quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cuspindo no prato que se come

As transformações pelo mundo afora estão evidentes. E rápidas. De todos os tipos, culturais, sociais, tecnológicas, científicas e, porque não, as da natureza, que obedecem, sobretudo, às leis universais tão distantes dos Homens com suas inúmeras leis terrenas. Sempre ouvimos dizer que cada coisa tem a sua época e isto é uma verdade, “doa a quem doer”, como disse certa vez uma autoridade deste País. Ou seja, nascemos numa época e, logo em seguida, tudo começa a ficar diferente daquilo que nos acostumamos a ouvir e ver quando chegamos por aqui. São as transformações permanentes, que temos de encarar mesmo que não as aceitemos, quando algumas delas modificam os melhores valores que até então consideramos para a vida. Todo ser que viver muito vai passar por essa experiência.
Como dizem os espanhóis, “Es lo que hay”, quando isto acontece. Temos assim que conviver com essa transformação cultural, senão ficamos para trás ou vem o sofrimento, que pode amedrontar as pessoas ou fazer com que comecemos a achar a vida uma bosta ou coisa parecida.
E a vida seguramente não é uma bosta. É boa demais, embora dê um tanto de trabalho e planejamento para ser bem vivida. E talvez este pudesse ser o melhor dos trabalhos que poderíamos executar sobre a face da Terra enquanto vivos.
Uma coisa é certa. O Homem só não conseguiu dominar a natureza e tudo indica que nunca irá conseguir. É verdade que a inteligência humana deu rápidos saltos para o progresso da vida humana. Um exemplo? Basta observar a velocidade da comunicação humana, que, mesmo muito rápida hoje se comparada apenas com a do início do século 20 ou do 19, pode ser usada para o bem ou para o mal. Depende então do livre arbítrio de cada um para usá-la. Mas, voltando a falar do domínio do Homem sobre a natureza, é óbvio que isto está fora de cogitação por parte do Universo que nos envolve. Quer dizer, isto não impede que muita gente acredite que será possível isto acontecer.
Das milhões de mudanças gerais, transformações que aconteceram recentemente pelo mundo e das que ainda continuam a acontecer, vamos olhar ligeiramente para o nosso País, no sentido das mudanças climáticas e fenômenos naturais que antes não ocorriam ou, se ocorriam, ninguém ficava sabendo.
Agora, por exemplo, estamos em pleno inverno, que, antes, era uma estação de chuvas permanentes e fracas, aqui e acolá por todo o país. De um frio maior especialmente em regiões altas ou nos Estados do sul. Não cabe aqui analisar se as mudanças foram gradativas ou abruptas. O fato é que hoje, nesse período de inverno, ouvimos todos os dias falar de tempestades violentas que destroem cidades e zonas rurais, tornados, até tornados que antes nunca sabíamos da ocorrência em solo brasileiro. Até então, voltando uns anos no tempo, dizia-se que o Brasil era um país abençoado até pela natureza, um país de clima tropical onde as chuvas mais fortes aconteciam lá pela floresta amazônica. Isoladamente, algumas chuvas pelo Rio de Janeiro ou noutras regiões, faziam encostas de morros deslizarem, causando mortes e destruição. Mas, certamente isso não era pelo clima, porém pelo desmatamento que o ser humano veio causando de norte a sul em nosso território.
Enfim, o Brasil era um “país abençoado por Deus”, o país tropical que na segunda metade do século 20 foi cantado por Wilson Simonal, que, os que ainda vivem, devem se lembrar. Se não lembram é porque tudo acontece rapidamente hoje e são montanhas de acontecimentos que invadem nossas casas diariamente.
Pois bem, esse País certamente não é mais o mesmo em termos de natureza. Até tremores de terra já ocorrem no nordeste, já são sentidos no centro de São Paulo e noutros lugares. Isto porque sempre ouvimos dizer que aqui nunca aconteceriam terremotos. Bem, vamos torcer que eles não venham mesmo.
