quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um Milagre do Cão

Há muitos anos, todos os anos, mais ou menos a essa mesma época, os jornais falam e muita gente comenta que nós, brasileiros, trabalhamos cinco meses durante um ano, somente para o pagamento de impostos. Especialistas no assunto afirmam que 40 por cento do nosso salário vão para os tributos.

Aproveitando o tema, que voltou aos nossos ouvidos nos últimos dias, vamos confirmar que seja isso que acontece com a nossa carteira anualmente. Todo mundo, quando acha um tempo para pensar no assunto, acha terrível. Afinal, quem gosta de ver seus suados reais saírem assim, correndo, na compulsão, para os diversos cofres do governo. E pior, para se transformarem em pequenos resultados. E se não é assim, algo então deve estar mesmo muito errado, pois nunca há dinheiro para as obras de infraestrutura de transportes no País – e isso é uma história bem velhinha, já se tornou lenda. É também quase eterna a falta de recursos para visíveis melhorias dos hospitais públicos, para a educação geral, para tudo que se refere à concreta melhoria da qualidade de vida do povo. Para o setor educacional, a coisa já virou um verdadeiro mito. A quase centenária história de sempre: salários baixos e desvalorização dos professores, estes amedrontados e inseguros nas salas de aulas onde alunos podem ameaçá-los a qualquer instante até com armas em punho. As drogas já quase fazem parte do material escolar. Quadro exagerado? Conversem com qualquer professor, especialmente um da rede pública de ensino. O nível do ensino está de cabeça para baixo. Aquele quadro, o “Soletrando”, dentro do programa” O Caldeirão do Huck”, talvez esteja colaborando mais com o povo e com os alunos que querem realmente aprender a ler e escrever corretamente. Com o ler e o escrever corretos, consegue-se o resto se houver vontade. Em alguns poucos casos, esses ingredientes não são necessários, mas isto é outra história. Uma história comprida, que precisa de muito papel para ser escrita.

Bom, mas voltando aos famigerados “impostos anuais”, a coisa não fica somente neles. Dos 60 por cento que sobram do salário de alguns pouquíssimos milhões de privilegiados (somos quase duzentos milhões de habitantes no Brasil), ainda há o que gastar mais e mais por conta da falta de serviços condizentes com a qualidade de vida de um povo desenvolvido. Listemos apenas alguns. Há que se pagar um plano de saúde, pois o SUS – o Sistema Único de Saúde (que deve ser quase o Único no mundo que funciona assim, daquele jeito), “é coisa de gente pobre, de miserável, que está acostumada com esse negócio de fila às duas da manhã ou a madrugada inteira”. E aí surgiram os famigerados “planos”, supervisionados e regulados pelo Governo. Funcionam? Digamos, mais ou menos. Na hora H é que se vê. Aí podem aparecer aquelas letras pequeninas, contendo frases traiçoeiras que ninguém quase lê (mania de brasileiro, até Presidente já assinou documento sem ler), mas que arrancam mais uns reaizinhos do seu bolso.

Há o seguro total do automóvel, sem contar o obrigatório. É bom lembrar que não há policiamento nas ruas, os estacionamentos são descontrolados, seu carro pode ser roubado. Em geral, não há guardas de trânsito nas áreas urbanas. Acontecem de vez em quando algumas blitz que a gente não entende, incertas. Seu carro também pode levar uma porrada de algum irresponsável bêbado, que por se achar melhor dos que os outros mortais, não está nem aí para essa lei que foi sancionada recentemente para coibir o álcool ao se usar o volante.

Mas a coisa não fica só nisso. Você tem que pagar taxas extras de condomínio para aumentar cada vez mais a segurança da sua moradia. Há bandidos demais soltos por aí, observando a sua vida. Tem menores bandidos, perigosos, que são pequenos e sofridos socialmente, coitadinhos. A única responsabilidade deles é votar nos seus candidatos preferidos, quando são mais crescidinhos, maiores de 16.

