segunda-feira, 5 de julho de 2010

Uma Copa globalizada ou Explicar o Quê?

Tantas fichas apostadas que se foram pelo ralo. De tanto amarelo, o Brasil amarelou. Voltou a seleção brasileira de futebol, quieta, calada, escondida pelos bastidores do Galeão e de Cumbica. Foi ainda aplaudida por uns e vaiada e xingada por outros. O técnico Dunga dançou, via Confederação Brasileira de Futebol – a CBF, mesmo com uma quase ligeira intenção de continuar à frente do futebol nacional para os próximos eventos internacionais. O Brasil que por muitos meses acreditou, acabou em choro. De nada adiantaram as mandingas positivas, as velas, as orações, a torcida ferrenha e passional do povo brasileiro. O desejo de alguns para a consecução de interesses. Depois da Holanda, a cerveja só serviu para o afogamento das mágoas e a tentativa de um esquecimento. Agora só resta esperar 2014, no Brasil, para o tão sonhado e desejado hexacampeonato mundial de futebol. Porém, que esse fervoroso patriotismo não tenha que esperar quatro anos para se manifestar novamente.
No meio da nuvem negra que se abateu sobre o Brasil, naquele início de tarde do dia 02 deste mês, um garotinho de Brasília, por volta dos seus 12 anos de idade, disse uma coisa correta, do alto de sua sabedoria infantil, durante uma ligeira entrevista a uma emissora de TV. Foi mais ou menos assim: “a seleção brasileira não pode ganhar sempre, um dia acontece de perder”.
Ora, isso mesmo. A cultura brasileira, secularmente passional em torno do futebol da terrinha, tem que aprender que, num dia, é chegada a hora de perder. Na verdade, aquele verso contido numa música criada por ocasião da primeira vitória do Brasil em Copa do Mundo, em 1958, disputada na Suécia, já ficou para trás no tempo e no espaço. Ela dizia logo de saída: “A Taça do Mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa...”.
E assim, parece que, com essa música, foi injetada na cultura popular, a idéia da invencibilidade do nosso futebol diante do resto do mundo. Era a primeira vez que um país sul americano levantava a taça da Copa do Mundo em solo europeu. Posteriormente, em 1970, com outra vitória do Brasil na Copa do México, que o fez tricampeão e dono definitivo da taça Jules Rimet, outra música – o “Pra Frente Brasil”, criada no auge da ditadura militar, servia como alento no emocional do povo brasileiro. Com isso, o tempo foi passando e parece que não prestamos muita atenção às várias transformações por que passou o mundo (quantas vezes ele girou em torno de si mesmo e do sol), bem como parece que não observamos bem as imensas mudanças sofridas também pelo próprio futebol brasileiro e o internacional. Em resumo, a famosa globalização chegou, em decorrência dos avanços tecnológicos da comunicação mundial e nem vamos aqui mencionar os efeitos velozes da utilização da internet nos últimos anos. Do mesmo modo que nós, brasileiros, absorvemos inúmeros hábitos, comportamentos, modismos, bons ou ruins, oriundos de outros países, esses obviamente também absorveram coisas até então mais comuns de se ver e observar na comunidade latina americana.
E com o futebol não foi diferente. Do instante em que vencemos a Copa do Mundo pela primeira vez, com o futebol “raça” e muito mais patriótico do que os mais recentes, nossa fama de “País do Futebol” circulou pelo planeta. E, a partir de então, quem apenas acompanhou o desenrolar dos fatos ligados a esse esporte, pode deduzir o que veio acontecendo de lá para cá. As pessoas que mais entendem desse esporte têm que admitir que nossos melhores jogadores, que foram surgindo, logo passaram aos times internacionais, da Europa e de outras partes do mundo, por conta de contratos milionários. E assim, também nossos grandes técnicos desse esporte, também não resistiram aos convites do exterior. Não podemos esquecer quantos de nossos times nacionais faliram ou quase, nesse meio tempo, bem como dificuldades financeiras por que passaram. Não fica, pois, muito difícil compreender a evasão de profissionais do esporte para fora do Brasil. Até os Estados Unidos e o Japão, países sem tradição de futebol, passaram a figurar nos jogos da Copa do Mundo. Nada de se estranhar. E o troca troca, e as transformações mundiais que já falamos e por que passamos? Talvez, por tudo isso, atualmente, com brasileiro já há quem possa.
Mas, alguém poderia perguntar, a culpa por perdermos esta Copa na África do Sul seria por conta disso? Não exatamente. Não somente por conta disso, desse troca troca inevitável via globalização. A perda da conquista de um hexacampeonato nesta Copa não seria apenas por conta disso. Obviamente, há muito mais coisa envolvida nos bastidores desse esporte, até porque os jogadores convocados por Dunga são tidos e reconhecidos entre os melhores do futebol mundial.
Todavia, no futebol mundial há também inúmeras figuras ilustres e famosas por suas técnicas e desempenho em campo. Mais uma vez, efeitos da globalização. Globalização essa que envolveu, envolve e envolverá por muito tempo, vaidades, políticas inimagináveis ao torcedor comum. Muitos euros e dólares rolaram junto com as bolas em campo. A possibilidade de que o antigo futebol “arte” do Brasil tenha dado lugar ao bom futebol do “quem paga mais” ou do “quem dá mais”, não fica assim tão impossível. A raça de se jogar e a luta que se via pela camisa do Brasil, nas primeiras vitórias que tivemos em Copas do Mundo, parecem ter caído por terra. Patriotismo (risos)? Bem, a gente gosta do Brasil, mas viver feito rei em Madri, Barcelona, Milão ou noutro lugar do mundo, perdão, Brasil, mas deve ser bem melhor. Principalmente para quem teve um início de vida duro, em comunidades carentes por esse Brasil afora. Do mesmo modo, deve ser complicado formar uma verdadeira equipe de futebol, unida e disposta a lutar, no caso pelo Brasil, com tantas coisas, que nem conseguimos imaginar, passando pelas cabeças desses ídolos, que, na verdade, já são ídolos de espanhóis, italianos, árabes e de outras variadas nacionalidades.
Com tudo isso, pode nos restar um pequeno, mas talvez grande consolo. Que no atual futebol de outros países, devem acontecer coisas semelhantes. Ah, se pudéssemos mergulhar de cabeça nos bastidores da FIFA – Federação Internacional de Futebol. Afinal, além do fator globalização, lidamos com seres humanos, que, na essência, tem reações semelhantes sejam aqui, ali ou acolá, resguardadas apenas algumas diferenças culturais.