Estas transformações de cunho natural não são privilégio do Brasil. Estão ocorrendo velozmente pelo mundo afora. E disto nossos senhores políticos não podem ser culpados até certo ponto. Até certo ponto sim e não se fala aqui dos atuais políticos somente, mas de todos, os passados e os presentes, que, nunca cultivaram umas rugas em suas prezadas faces, na produção e execução de medidas preventivas que elevassem a qualidade de vida de todos nós. Será que os do futuro estarão dispostos a cultivar rugas por causas semelhantes? Ou seja, trabalhar de verdade em troca das razões que os conduziram até seus postos?
Voltando às transformações da natureza, a coisa veio caminhando até agora, até noutro dia, quando começamos a perceber que o planeta está se sacudindo, talvez para tirar de cima de si uma cambada de parasitas, seres aparentemente sem cérebro, que nunca pararam para pensar que, num segundo, apenas num segundo, tudo pode acontecer de pior, tudo pode acabar. E que quem manda é a natureza, é o Universo, com seu único e pleno poder infinito. E quando assim concluímos, ficamos com a certeza de que este Homem, também criado pela Natureza, é um ser integrante dela, que pode ser bom na essência, mas que, na sua ambição de poder, de domínio, a suga sem dó nem piedade.
E, como não poderia deixar de ser, o resultado aí está. A poluição geral ambiental em ampla escala, espalhada pelo planeta. Em prol de um progresso intenso, sem medida, que já pode até ser questionado, brotam vazamentos de petróleo pelos mares, oceanos. Há muito já existem meios menos agressivos de se alcançar o progresso da humanidade. Os desmatamentos continuam pelas florestas e, quando se fala nisso, sempre se fala da nossa Amazônia tão cobiçada por muitos olhos estrangeiros pelo que conserva abaixo do seu solo. Isto sem mencionarmos o restante da merda que se faz e se espalha pelo mundo. A internet está aí e basta pesquisar nela própria, para se saber desses muitos horrores, em sites de confiança. Isto porque não dá para se confiar em emails que espalham anexos de terror pelo mundo.
Então, essa é a nossa vida hoje no planeta. A vida de todos os dias. Atual. Aquela que temos de encarar. Tenhamos nós um ano de vida, dez, vinte, cinqüenta, setenta ou cem. É fato que a vida humana está se prolongando. A ciência avançou para isso e talvez para que tenhamos de vivenciar por mais tempo todo esse processo negativo da vida. Sabemos também que há pessoas que não se ligam nisso e somente curtem o lado prazeroso do viver a vida. Bem, isto enquanto a vida humana ainda estiver suportável na face do planeta. Profeta do apocalipse? Não, isto quem viver mais para frente terá, não diria, o prazer de ver os acontecimentos que virão, se não houver um freio nisso tudo. Quem manda é a Natureza, nunca será demais pensar nisso, nem que seja por um minuto. O homem com sua inteligência, consegue ainda controlá-la em parte ou ainda calcular os prejuízos que ela nos causa em sua resposta mais do que justa. Afinal há a lei da física que diz: “a toda ação corresponde outra de mesma intensidade e em sentido contrário”. Por isso, todo cuidado é pouco com essas cusparadas que estamos dando no prato que comemos há séculos.

A montanha vai crescendo...

Noutro dia foi publicada uma notícia sobre recolhimento de lixo deixado por alpinistas lá no alto do monte Everest, na cordilheira do Himalaia. Esse lixo foi depositado a quase nove mil metros de altitude. Até então, sabíamos de gente que joga lata vazia de cerveja pela janela do carro, em plena rodovia ou em áreas urbanas, que joga papel no chão das ruas ou qualquer outra coisa, ou que tem a coragem e a clara falta de educação de poluir matas ou florestas com a sua “lixarada”.
Onde isto não acontece pelo planeta afora é porque ou existe um fiscal, um guarda até armado para proibir os abusos, ou porque o nível de educação da comunidade é mais elevado. Desde criancinha que as pessoas começaram a entender o que é cidadania.
