolvido, nem que tenha sido por osmose em relação ao mundo, a mentalidade pouco evoluiu. Resumindo, a cultura assimilada ao longo de tantos anos ainda resulta na Lei do Mais Forte, do Poder a qualquer custo, do insistir em copiar o que dizia uma velha marchinha de Carnaval: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”... – isto especialmente quando se trata da detenção do poder.
A cultura assimilada e resultante também dá mostras de que “o manda quem pode, prevalece” e que, aquilo que incomoda ao poder, não custa muito em ser eliminado, nem que seja no mínimo por uma troca de acusações.
Assim, perdemos nosso tempo em ficar espantados, horrorizados e talvez mesmo envergonhados, quando assistimos, por exemplo, um Senador da República, de dedo em riste, em plena sessão plenária, acusar outro ou ser repelido por este a baixar o “dedo sujo”. Nosso horror ou vergonha de nada vai adiantar. A guerra do poder, as denúncias, trocas de acusações, ainda durarão muitos anos, enquanto o cancro cultural não for de fato cortado pela raiz.
Não resolverá em nada também, alegarmos que nossa colonização portuguesa é uma das causas disto tudo. Que assim tivemos uma péssima herança cultural, porque se assim aconteceu, não fizemos o suficiente para melhorar e aprimorar o quadro cultural nacional. Ao contrário, antes da proclamação da nossa República já surgiram os cangaceiros e agora, mesmo com o pressuposto fim deles, chegamos aos dias atuais com comportamento semelhante, que sempre acaba em enganos, roubos, força violenta, saques até aos cofres públicos e migalhas distribuídas aos menos favorecidos.
Ora, cangaceiros espalharam um método inusitado de obter bens e simpatizantes a eles também assimilaram tal método. Viveram aquela época, tiveram filhos, netos, bisnetos. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação e transporte no Brasil também se desenvolveram, certamente não tanto quanto deviam, no entanto, o suficiente para aquele método se espalhar pelo Brasil.
Isto pode ser uma teoria. Uma teoria não muito difícil de ter sido praticada sutil e veladamente ao longo de tantos anos, na medida em que o Brasil misturou suas culturas regionais. E a forte e espantosa cultura do Cangaço certamente não ficou fora disso.
Hoje, o Poder age em grupos ou mesmo individualmente. Para quem estuda, pesquisa e acompanha a História do Brasil, talvez seja mais fácil visualizar resquícios do Cangaço em nossos dias. Se isto é idéia de maluco, de um ser mortal comum, ou de um brasileiro idiota qualquer que mal sabe eleger seus governantes, o que tem acontecido no interior do Congresso Nacional do Brasil nos últimos anos e agora mais precisamente no Senado Federal, faz parecer que a teoria do Cangaço faz sentido.
Os rabos parecem estar mais do que presos entre nossos representantes, ou melhor, colados com super bonder; as denúncias de coisas mal feitas nos deixam boquiabertos, o chamado decoro parlamentar que há muito foi para o espaço, mais parece um coro de palavrórios e até palavrões, os discursos em defesa da honra e da dignidade proliferam nas tribunas, fazendo cair por terra incríveis fatos e denúncias. A cultura da cara de pau prosperou. Certamente, os que assim procedem, devem julgar o povo como um bando de idiotas, sem raciocínio, embora na cultura do faz de conta que tudo está bem, isto não seja dito com palavras. Como se costuma imbecilmente dizer, “não é politicamente correto”.
Assim, nossa viagem pelo tempo de nossa história vai prosseguir. Pizzas? Ninguém nem fale em pizzas! Pizza é uma coisa muito boa para a gente comer com a mussarela bem derretida, com salpicos de manjericão. E ainda bem, pois não deixa de ser um bom atenuante em meio a tantos saques, pilhagens e violências contra o povo, este sim porque não se dizer sacaneado disfarçadamente ao longo de tantos anos. Enquanto isso, muito ódio espumado, adicionado de palavras fortes e agressivas, precedidas sempre de Vossa Excelência, ainda serão oferecidos a milhões de pobres incautos. Olhos de cachorro doido ainda fuzilarão muitos pares em nossas sessões plenárias. O espetáculo ainda continuará horripilante, até que o povo entenda de verdade o que deve fazer nos anos eleitorais. Até que muita gente desse mesmo povo não se deixe enganar por um brinde, por uma camiseta, um par de botas ou coisa parecida.