Mentes Sanas ou Insanas?

Alguns valores morais e éticos deste mundo, também parecem ter passado por grandes modificações. Compreensível? Alguns dirão, talvez.
Tempos atrás, norteando as atividades esportivas, havia uma frase em latim que dizia, "Mens sana in corpore sano". Ou seja, mais do que uma mente sadia em corpo sadio, a expressão latina queria traduzir muito mais coisas que podem resultar num comportamento humano digno e respeitoso.
Infelizmente, nesta Copa do Mundo, na África do Sul, muita gente pode ver in loco ou pela televisão, comportamentos estranhos de jogadores de futebol em campo, ou mesmo de pessoas ligadas ao esporte, que mais estavam para mentes insanas do que para a antiga expressão do latim. Quem prestou muita atenção ao desenrolar dos jogos, pode confirmar isto.

sábado, 29 de maio de 2010

A democracia virtual dos internautas

Ler na internet, comentários das pessoas sobre os vários temas que rolam na rede, pode ser algo muito divertido e permite a observação do sempre saudável exercício de democracia. A opinião dos internautas nos fornece uma amostragem do que vai pelas cabeças, do que se pensa nesta época contemporânea. Praticamente ainda estamos no início do uso desse moderno meio de comunicação, especialmente no Brasil, onde o acesso ainda é restrito às pessoas que têm melhores condições financeiras para a utilização da rede mundial de computadores. E também pelas evidentes falhas das tecnologias já usadas para a navegação. Ou seja, ainda há por aí muitas zonas de “sombras” e tais sombras não se limitam somente as falhas tecnológicas.
No entanto, vamos deixar essas sombras de lado e vamos rir, concordar ou discordar dos comentários dos internautas na internet.
Pelos comentários a gente também pode constatar a grande transformação dos costumes e comportamentos por que passou a sociedade desde o advento da rede. Para os mais velhos, esta visão é evidente e imediata. E não se trata aqui de dizer que antes era melhor e que agora ficou pior. A verdade é que tudo mudou e mudou rapidamente. Há coisas que melhoraram e há coisas que pioraram, sem querer aqui pré-julgar ou julgar qualquer coisa. Afinal, quem está vivo, tenha a idade que tiver, está vivendo agora e tem que encarar tudo de frente. Se é bom ou se é ruim, isso é outra história.
O fato é que a internet é a grande enciclopédia moderna e dinâmica. Por intermédio dela, a gente pode saber, pesquisar, todo e qualquer assunto que se pode imaginar. Por ela, ficamos imediatamente a saber sobre qualquer fato, qualquer coisa que se diga, aqui por perto ou lá do outro lado do mundo. E, como todo mundo sabe, de modo veloz. Antes, quem caia na rede era peixe, agora cair na rede pode ser bom, mas pode ser também um “abacaxi”.
A internet pode ser usada para o bem e para o mal, aliás, como qualquer outra coisa neste mundo. E nos comentários feitos pelos internautas, podemos ver isso claramente. Pega-se qualquer assunto e logo vemos uma nova tendência que surge. A tendência do “botar a boca no trombone” virtualmente. Opiniões verbais, alto e bom som, são raramente audíveis em rodas de pessoas ou mesmo em círculo de amigos. Todavia, se surge assunto polêmico na rede, aí o povo coloca para fora todas as opiniões possíveis e muitas vezes inimagináveis. O que vai acontecer daqui a alguns anos, em futuro talvez breve, é impossível mesmo de se prever ou de se controlar.