Mas não vamos falar aqui do Brasil. Não agora, neste texto. Vamos para o alto do Everest. Lá sobem alpinistas do mundo inteiro, no seu intuito de atingir uma incrível meta. De colocar a bandeira do seu país lá no alto e seu nome nos anais desse esporte mundial.
E subindo, chegam lá certamente exaustos, pois não é moleza não alcançar quase nove quilômetros de altitude. È uma glória. Certamente é. Mas, coitado, cansados, eles começam a largar latas vazias de refrigerantes e de outras bebidas pelo chão da montanha. Largam restos de cordas e toda uma sorte de coisas das quais não vão precisar mais. A gente pode imaginar que, descer carregando um saco de lixo montanha abaixo, além das coisas que precisam, deve ser um sacrifício certamente. Mas, então, o que fazer? Ainda bem que não são milhões de alpinistas que se atrevem a escalar o Everest! Desse jeito, dos quase nove quilômetros de altitude, a montanha poderia crescer. E seria assim mais um “fenômeno” provocado pelo homem.
Na escalada ao Everest, segundo a notícia, o lixo vai sendo largado por todo o percurso que vai, claro, até o topo do monte. A sorte é que o gelo derreteu por conta do falado aquecimento do clima e voluntários do Tibet começaram a catar o lixo encontrado. Como lá é muito longe e muito alto, fica difícil contar a história em seus detalhes.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Uma Copa globalizada ou Explicar o Quê?

Tantas fichas apostadas que se foram pelo ralo. De tanto amarelo, o Brasil amarelou. Voltou a seleção brasileira de futebol, quieta, calada, escondida pelos bastidores do Galeão e de Cumbica. Foi ainda aplaudida por uns e vaiada e xingada por outros. O técnico Dunga dançou, via Confederação Brasileira de Futebol – a CBF, mesmo com uma quase ligeira intenção de continuar à frente do futebol nacional para os próximos eventos internacionais. O Brasil que por muitos meses acreditou, acabou em choro. De nada adiantaram as mandingas positivas, as velas, as orações, a torcida ferrenha e passional do povo brasileiro. O desejo de alguns para a consecução de interesses. Depois da Holanda, a cerveja só serviu para o afogamento das mágoas e a tentativa de um esquecimento. Agora só resta esperar 2014, no Brasil, para o tão sonhado e desejado hexacampeonato mundial de futebol. Porém, que esse fervoroso patriotismo não tenha que esperar quatro anos para se manifestar novamente.
No meio da nuvem negra que se abateu sobre o Brasil, naquele início de tarde do dia 02 deste mês, um garotinho de Brasília, por volta dos seus 12 anos de idade, disse uma coisa correta, do alto de sua sabedoria infantil, durante uma ligeira entrevista a uma emissora de TV. Foi mais ou menos assim: “a seleção brasileira não pode ganhar sempre, um dia acontece de perder”.
Ora, isso mesmo. A cultura brasileira, secularmente passional em torno do futebol da terrinha, tem que aprender que, num dia, é chegada a hora de perder. Na verdade, aquele verso contido numa música criada por ocasião da primeira vitória do Brasil em Copa do Mundo, em 1958, disputada na Suécia, já ficou para trás no tempo e no espaço. Ela dizia logo de saída: “A Taça do Mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa...”.
E assim, parece que, com essa música, foi injetada na cultura popular, a idéia da invencibilidade do nosso futebol diante do resto do mundo. Era a primeira vez que um país sul americano levantava a taça da Copa do Mundo em solo europeu. Posteriormente, em 1970, com outra vitória do Brasil na Copa do México, que o fez tricampeão e dono definitivo da taça Jules Rimet, outra música – o “Pra Frente Brasil”, criada no auge da ditadura militar, servia como alento no emocional do povo brasileiro. Com isso, o tempo foi passando e parece que não prestamos muita atenção às várias transformações por que passou o mundo (quantas vezes ele girou em torno de si mesmo e do sol), bem como parece que não observamos bem as imensas mudanças sofridas também pelo próprio futebol brasileiro e o internacional. Em resumo, a famosa globalização chegou, em decorrência dos avanços tecnológicos da comunicação mundial e nem vamos aqui mencionar os efeitos velozes da utilização da internet nos últimos anos. Do mesmo modo que nós, brasileiros, absorvemos inúmeros hábitos, comportamentos, modismos, bons ou ruins, oriundos de outros países, esses obviamente também absorveram coisas até então mais comuns de se ver e observar na comunidade latina americana.