Seja lá o que for preciso para que a mentalidade brasileira cresça de verdade, tudo nos leva a crer que o Espírito do Cangaceiro Lampião ainda continua vivinho entre nós.
Problemas sociais e fundiários no nordeste brasileiro deram origem a uma prática violenta naquela região, de meados do século XIX até quase a metade do século passado: O CANGAÇO.
Os cangaceiros agiam em bandos ou individualmente, atemorizando e aterrorizando populações inteiras de vilas e pequenas cidades do sertão nordestino. Saqueavam, matavam, roubavam, aplicavam a lei do “mais forte”, atemorizavam até os coronéis do interior. Viviam escondidos na caatinga e eram perseguidos pela polícia, que desde aqueles tempos já tinham dificuldade em localizar bandidos. O mais famoso cangaceiro nordestino foi Virgulino Ferreira da Silva, o LAMPIÃO, que liderava um bando violento e cuja mulher, Maria Bonita, assim chamada por ser considerada muito bonita, agia como descrito no trecho dessa antiga música, “Paraíba masculina, mulher macho sim senhor...”. Ou seja, pegava nas armas, matava se preciso fosse e agia tal qual o bando a que pertencia. Lampião atemorizou durante as décadas de 20 e 30 do século passado. Em 28 de julho de 1938 ele foi pego numa emboscada e morto com sua mulher e mais nove cangaceiros, no interior de Sergipe, conforme conta a História, que diz também que, a partir do Governo Getúlio Vargas e por decisão deste presidente, o cangaço começou a ter fim.
A História conta também que, para as autoridades, o cangaço simbolizava o mal, a brutalidade que precisava ser extinta. Todavia, conta-se também que, por uma parte da população do sertão, o cangaço e o próprio Lampião encarnou “valores” como a bravura, o heroísmo e o “senso de honra”. Os cangaceiros geralmente tinham apelidos. Entre outros, fizeram essa história violenta com controvérsias de “honra” e “heroísmo”, os cangaceiros Jesuíno Brilhante, que já agia por volta de 1870, Colchete, Jararaca e o também famoso Corisco, este último oficialmente morto em 1940.
Os dias de hoje
Mas, o que mudou de lá para cá, até os nossos dias no Brasil? Claro, muita coisa mudou. É óbvio. Porém, as cenas de violência a que assistimos atualmente, tanto nas ruas de nossas cidades, como também até no interior de espaços públicos onde deveriam proliferar grandes decisões para o País, não nos deixam alternativas para uma reflexão. E nem precisamos ter doutorados, mestrados, ou títulos de PhD, para concluirmos que, embora o Brasil tenha se desenvolvido, nem que tenha sido por osmose em relação ao mundo, a mentalidade pouco evoluiu. Resumindo, a cultura assimilada ao longo de tantos anos ainda resulta na Lei do Mais Forte, do Poder a qualquer custo, do insistir em copiar o que dizia uma velha marchinha de Carnaval: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”... – isto especialmente quando se trata da detenção do poder.
A cultura assimilada e resultante também dá mostras de que “o manda quem pode, prevalece” e que, aquilo que incomoda ao poder, não custa muito em ser eliminado, nem que seja no mínimo por uma troca de acusações.
Assim, perdemos nosso tempo em ficar espantados, horrorizados e talvez mesmo envergonhados, quando assistimos, por exemplo, um Senador da República, de dedo em riste, em plena sessão plenária, acusar outro ou ser repelido por este a baixar o “dedo sujo”. Nosso horror ou vergonha de nada vai adiantar. A guerra do poder, as denúncias, trocas de acusações, ainda durarão muitos anos, enquanto o cancro cultural não for de fato cortado pela raiz.