Há outras coisas a se pagar com os 60 por cento que sobram do seu salário, para se ter uma relativa melhoria de qualidade de vida, cobrindo obviamente coisas que deveriam naturalmente existir em decorrência dos serviços públicos.

Pois é, esses poucos milhões de privilegiados, como falado anteriormente, ainda têm como pagar, seja porque fazem um planejamento de vida melhor, seja porque vivem mergulhados no ilusório e fantasioso cheque especial ou em cartões de crédito, seja porque recebem “benefícios” extras em troca não sabemos de quê. Neste último caso, aquelas coisas que obviamente ninguém vai confessar, do tipo mensalões, etc.

Não foram mencionadas aqui as coisas básicas. O alimento diário, o aluguel, ou a prestação da casa própria, a conta de luz, telefone e por aí vai.

Quem sabe, por isso tudo, um ex-ministro de Estado falou, há muitos anos, sobre um tal de “milagre brasileiro”. Talvez a afirmativa dele tenha sido tão etérea, tão sutil, que ninguém captou na ocasião o seu verdadeiro sentido. O MILAGRE. Esse Milagre que o brasileiro vive diariamente e que, ao final de cada dia, como oração, tem que agradecer por ter sobrevivido. Com ou sem estresse.

E assim, aos primeiros meses de 2010, 2011... E CACETADA, continuaremos a refletir, reclamar, gritar, gritar, GRITAR, contra esses impostos que pagamos e que, ao que tudo indica, boa parte deve cair num sumidouro dos cofres públicos. Provavelmente, num País como este aqui, o processo seja esse mesmo. Gritar, gritar, gritar, até que os surdos possam ouvir.

Só não poderemos seguir o caminho daquele velho, antigo, quase esquecido, ditado da sabedoria popular: “CÃO QUE LADRA, NÃO MORDE”. O que certamente deve significar que o cachorro que morde, morde sem aviso. Ele observa, cala e avança num ato que denota a estratégica inteligência canina. Viva o cão!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Felicidade à brasileira

O povo brasileiro é um povo feliz. Quanto a isso não parece haver dúvidas. Somos um povo hospitaleiro, cheio daquelas alegrias tradicionais regadas à cerveja. É visível o nosso bom humor. Em geral, estrangeiros vindos ao Brasil sempre percebem isso. Lá fora, em muitos lugares, a coisa é meio fria, até monótona muitas das vezes por emoções diferentes das nossas. Aqui temos tiroteio em praça pública, mas a maioria é honesta e trabalhadora.
Mesmo nos momentos mais estressantes, conseguimos achar um jeito de rir da própria desgraça. Isto de fato não é para qualquer povo. Como bons latinos, somos quentes. Um pagode, um trio elétrico, um bater de tambor nos coloca em polvorosa. Somos emoção à flor da pele. Temos sol, temos belas praias e belas bundas. Pena que já conseguiram espantar os sabiás das palmeiras. E o poeta deve ter ficado triste lá no além.
Até ficamos com raiva quando alguma coisa nos tira do sério. Esbravejamos, gritamos, fazemos passeatas, mas logo, outra paixão nos atira para outros rumos. Novas promessas nos tornam crédulos. Acreditamos. Sempre. Um exemplo simples? Acreditamos nas operadoras de telefonia e, se bobear, ainda em Papai Noel. E nem sempre percebemos que estamos sendo ferrados. Somos um povo “ordeiro”. Os governos sempre nos dizem isso. Aliás, não poderia ser diferente. Em nossa bandeira está lá a expressão Ordem e Progresso. E assim vamos vivendo. Nossa Elza Soares completaria: “de AMOOOR....”
E tudo isso não poderia ser diferente para encarar a imensa farra, a farra geral que acontece por aí, diante dos nossos narizes, em nosso cotidiano.
Seguramente, a maior farra do Brasil, é a farra com o dinheiro público. Quanto a isso, não é preciso dizer mais nada, já que a imprensa quase todos os dias aponta um caso ou outro de uma farra dessa natureza por esse imenso Brasil. E isto, quando lhe é permitido fazer, afinal, todo canal de comunicação – rádio, televisão ou mesmo a mídia impressa, é uma concessão do governo.
E de farras em farras, vamos vivendo. As farras das passagens aéreas do nosso Congresso Nacional, as diversas farras das impunidades, as dos mensalões, as dos foros privilegiados, a farra das nossas rodovias sem manutenção adequada, ou da falta de leitos em nossos hospitais e mais uma cascata de farras promovidas pela falta de responsabilidade ou pelo descaso, ou pelo fato de “estar se lixando” para tudo e todos em todos os quadrantes do território nacional. Deve existir alguém que não se lixa ou que pelo menos tenta não se lixar.
E assim caminhamos nessa felicidade tropical, até mesmo com as severas mudanças climáticas já evidentes. Tempestades que vêm aumentando de intensidades a cada ano que passa, ou projetos de furacões e tremores de terra até então inimagináveis em nossa terra. Éramos um país dito abençoado pela ausência desses.
Porém, como todos que navegam no mesmo barco, têm que remar, sigamos nosso rumo. Sempre para frente, pois quem anda ao contrário é caranguejo. Para frente e felizes, procurando a felicidade no meio da ventania. Felicidade à brasileira é um prato único, que, obviamente, só é encontrado por aqui.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"Manda quem pode, obedece quem tem juízo"