E com o futebol não foi diferente. Do instante em que vencemos a Copa do Mundo pela primeira vez, com o futebol “raça” e muito mais patriótico do que os mais recentes, nossa fama de “País do Futebol” circulou pelo planeta. E, a partir de então, quem apenas acompanhou o desenrolar dos fatos ligados a esse esporte, pode deduzir o que veio acontecendo de lá para cá. As pessoas que mais entendem desse esporte têm que admitir que nossos melhores jogadores, que foram surgindo, logo passaram aos times internacionais, da Europa e de outras partes do mundo, por conta de contratos milionários. E assim, também nossos grandes técnicos desse esporte, também não resistiram aos convites do exterior. Não podemos esquecer quantos de nossos times nacionais faliram ou quase, nesse meio tempo, bem como dificuldades financeiras por que passaram. Não fica, pois, muito difícil compreender a evasão de profissionais do esporte para fora do Brasil. Até os Estados Unidos e o Japão, países sem tradição de futebol, passaram a figurar nos jogos da Copa do Mundo. Nada de se estranhar. E o troca troca, e as transformações mundiais que já falamos e por que passamos? Talvez, por tudo isso, atualmente, com brasileiro já há quem possa.
Mas, alguém poderia perguntar, a culpa por perdermos esta Copa na África do Sul seria por conta disso? Não exatamente. Não somente por conta disso, desse troca troca inevitável via globalização. A perda da conquista de um hexacampeonato nesta Copa não seria apenas por conta disso. Obviamente, há muito mais coisa envolvida nos bastidores desse esporte, até porque os jogadores convocados por Dunga são tidos e reconhecidos entre os melhores do futebol mundial.
Todavia, no futebol mundial há também inúmeras figuras ilustres e famosas por suas técnicas e desempenho em campo. Mais uma vez, efeitos da globalização. Globalização essa que envolveu, envolve e envolverá por muito tempo, vaidades, políticas inimagináveis ao torcedor comum. Muitos euros e dólares rolaram junto com as bolas em campo. A possibilidade de que o antigo futebol “arte” do Brasil tenha dado lugar ao bom futebol do “quem paga mais” ou do “quem dá mais”, não fica assim tão impossível. A raça de se jogar e a luta que se via pela camisa do Brasil, nas primeiras vitórias que tivemos em Copas do Mundo, parecem ter caído por terra. Patriotismo (risos)? Bem, a gente gosta do Brasil, mas viver feito rei em Madri, Barcelona, Milão ou noutro lugar do mundo, perdão, Brasil, mas deve ser bem melhor. Principalmente para quem teve um início de vida duro, em comunidades carentes por esse Brasil afora. Do mesmo modo, deve ser complicado formar uma verdadeira equipe de futebol, unida e disposta a lutar, no caso pelo Brasil, com tantas coisas, que nem conseguimos imaginar, passando pelas cabeças desses ídolos, que, na verdade, já são ídolos de espanhóis, italianos, árabes e de outras variadas nacionalidades.
Com tudo isso, pode nos restar um pequeno, mas talvez grande consolo. Que no atual futebol de outros países, devem acontecer coisas semelhantes. Ah, se pudéssemos mergulhar de cabeça nos bastidores da FIFA – Federação Internacional de Futebol. Afinal, além do fator globalização, lidamos com seres humanos, que, na essência, tem reações semelhantes sejam aqui, ali ou acolá, resguardadas apenas algumas diferenças culturais.

Mentes Sanas ou Insanas?

Alguns valores morais e éticos deste mundo, também parecem ter passado por grandes modificações. Compreensível? Alguns dirão, talvez.