Ao mesmo tempo em que isso ocorre pela rede, essa enxurrada de opiniões diversas sobre isso ou aquilo, podemos observar também algumas pequenas mudanças ou transformações por que vai passando a sociedade, de modo lento, gradual e quase sempre sutil. Uma delas é a própria transformação da linguagem. No caso do Brasil é a grande modificação da língua portuguesa, apesar dos esforços dos intelectuais e literatos, que, recentemente, introduziram uma nova mudança no idioma, suprimindo acentos, tremas, introduzindo novos modos de escrita dos verbetes, etc. Na rede e vamos aqui nos prender apenas aos sites de língua portuguesa, vemos um grande número erros de grafia de palavras do idioma pátrio. Agora, quando vamos ler os comentários de internautas, a incrível transformação do português está gritante. Há momentos em que não há outro jeito, a não ser rir bastante, pois o conteúdo já hilariante de certos comentários, associado aos erros de grafia, certamente nos conduzem a gargalhadas incontroláveis. Há pessoas que já começam a se perguntar o porquê tiveram que aprender a forma correta de falar e escrever a língua portuguesa.
Pesquisar este aspecto na internet pode nos dar a idéia do grau atual de conhecimento de muitos dos nossos irmãos de pátria. Leva-nos possivelmente a repensar ou pensar pelo menos em como anda o ensino no Brasil. Aumentou-se o número de escolas e de alunos? Mas, e a qualidade do ensino? Outra coisa também a se levar em conta é que pela internet vai surgindo devagar ou rapidamente (depende do ângulo que se olha), uma linguagem cifrada, abreviada, tipo o “não” é “naum”, “abraços” é “abs”, “cara” é “kra”, e por aí vai.
O fato é uma constatação. A constatação de uma transformação do mundo, da sociedade, etc. E não apenas porque as pessoas estão escrevendo ou falando de outro modo, ou porque não sabem se expressar de outro modo. Mas trata-se de uma constatação de que ocorre velozmente uma grande mudança no jeito de ser de uma época. E aí dirão alguns que estamos em pleno século 21. Claro, óbvio, todos estamos. E deixando de lado a questão da linguagem modificada, aviltada, transformada, ou de um semi-analfabetismo generalizado, vamos pensar somente nas mudanças dos valores. Nos comentários dos internautas há de tudo. Preconceitos acirrados sobre determinados assuntos, aberturas extremas para outros, falta de respeito, falta de educação, comentários sérios, respeitosos, enfim, acontece de tudo. E de tudo que acontece, a gente consegue ver uma coisa, principalmente quando os comentários se referem à atitude de alguém e quando esse alguém é pessoa notória ou pública.
Nesse caso, a opinião dos internautas acaba demonstrando que, apesar de tudo se transformar de época para época e que o foi ontem não é mais hoje, ainda persiste a mania do ser humano de gostar de saber da vida alheia e dar palpites nela, esquecendo-se da sua própria. Resumindo, enquanto se fofoca a vida dos outros, a nossa vai passando e muita coisa fica sem solução. E os países, obviamente formados por pessoas, acabam seguindo o mesmo caminho. E metem o bedelho nas questões alheias, esquecendo-se dos seus problemas internos, por mais simples que sejam nas velhas áreas da educação, do transporte, do trabalho e da saúde.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