Ora, “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, era uma expressão de “brincadeirinha”, muito citada nos arredores de gabinetes de poderosos do serviço público há alguns anos passados. Certamente uma frase sempre proferida num tom dúbio, mas que obviamente encerrava uma advertência àqueles subordinados que não concordavam muito com algumas ordens ou decisões.
Esse “manda quem pode...” encerrava em suas palavras, algo muito mais além, que sempre fez parte da nossa cultura. Ou seja, a cultura do “obedeça sem pensar” ou, mais praticamente, da “vaquinha de presépio”. Proferida geralmente por assessores mais próximos de autoridades constituídas, a sentença não deixava de denotar prepotência, talvez um pouco de assédio moral e manifestações de poder a todo e qualquer custo.
Com certeza, quem “pode”, tem poder. Quem tem poder na área pública, geralmente é revestido desse poder por um grupo de pessoas. No caso dos cargos eletivos, pelos eleitores de um país. Contudo, em nossa cultura, parece ter havido uma distorção na interpretação desse poder. Ou seja, as pessoas são revestidas de poder para “poderem trabalhar” pala causa pública, ou do público, ou daqueles que pagam tributos o ano inteiro.
Todavia, numa situação quase geral, o sujeito revestido de poder parece esquecer-se disso e com o “poder”, só quer mandar, mandar muitas vezes sem consultar a ninguém. E ainda fica com o nariz em pé, o mais alto possível, na maior demonstração de prepotência. Isto tudo, dirão alguns, é muito óbvio. No entanto, este “óbvio” não é tão óbvio assim. Tanto é que, agora, anos depois do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, surgem expressões mais modernas do tipo “eu me lixo para a opinião pública”. E a gente só pode lastimar, mais uma vez, como falta educação neste País, como falta a disseminação de conhecimentos dos direitos e deveres do cidadão, da verdadeira cidadania. Informações, costumes e comportamentos que contribuiriam para o aprimoramento de uma cultura mais uniforme, mais condizente com o desenvolvimento intelectual que uma Nação deve ter. O resto são os mais variados tipos de medos, inseguranças, mandos e desmandos, propagandas enganosas e prepotências protegidas por foros privilegiados.