Tempos atrás, norteando as atividades esportivas, havia uma frase em latim que dizia, "Mens sana in corpore sano". Ou seja, mais do que uma mente sadia em corpo sadio, a expressão latina queria traduzir muito mais coisas que podem resultar num comportamento humano digno e respeitoso.
Infelizmente, nesta Copa do Mundo, na África do Sul, muita gente pode ver in loco ou pela televisão, comportamentos estranhos de jogadores de futebol em campo, ou mesmo de pessoas ligadas ao esporte, que mais estavam para mentes insanas do que para a antiga expressão do latim. Quem prestou muita atenção ao desenrolar dos jogos, pode confirmar isto.

sábado, 29 de maio de 2010

A democracia virtual dos internautas

Ler na internet, comentários das pessoas sobre os vários temas que rolam na rede, pode ser algo muito divertido e permite a observação do sempre saudável exercício de democracia. A opinião dos internautas nos fornece uma amostragem do que vai pelas cabeças, do que se pensa nesta época contemporânea. Praticamente ainda estamos no início do uso desse moderno meio de comunicação, especialmente no Brasil, onde o acesso ainda é restrito às pessoas que têm melhores condições financeiras para a utilização da rede mundial de computadores. E também pelas evidentes falhas das tecnologias já usadas para a navegação. Ou seja, ainda há por aí muitas zonas de “sombras” e tais sombras não se limitam somente as falhas tecnológicas.
No entanto, vamos deixar essas sombras de lado e vamos rir, concordar ou discordar dos comentários dos internautas na internet.
Pelos comentários a gente também pode constatar a grande transformação dos costumes e comportamentos por que passou a sociedade desde o advento da rede. Para os mais velhos, esta visão é evidente e imediata. E não se trata aqui de dizer que antes era melhor e que agora ficou pior. A verdade é que tudo mudou e mudou rapidamente. Há coisas que melhoraram e há coisas que pioraram, sem querer aqui pré-julgar ou julgar qualquer coisa. Afinal, quem está vivo, tenha a idade que tiver, está vivendo agora e tem que encarar tudo de frente. Se é bom ou se é ruim, isso é outra história.
O fato é que a internet é a grande enciclopédia moderna e dinâmica. Por intermédio dela, a gente pode saber, pesquisar, todo e qualquer assunto que se pode imaginar. Por ela, ficamos imediatamente a saber sobre qualquer fato, qualquer coisa que se diga, aqui por perto ou lá do outro lado do mundo. E, como todo mundo sabe, de modo veloz. Antes, quem caia na rede era peixe, agora cair na rede pode ser bom, mas pode ser também um “abacaxi”.
A internet pode ser usada para o bem e para o mal, aliás, como qualquer outra coisa neste mundo. E nos comentários feitos pelos internautas, podemos ver isso claramente. Pega-se qualquer assunto e logo vemos uma nova tendência que surge. A tendência do “botar a boca no trombone” virtualmente. Opiniões verbais, alto e bom som, são raramente audíveis em rodas de pessoas ou mesmo em círculo de amigos. Todavia, se surge assunto polêmico na rede, aí o povo coloca para fora todas as opiniões possíveis e muitas vezes inimagináveis. O que vai acontecer daqui a alguns anos, em futuro talvez breve, é impossível mesmo de se prever ou de se controlar.
Ao mesmo tempo em que isso ocorre pela rede, essa enxurrada de opiniões diversas sobre isso ou aquilo, podemos observar também algumas pequenas mudanças ou transformações por que vai passando a sociedade, de modo lento, gradual e quase sempre sutil. Uma delas é a própria transformação da linguagem. No caso do Brasil é a grande modificação da língua portuguesa, apesar dos esforços dos intelectuais e literatos, que, recentemente, introduziram uma nova mudança no idioma, suprimindo acentos, tremas, introduzindo novos modos de escrita dos verbetes, etc. Na rede e vamos aqui nos prender apenas aos sites de língua portuguesa, vemos um grande número erros de grafia de palavras do idioma pátrio. Agora, quando vamos ler os comentários de internautas, a incrível transformação do português está gritante. Há momentos em que não há outro jeito, a não ser rir bastante, pois o conteúdo já hilariante de certos comentários, associado aos erros de grafia, certamente nos conduzem a gargalhadas incontroláveis. Há pessoas que já começam a se perguntar o porquê tiveram que aprender a forma correta de falar e escrever a língua portuguesa.