MALHANDO OS "JUDAS"

Dia 02 de abril de 2010. Sexta feira santa ou da Paixão de Cristo. O dia hoje amanheceu cinzento em Brasília, com cara de “sexta feira santa” mesmo. Assim se costuma dizer quando um dia está calmo demais, com nuvens de chuva encobrindo o azul do céu, bem carregadas. Mas hoje, é mesmo o dia considerado santo, feriado, tudo fechado, os fiéis religiosos revivendo a via Sacra de Cristo, rezando, pedindo proteção, pagando promessas e crendo que, com muita fé, Deus e seu Filho irão olhar por nós, pobres pecadores nesta Terra. Um dia, sobretudo, de muita meditação e para quem quiser acreditar em extraordinários milagres divinos.
Esta sexta ficou mais calma ainda, para quem ficou, não foi a lugar nenhum, nem viajou, nem foi ao cinema ou almoçar numa praça de alimentação de shopping. Quem viajou, movimentou-se, aproveitou deste modo o feriado. Quem ficou em casa, aproveitou de outra forma, colocando em dia alguma coisa doméstica, batendo papo com a família e amigos ou até mesmo dormindo, quando não optou por ouvir música ou ver televisão.
Acontece que amanhã, sábado – o sábado de Aleluia, é como se as pessoas, especialmente aqueles religiosos citados, acordassem para a ressurreição da própria vida. Claro que tem muita gente que nem se toca com isso. Afinal, nesses tempos modernos, em que tanta coisa, tantos valores anteriores caíram por terra, um feriado, por esta ou aquela data, é apenas mais um feriadão e oportunidade para um bom descanso e diversão. E aqui, nada contra aos que procedem assim. Não significa que pessoas que se divertem, não tenham também suas crenças particulares ou mesmo as populares.
Ocorre que este texto não quer questionar nada disso. Obviamente, surgiu por algo, por algum fato. E, na calmaria desta santa sexta feira, surgiram lembranças de tradições cultuadas especialmente no sábado de Aleluia. A “Malhação do Judas”, o traidor de Cristo. Espanhóis e portugueses trouxeram para a América do Sul essa tradição. Daí, nas cidades brasileiras criou-se o costume da confecção de bonecos de pano, no tamanho de um homem, que representavam o Judas traidor. Só que, logo em seguida, o povo aproveitou para colocar nesses bonecos os nomes de pessoas que não estavam muito no agrado popular. Políticos, governantes, comerciantes ou até algum vizinho da região, do bairro, que tivesse causado algum transtorno geral nos meses anteriores.
A malhação do Judas sempre foi uma coisa divertida nas manhãs do sábado de Aleluia. Os bonecos amanheciam pendurados nos postes das ruas e por volta das 10 da manhã, as pessoas caiam literalmente de pau neles, numa espécie de libertação de seus recalques ou aborrecimentos contra aquela figura certamente não muito popular. E com isso, muitas vezes, a própria figura do Judas Iscariotes acabava no esquecimento.
Todavia, o tempo passou e com isso, principalmente nas grandes cidades, o ato de malhar o Judas foi se dissolvendo. Provavelmente, a maioria das crianças nascidas agora, nunca irão se divertir com essa manifestação que agradava a muitos e com certeza desagradava aos “malhados”. Aliás, malhado hoje tem outro sentido. São os que malham nas academias de ginástica e por fim acabam sarados.
Pensando bem, muita coisa aconteceu para o quase fim e esquecimento dessa tradição popular, que hoje não vemos ou ouvimos falar muito como antes. As cidades cresceram quase que incontrolavelmente. E mesmo assim, com os inúmeros postes de rua decorrentes do seu crescimento, com certeza faltariam esses para se dependurar a quantidade incontável de “Judas” atuais, os traíras dos tempos modernos, que proliferaram aos milhares, como se uma epidemia de mau caráter tivesse se espalhado geral.
Então, com a ausência dos bonecos de pano pelos postes, os jovens de hoje ficaram privados deste prazer particular, de pelo menos uma vez ao ano, terem a satisfação de assistir ou mesmo participar do festival de cacetadas nas figuras de certos traidores do meio social.
Contudo, apesar do quase final da era dos Judas pendurados em postes, ainda resta um ponta de esperança para que essa “malhação” não seja cada vez mais uma coisa de academias do culto ao corpo. Isto vai depender, mais uma vez, do processo educativo das populações, que seja realizado em alto nível, com a colocação de muita “luz” na cabeça das pessoas. Somente assim, malhar os diversos Judas será possível com um ato de inteligência e não troglodita como era feito até então. Vamos então aguardar a chegada de alguém que não tema a disseminação verdadeira da educação e da cultura no seio da massa populacional. A transferência de conhecimentos é igual à transfusão de sangue. Quanto mais se doa sangue, mais o sangue aumenta no corpo do cidadão. Com a educação não é diferente, mas ainda assusta a alguns, especialmente candidatos a Judas por aí afora, traidores que a seu modo irão dar em nós, a rasteira certa no momento oportuno.
Enquanto isto não acontece de verdade, vamos aguardar, pois, domingo será mais uma comemoração da Páscoa. E esta simboliza a renovação da própria vida. Quem sabe este domingo, dia 04 de abril, não marque o início de uma verdadeira renovação. Milagres podem acontecer. Nunca é demais manter a esperança, já que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Este ano é um ano importante para nós, brasileiros. Devemos renovar muita coisa por aí. Por isso, Feliz Páscoa e felizes escolhas daqui por diante, com “malhações” inteligentes, “doa a quem doer”. E essa foi um plágio evidente.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Contrastes de uma cueca