domingo, 10 de maio de 2009

A GARANTIA DO MACHO

Uma recente notícia procedente da Itália nos fala da realização de um curso naquele país, que objetiva a ensinar os homens a se virarem sozinhos na vida doméstica do dia a dia. O citado curso será ministrado agora ao final de maio na capital romana, pois já foi realizado com sucesso em outras cidades do norte italiano.
O evento é destinado a homens solteiros, viúvos e divorciados e segundo seus idealizadores, a novidade acontece num momento em que o índice de divórcios entre casais é muito alto. O curso obteve grande procura pelos machos italianos e nele serão ensinados os conhecimentos básicos de alimentação, nutrição, compras de supermercados, uso de aspirador de pó, de ferros de passar, máquinas de lavar e todos os demais itens que fazem parte do cotidiano do lar. Visa também dar ao homem que vive só, a noção de economia que ele pode obter se colocar a “mão na massa” e não ficar esperando ou pagando a alguém para cuidar da sua vida doméstica.
Ora, já havia passado do tempo para os homens iniciarem uma mudança em suas vidas, especialmente aqueles que estão sozinhos por opção ou por alguma razão. E que bom essa iniciativa ter começado, ou pelo menos assim parece, num país onde a “macheza” do homem é uma questão de honra nacional. Todo mundo ouve falar da característica machista do homem italiano, que tem como tradição não poder ver um “rabo de saia”, ou pelo menos fingir que não pode ver.
De qualquer modo, é uma boa iniciativa, essa dos italianos, que tem o apoio de uma associação de donas de casa local. Que seja o começo de uma nova era para os homens, já que as mulheres fizeram e continuam fazendo sua revolução sexual.
É preciso sim que os machos de todos os lugares, especialmente aqueles (quase todos) que foram criados por mulheres que lhes deram tudo nas mãos, saiam do estado letárgico da dependência extrema e comecem a se mexer. Já que estamos em pleno século 21, onde mudanças das mais simples às mais bizarras ocorreram, não é nada demais que os homens iniciem também uma alteração em suas atitudes perante a vida. É garantido que a mudança no até então comportamento machista, em nada vai alterar as ereções do pênis, o desejo pelo sexo oposto ou despertar vontades de usar o lado de trás. É preciso que se esclareça uma coisa: um macho moderno poderá ser aquele que não vai esperar um copo de água das mãos de uma mulher, seja a sua própria ou a doméstica da casa; em resumo, o homem moderno poderá ser aquele que não vai precisar de uma companheira para que ela conduza a vida doméstica dele ou a administre por intermédio de uma auxiliar. Ainda é verdade que muitos homens vão ao casamento não para terem uma união, mas para terem uma empregada à disposição. Se houver uma pesquisa em contrário, alguém conteste. Por outro lado, não é praticando a independência doméstica, que um homem vai adquirir vontades de passar a desejar o mesmo sexo. Homossexualidade obviamente é outra história. Agora, se o macho não se sentir em segurança ao lavar uma louça, preparar uma comida ou colocar uma roupa na máquina, aí é um caso a se pensar, ou, mais exatamente, pode ser camuflagem.
Portanto, “companheiros”, e não somente os do Partido Trabalhista, mãos a obra. Isto é, podem pegar nas vassouras entre uma assessoria e outra, entre um carregamento no cais do porto e outro. Não precisam se intimidar. Já é tempo de mudança e perceber que, mulheres, para aqueles que gostam de verdade, são para carinho e curtir, amar.
Afinal, quantas delas já exercem atividades de pedreiro, motorista de táxi e caminhão e outras até então restritas ao universo masculino. E nem por isso a maioria deixou de gostar de homem.
Por isso, companheiros, cuidem-se e sejam felizes do jeito que bem entenderem. O resto é “boca de matildes” de gente que não tem o que fazer.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O espírito de porco com sombrero