Pesquisar este aspecto na internet pode nos dar a idéia do grau atual de conhecimento de muitos dos nossos irmãos de pátria. Leva-nos possivelmente a repensar ou pensar pelo menos em como anda o ensino no Brasil. Aumentou-se o número de escolas e de alunos? Mas, e a qualidade do ensino? Outra coisa também a se levar em conta é que pela internet vai surgindo devagar ou rapidamente (depende do ângulo que se olha), uma linguagem cifrada, abreviada, tipo o “não” é “naum”, “abraços” é “abs”, “cara” é “kra”, e por aí vai.
O fato é uma constatação. A constatação de uma transformação do mundo, da sociedade, etc. E não apenas porque as pessoas estão escrevendo ou falando de outro modo, ou porque não sabem se expressar de outro modo. Mas trata-se de uma constatação de que ocorre velozmente uma grande mudança no jeito de ser de uma época. E aí dirão alguns que estamos em pleno século 21. Claro, óbvio, todos estamos. E deixando de lado a questão da linguagem modificada, aviltada, transformada, ou de um semi-analfabetismo generalizado, vamos pensar somente nas mudanças dos valores. Nos comentários dos internautas há de tudo. Preconceitos acirrados sobre determinados assuntos, aberturas extremas para outros, falta de respeito, falta de educação, comentários sérios, respeitosos, enfim, acontece de tudo. E de tudo que acontece, a gente consegue ver uma coisa, principalmente quando os comentários se referem à atitude de alguém e quando esse alguém é pessoa notória ou pública.
Nesse caso, a opinião dos internautas acaba demonstrando que, apesar de tudo se transformar de época para época e que o foi ontem não é mais hoje, ainda persiste a mania do ser humano de gostar de saber da vida alheia e dar palpites nela, esquecendo-se da sua própria. Resumindo, enquanto se fofoca a vida dos outros, a nossa vai passando e muita coisa fica sem solução. E os países, obviamente formados por pessoas, acabam seguindo o mesmo caminho. E metem o bedelho nas questões alheias, esquecendo-se dos seus problemas internos, por mais simples que sejam nas velhas áreas da educação, do transporte, do trabalho e da saúde.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

MALHANDO OS "JUDAS"

Dia 02 de abril de 2010. Sexta feira santa ou da Paixão de Cristo. O dia hoje amanheceu cinzento em Brasília, com cara de “sexta feira santa” mesmo. Assim se costuma dizer quando um dia está calmo demais, com nuvens de chuva encobrindo o azul do céu, bem carregadas. Mas hoje, é mesmo o dia considerado santo, feriado, tudo fechado, os fiéis religiosos revivendo a via Sacra de Cristo, rezando, pedindo proteção, pagando promessas e crendo que, com muita fé, Deus e seu Filho irão olhar por nós, pobres pecadores nesta Terra. Um dia, sobretudo, de muita meditação e para quem quiser acreditar em extraordinários milagres divinos.
Esta sexta ficou mais calma ainda, para quem ficou, não foi a lugar nenhum, nem viajou, nem foi ao cinema ou almoçar numa praça de alimentação de shopping. Quem viajou, movimentou-se, aproveitou deste modo o feriado. Quem ficou em casa, aproveitou de outra forma, colocando em dia alguma coisa doméstica, batendo papo com a família e amigos ou até mesmo dormindo, quando não optou por ouvir música ou ver televisão.
Acontece que amanhã, sábado – o sábado de Aleluia, é como se as pessoas, especialmente aqueles religiosos citados, acordassem para a ressurreição da própria vida. Claro que tem muita gente que nem se toca com isso. Afinal, nesses tempos modernos, em que tanta coisa, tantos valores anteriores caíram por terra, um feriado, por esta ou aquela data, é apenas mais um feriadão e oportunidade para um bom descanso e diversão. E aqui, nada contra aos que procedem assim. Não significa que pessoas que se divertem, não tenham também suas crenças particulares ou mesmo as populares.