Sempre ouvimos dizer que o Brasil é um país dos grandes contrastes. E isso é uma verdade. No campo da raça humana, temos brancos, negros, amarelos, além da fusão disso tudo. Podemos dizer que em tudo existe uma imensa diversidade. Basta observarmos o clima das variadas regiões, as terras, a fauna e a flora.
O contraste é tão intenso que até o modo de se utilizar uma cueca, demonstra este rico país de situações diversas e diferentes. Assim, no campo dessa roupa íntima do vestuário masculino, podemos ver atualmente duas principais formas de seu uso. Ou seja, há muita gente que, para a sobrevivência ou para manter a vida num status mais elevado, deve tanto dinheiro aos credores, que podemos afirmar, são pessoas que devem as próprias cuecas. E parece que essas dívidas são muito antigas, já que a expressão também é muito velha. As inadimplências em geral e os Bancos estão aí mesmo para confirmar essas histórias. E ficar devendo até as cuecas não deve ser muito ruim. Pelo menos, ao ficar sem elas o cidadão tem certas partes do corpo menos apertadas e também mais arejadas.
Por outro lado, parece ter virado moda também no Brasil esse negócio de guardar dinheiro nas cuecas. Alguns políticos e empresários que assim foram flagrados, podem falar melhor sobre isso. Ou melhor, poderiam até mesmo dar umas aulas sobre o tema, para os demais, aqueles que acabam devendo peças tão importantes, que escondem outras peças tão importantes para o homem. É ou não é um país dos contrastes. Haja contrastes, ou melhor, dizendo, haja cuecas. Certamente uma indústria que jamais vai falir por aqui.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Educação Mumificada