O espírito do porco mexicano está assombrando o mundo. Com “sombrero” e tudo mais from Mexico. E acontece sempre assim. Essas assombrações surgem de repente, quase que do nada. Talvez venham para agitar essa vida de todos os dias, tão, digamos, monótona, não é mesmo? A porcaria gripada chega sem aviso prévio, em pleno prazo final da entrega do imposto de renda no Brasil. Já não bastava isto para assombrar qualquer um? Que renda brasileiro tem, excluídos meia dúzia que recebem benesses e vantagens?
Será que essas coisas aparecem para distrair a gente, preencher nosso tempo tão sem ocupação e preocupações? Aliás, são coisas que parecem vir a calhar, como os mais atentos podem sempre observar. Na hora em que todo mundo (leia-se “os que entendem o valor do dinheiro público”) ficou puto com a distribuição de passagens aéreas, pagas com o nosso dinheiro; no momento em que a designada candidata à Presidência, descobriu que tem a resolver e cuidar de um grande problema de saúde; logo em seguida ao bate boca ocorrido dentro da nossa mais Suprema Corte Judiciária. O porquinho mexicano ficou mais importante que a própria crise financeira internacional. Impressionante!
Mas como por aqui, isso já é quase uma tradição, um “grande” problema sempre encobre um catatau de probleminhas menores do nosso cotidiano. E assim, as inundações vão se sucedendo, como a que ocorre agora no Maranhão, e a lama vai tomando conta de tudo. E o povo vai se virando como pode. ETA povinho criativo!
Agora é só gripe suína. Pela manhã, à tarde e à noite. Os fabricantes de máscaras é que estão adorando. Pelo mundo afora vão vender máscaras de montão e encher os cofrinhos. Por aqui vamos nos “esforçando” para a gripe chegar. Deu um espirro, vai internado com direito a um grande aparato de segurança. Não há leito para quem definha devagar no dia após dia. Mas, afinal, epidemia é uma merda. Mata depressa E como dizem que quem tem, tem medo... Deve ser uma merda mesmo, pois o povo antigo conta a história da gripe espanhola no início do século passado. Contam que os mortos eram pegos de caminhão pelas casas das cidades, tamanha era a quantidade de gente fulminada pela gripe. Só de pensar, dá arrepio. Desse jeito, vamos pensar nessa tal de gripe suína. Que ela existe, isso é verdade. E se nos Estados Unidos já tem gente com sintomas, por que aqui não vamos ter também? Afinal, é tanto avião para lá e para cá. E até por que já aliviaram por lá a entrada de brasileiros. E até porque estamos na era do “cara” do Barack.
Bem, mas essa história começou no México. O que houve com os porquinhos de lá? Isso parece que ninguém ainda explicou, como pegaram a tal da gripe. Pelo menos até agora os porquinhos daqui ainda não contraíram a doença. Só andam fazendo mesmo porcaria normal, chafurdando na lama. Pelo sim e pelo não, é melhor mesmo ninguém pegar avião para ir de encontro à gripe do porco de sombrero. E mesmo porque fica engraçado, todo mundo a bordo mascarado, quando o Carnaval já ficou para trás e o próximo ainda demora um pouco. XÔ gripe suína!

domingo, 26 de abril de 2009

Tudo bem, no ano que vem...