Ocorre que este texto não quer questionar nada disso. Obviamente, surgiu por algo, por algum fato. E, na calmaria desta santa sexta feira, surgiram lembranças de tradições cultuadas especialmente no sábado de Aleluia. A “Malhação do Judas”, o traidor de Cristo. Espanhóis e portugueses trouxeram para a América do Sul essa tradição. Daí, nas cidades brasileiras criou-se o costume da confecção de bonecos de pano, no tamanho de um homem, que representavam o Judas traidor. Só que, logo em seguida, o povo aproveitou para colocar nesses bonecos os nomes de pessoas que não estavam muito no agrado popular. Políticos, governantes, comerciantes ou até algum vizinho da região, do bairro, que tivesse causado algum transtorno geral nos meses anteriores.
A malhação do Judas sempre foi uma coisa divertida nas manhãs do sábado de Aleluia. Os bonecos amanheciam pendurados nos postes das ruas e por volta das 10 da manhã, as pessoas caiam literalmente de pau neles, numa espécie de libertação de seus recalques ou aborrecimentos contra aquela figura certamente não muito popular. E com isso, muitas vezes, a própria figura do Judas Iscariotes acabava no esquecimento.
Todavia, o tempo passou e com isso, principalmente nas grandes cidades, o ato de malhar o Judas foi se dissolvendo. Provavelmente, a maioria das crianças nascidas agora, nunca irão se divertir com essa manifestação que agradava a muitos e com certeza desagradava aos “malhados”. Aliás, malhado hoje tem outro sentido. São os que malham nas academias de ginástica e por fim acabam sarados.
Pensando bem, muita coisa aconteceu para o quase fim e esquecimento dessa tradição popular, que hoje não vemos ou ouvimos falar muito como antes. As cidades cresceram quase que incontrolavelmente. E mesmo assim, com os inúmeros postes de rua decorrentes do seu crescimento, com certeza faltariam esses para se dependurar a quantidade incontável de “Judas” atuais, os traíras dos tempos modernos, que proliferaram aos milhares, como se uma epidemia de mau caráter tivesse se espalhado geral.
Então, com a ausência dos bonecos de pano pelos postes, os jovens de hoje ficaram privados deste prazer particular, de pelo menos uma vez ao ano, terem a satisfação de assistir ou mesmo participar do festival de cacetadas nas figuras de certos traidores do meio social.
Contudo, apesar do quase final da era dos Judas pendurados em postes, ainda resta um ponta de esperança para que essa “malhação” não seja cada vez mais uma coisa de academias do culto ao corpo. Isto vai depender, mais uma vez, do processo educativo das populações, que seja realizado em alto nível, com a colocação de muita “luz” na cabeça das pessoas. Somente assim, malhar os diversos Judas será possível com um ato de inteligência e não troglodita como era feito até então. Vamos então aguardar a chegada de alguém que não tema a disseminação verdadeira da educação e da cultura no seio da massa populacional. A transferência de conhecimentos é igual à transfusão de sangue. Quanto mais se doa sangue, mais o sangue aumenta no corpo do cidadão. Com a educação não é diferente, mas ainda assusta a alguns, especialmente candidatos a Judas por aí afora, traidores que a seu modo irão dar em nós, a rasteira certa no momento oportuno.
Enquanto isto não acontece de verdade, vamos aguardar, pois, domingo será mais uma comemoração da Páscoa. E esta simboliza a renovação da própria vida. Quem sabe este domingo, dia 04 de abril, não marque o início de uma verdadeira renovação. Milagres podem acontecer. Nunca é demais manter a esperança, já que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Este ano é um ano importante para nós, brasileiros. Devemos renovar muita coisa por aí. Por isso, Feliz Páscoa e felizes escolhas daqui por diante, com “malhações” inteligentes, “doa a quem doer”. E essa foi um plágio evidente.