TEXTO DEDICADO A TODOS OS BONS EDUCADORES QUE EXISTEM NO BRASIL

Poucos sabem e talvez muitos não saibam. A legislação brasileira ainda permite que candidatos a cargos eletivos participem incólumes de suas campanhas, mesmo que estejam rodeados de processos na Justiça. Dias atrás, uma emissora de rádio de Brasília lembrava mais uma vez o assunto. E, pior, mesmo que o candidato esteja mergulhado em inquéritos relativos a crimes mais graves, inclusive os de assassinato.
Há um projeto de lei rolando na Câmara Federal, para regular esta situação incrível, que vem sendo chamado de “projeto da ficha limpa”. Tudo indica que o mesmo ainda rolará por muito tempo, empurrado com a barriga de quem não tem o menor interesse em construir este País de forma sadia, mas que infelizmente está aí belo e faceiro ocupando cargos de poder. Cargos que, determinados por ancestrais da inusitada política nacional, oferecem muitos privilégios, dentre os quais se destaca a “grande proteção” da imunidade parlamentar.
Este ano, neste blog, foi postado apenas um texto no dia 1º de janeiro. “Essa vida de todos os dias” não deixou de ser observada por este espaço criado na internet. E a conclusão a que se chegou foi a de que nada mudou de verdade no que se refere em geral ao nosso comportamento do dia a dia por este Brasil afora. As mesmices de anos e anos se repetiram nesses 60 dias. Mesmices desagradáveis, que só fazem piorar a qualidade da vida humana, que passa tão depressa. E muitas dessas mesmices ligadas, sem dúvidas, a nossa falta de educação e à ausência de uma cultura de mais respeito ao cidadão brasileiro.
Assim, vimos repetidas de janeiro até agora as mesmas violências urbanas, que resultam em mortes estúpidas, os mesmos problemas da saúde, do transporte e outros do cotidiano. E assistimos todos os dias aos “shows” da cara de pau e das mentiras absurdas, que pretendem nos tornar idiotas, promovidos por muitos (isto para não radicalizar) de nossos políticos e governantes, eleitos pela maioria de nós. Nós, os sempre cidadãos “ordeiros” e “cordiais”, como costumam nos apelidar. Sim, porque isto já está mais para um apelido, uma tarja, um rótulo de um produto fabricado, do que para um elogio a um povo. Aí, só lembrando o José Simão, do Monkey News, com suas notáveis gozações sobre a cena brasileira. Talvez por isso sejamos levados a rir de todas essas desgraças, para não levá-las tão a sério e depois cairmos duros, mortos pelo infarto. De raiva.
Voltemos agora ao parágrafo inicial desta postagem, que é o seu tema básico de hoje. É lido, corrido e sabido, não sabemos se por poucos ou por muitos e neste último caso a coisa fica mais séria, que a lei no Brasil sempre oferece brechas para muitos safados se safarem de suas sujeiras praticadas e, lógico, quando pegos em flagras obtidos com os modernos meios tecnológicos de som e imagem. Embora as coisas estejam mudando sensivelmente, ou seja, algumas podridões já são detectadas e seus produtores já são indiciados e, em alguns casos, até presos (presos ???!!!), muita coisa ainda precisamos fazer por nós, a parcela do povo que trabalha, produz e paga os impostos exigidos pela mesma legislação que permite a esperteza de poderosos.
É engraçado perceber que tais pessoas, que infectam o solo brasileiro e atiram lama em nosso maior símbolo nacional, da Ordem e do Progresso, conseguem enrolar, adiar, empurrar adiante as suspeições de práticas de crimes contra o patrimônio público. Conseguem fazer isso, obviamente, com extrema dose de cara lisa, de “indignações” prontas, utilizando-se de “bons” e “famosos” advogados para eles, pagos regiamente (eles têm dinheiro para isso), embora para o restante da população tais defensores só fazem prestar um desserviço público.
Além dos terremotos que têm ocorrido pelo mundo todo neste início de ano e as chuvas torrenciais que têm feito a desgraça de muita gente brasileira neste verão, um fato está sacudindo o Brasil no momento atual. A prisão, ou melhor, a detenção, melhor dizendo, do governador do Distrito Federal, em fevereiro passado.
Mais uma entre milhares de coisas estranhas que acontecem no meio político do País. Se o senhor José Roberto Arruda recebeu ou não o dinheiro, em ato flagrado por um vídeo mostrado centenas de vezes pela televisão, isto só ele e Deus é que sabem. Com certeza jamais saberemos de fonte limpa. E com certeza ele jamais ficará preso por muitos anos. Tem sido assim sempre. Aos poderosos que lesam o patrimônio nacional, seja do modo que for, nunca se consegue acusar frontalmente e diretamente. São e por muito tempo serão tratados apenas como “suspeitos” dos fatos que emergem do lamaçal.
E, no meio dessa confusão e do circo armado, ficamos nós, os pagantes dos ingressos. Sim, porque nós pagamos e eles atuam. Alguns pagantes o fazem com revolta, mas muita gente parece pagar com satisfação, enaltecendo esses espetáculos. E a peça, que deveria mais ser censurada, não o é, especialmente quando uma parcela dos pagantes se diverte e até aplaude seus verdadeiros ídolos, que, geralmente retornam em uma próxima temporada.
A quantos espetáculos chatos como esses ainda teremos que assistir? Verdadeiros shows da vergonha, que se eternizam mais do que algumas maravilhosas peças de teatro que ficaram em cartaz por 30 ou 40 anos na Broadway em New York.
Resumindo a ópera nacional: temos muito a aprender para fortalecer a cultura brasileira com valores melhores de respeito ao cidadão, ao ser humano. Por enquanto a nossa educação ainda continua em baixa, talvez com alguns progressos a passos lentos devido ao esforço de pessoas entusiastas com o assunto. Faz tanto tempo essa situação que em pouco tempo a nossa educação vai ficar tão famosa quanto à múmia do faraó egípcio Tutankhamon. Mumificada e conhecida mundialmente.