Não resolverá em nada também, alegarmos que nossa colonização portuguesa é uma das causas disto tudo. Que assim tivemos uma péssima herança cultural, porque se assim aconteceu, não fizemos o suficiente para melhorar e aprimorar o quadro cultural nacional. Ao contrário, antes da proclamação da nossa República já surgiram os cangaceiros e agora, mesmo com o pressuposto fim deles, chegamos aos dias atuais com comportamento semelhante, que sempre acaba em enganos, roubos, força violenta, saques até aos cofres públicos e migalhas distribuídas aos menos favorecidos.
Ora, cangaceiros espalharam um método inusitado de obter bens e simpatizantes a eles também assimilaram tal método. Viveram aquela época, tiveram filhos, netos, bisnetos. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação e transporte no Brasil também se desenvolveram, certamente não tanto quanto deviam, no entanto, o suficiente para aquele método se espalhar pelo Brasil.
Isto pode ser uma teoria. Uma teoria não muito difícil de ter sido praticada sutil e veladamente ao longo de tantos anos, na medida em que o Brasil misturou suas culturas regionais. E a forte e espantosa cultura do Cangaço certamente não ficou fora disso.
Hoje, o Poder age em grupos ou mesmo individualmente. Para quem estuda, pesquisa e acompanha a História do Brasil, talvez seja mais fácil visualizar resquícios do Cangaço em nossos dias. Se isto é idéia de maluco, de um ser mortal comum, ou de um brasileiro idiota qualquer que mal sabe eleger seus governantes, o que tem acontecido no interior do Congresso Nacional do Brasil nos últimos anos e agora mais precisamente no Senado Federal, faz parecer que a teoria do Cangaço faz sentido.
Os rabos parecem estar mais do que presos entre nossos representantes, ou melhor, colados com super bonder; as denúncias de coisas mal feitas nos deixam boquiabertos, o chamado decoro parlamentar que há muito foi para o espaço, mais parece um coro de palavrórios e até palavrões, os discursos em defesa da honra e da dignidade proliferam nas tribunas, fazendo cair por terra incríveis fatos e denúncias. A cultura da cara de pau prosperou. Certamente, os que assim procedem, devem julgar o povo como um bando de idiotas, sem raciocínio, embora na cultura do faz de conta que tudo está bem, isto não seja dito com palavras. Como se costuma imbecilmente dizer, “não é politicamente correto”.
Assim, nossa viagem pelo tempo de nossa história vai prosseguir. Pizzas? Ninguém nem fale em pizzas! Pizza é uma coisa muito boa para a gente comer com a mussarela bem derretida, com salpicos de manjericão. E ainda bem, pois não deixa de ser um bom atenuante em meio a tantos saques, pilhagens e violências contra o povo, este sim porque não se dizer sacaneado disfarçadamente ao longo de tantos anos. Enquanto isso, muito ódio espumado, adicionado de palavras fortes e agressivas, precedidas sempre de Vossa Excelência, ainda serão oferecidos a milhões de pobres incautos. Olhos de cachorro doido ainda fuzilarão muitos pares em nossas sessões plenárias. O espetáculo ainda continuará horripilante, até que o povo entenda de verdade o que deve fazer nos anos eleitorais. Até que muita gente desse mesmo povo não se deixe enganar por um brinde, por uma camiseta, um par de botas ou coisa parecida.
Seja lá o que for preciso para que a mentalidade brasileira cresça de verdade, tudo nos leva a crer que o Espírito do Cangaceiro Lampião ainda continua vivinho entre nós.
sábado, 1 de agosto de 2009
Cielo 2 - este é o Cara !
ESTE É O CARA ! CONQUISTOU DOIS OUROS PARA O BRASIL, BATEU RECORD MUNDIAL E FEZ UMA IMAGEM BONITA DO NOSSO PAÍS LÁ FORA. SEM ARTIFÍCIOS E COM MUITA GARRA E VONTADE DE VENCER ! O FEITO DELE FOI REALIZADO AO AR LIVRE, AOS OLHOS DO MUNDO, UM ATO SEM SEGREDOS. CIELO MAIS UMA VEZ MOSTROU QUE O POVO BRASILEIRO PODE. SE QUISER E TIVER GARRA, PODE ! POR ISSO, CIELO É O CARA ! ALGUÉM AVISA AO PRESIDENTE BARACK OBAMA.
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