Como foi dito na postagem de 19 de abril, “este blog não acabou; apenas uma pausa para descanso dessa vida de todos os dias”. No entanto, essa pausa poderá ser eterna se quisermos descansar dessa vida de todos os dias, perturbada por esse turbilhão de absurdos que vêm acontecendo por esse Brasil afora. Por isso, não há como descansar. Há que se viver, ou melhor, arranjar o melhor jeito para se viver. Teríamos todos que dar aquele famoso jeitinho brasileiro? Será por isso que se caminha, fazendo de conta que está tudo bem? A aparência de que tudo está bem é mesmo predominante em nossa cultura? Responda quem puder.
Do jeito que as coisas estão, a impressão que se tem é a de normalidade. Tudo parece estar sendo normal, fala-se aqui dos absurdos que são praticados, da inversão total dos valores humanos, da dignidade que deixou de ser digna, da moralidade e da ética propaladas e que se contorcem em suas regras antigas. Essas coisas acabam fazendo parte dos costumes.
O Brasil está pelo menos estranho, aliás, o mundo está ficando esquisito. Mas como estamos aqui, em solo pátrio, analisemos a nós. Cuidemos de nós. Que os outros, de outros lugares, cuidem de si.
É óbvio que cada um deve cuidar de si. Tentar o melhor da vida para si próprio. É até como se fosse uma lei fundamental da vida. “Cada um faça a sua parte”, é uma expressão da atualidade. Todavia, ninguém explica claramente o que significa essa “parte”. Ora, obviamente, entre muitos significados, podemos resumir que “cada um cumpra com os seus deveres”, trabalhando, sendo honesto, cumprindo as regras estabelecidas e cuidando da sua vida e da sua família.
Mas, existe um “porém” nisso tudo. Fazer essa “parte” pode estar causando a sensação de idiotice a muita gente que tenta. Ruy Barbosa, um dos grandes nomes da história brasileira, já vivia em sua época o dilema honestidade/idiotice, o que parece mostrar que essa cantiga da perua vem de longe. Só que agora, com muito mais gente, parece ter se transformado num grande forró.
Não podemos esquecer que o ser humano pensa e tem inteligência, por mais humilde que seja, para não dizer, mais ignorante das coisas desse mundo. Como dizia um antigo professor de Física, no Rio de Janeiro, que ensinava aos alunos da Escola Naval, “não podemos confundir balde de gari com Garibaldi”. E é nesse ponto que muita gente subestima milhares que não usam paletó e gravata. E o melhor de tudo é que por aqui ainda tem muita gente que pensa. Não aceita kit pronto.
Este blog já disse há pouco tempo e volta a repetir: o noticiário brasileiro está um verdadeiro festival de horrores. Muita gente diz que não há uma notícia que presta. Mas, não há que se questionar a notícia e sim o fato que gera a notícia. Seria essa montoeira de lama, de corrupção de gente fina e de gente grossa, de problemas das mais variadas naturezas, de irresponsabilidades irrestritas, etc, tudo invenção de jornalistas?
Escândalos nos governos e fora deles se sucedem, a cara de pau parece ter se tornado a face verdadeira de muita gente; criminosos são presos e logo são soltos; a droga corre solta e ninguém consegue segurar quem de fato segura os grandes volumes de dólares e euros trocados por ela; não há presídios, cadeias, celas, delegacias suficientes para colocar essa montoeira de pilantras que transitam pelo País; o habeas corpus tornou-se a palavra de ordem.
E aqui, nomes não são citados porque não é necessário isso. As notícias gritam nomes e fatos. E ninguém é surdo. Ademais, escrever-se aqui ou citar nomes, ou alguns deles, seria tal qual perda de tempo. Muito cansativo ou repetitivo e talvez congestionasse até a internet.
O principal aqui é se dizer que, aquilo visto, lido e ouvido nos noticiários, parece ser um sonho ou pesadelo. Você escolhe. Ou talvez já seja um modo educativo contemporâneo ou de lazer terrorista moderno, dentro da grade de programação das emissoras, no caso das TVS. A parcela da população que ainda idiotamente “faz a sua parte” fica com os nervos em frangalhos. A outra parcela é composta certamente pelos produtores, atores e demais participantes do cenário de horror lamacento. Estes estão sempre bem, para eles não há crise, não há falta de nada, está tudo bem, é tudo mentira, é brincadeirinha de um faz de conta do primeiro de abril. E se alguém ousar duvidar que as coisas não estejam muito bem, eles gritarão em coro o título daquela peça teatral: “TUDO BEM, NO ANO QUE VEM!”