sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O ESPÍRITO DE LAMPIÃO VIVE

Introdução

Problemas sociais e fundiários no nordeste brasileiro deram origem a uma prática violenta naquela região, de meados do século XIX até quase a metade do século passado: O CANGAÇO.
Os cangaceiros agiam em bandos ou individualmente, atemorizando e aterrorizando populações inteiras de vilas e pequenas cidades do sertão nordestino. Saqueavam, matavam, roubavam, aplicavam a lei do “mais forte”, atemorizavam até os coronéis do interior. Viviam escondidos na caatinga e eram perseguidos pela polícia, que desde aqueles tempos já tinham dificuldade em localizar bandidos. O mais famoso cangaceiro nordestino foi Virgulino Ferreira da Silva, o LAMPIÃO, que liderava um bando violento e cuja mulher, Maria Bonita, assim chamada por ser considerada muito bonita, agia como descrito no trecho dessa antiga música, “Paraíba masculina, mulher macho sim senhor...”. Ou seja, pegava nas armas, matava se preciso fosse e agia tal qual o bando a que pertencia. Lampião atemorizou durante as décadas de 20 e 30 do século passado. Em 28 de julho de 1938 ele foi pego numa emboscada e morto com sua mulher e mais nove cangaceiros, no interior de Sergipe, conforme conta a História, que diz também que, a partir do Governo Getúlio Vargas e por decisão deste presidente, o cangaço começou a ter fim.
A História conta também que, para as autoridades, o cangaço simbolizava o mal, a brutalidade que precisava ser extinta. Todavia, conta-se também que, por uma parte da população do sertão, o cangaço e o próprio Lampião encarnou “valores” como a bravura, o heroísmo e o “senso de honra”. Os cangaceiros geralmente tinham apelidos. Entre outros, fizeram essa história violenta com controvérsias de “honra” e “heroísmo”, os cangaceiros Jesuíno Brilhante, que já agia por volta de 1870, Colchete, Jararaca e o também famoso Corisco, este último oficialmente morto em 1940.

Os dias de hoje

Mas, o que mudou de lá para cá, até os nossos dias no Brasil? Claro, muita coisa mudou. É óbvio. Porém, as cenas de violência a que assistimos atualmente, tanto nas ruas de nossas cidades, como também até no interior de espaços públicos onde deveriam proliferar grandes decisões para o País, não nos deixam alternativas para uma reflexão. E nem precisamos ter doutorados, mestrados, ou títulos de PhD, para concluirmos que, embora o Brasil tenha se desenvolvido, nem que tenha sido por osmose em relação ao mundo, a mentalidade pouco evoluiu. Resumindo, a cultura assimilada ao longo de tantos anos ainda resulta na Lei do Mais Forte, do Poder a qualquer custo, do insistir em copiar o que dizia uma velha marchinha de Carnaval: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”... – isto especialmente quando se trata da detenção do poder.
A cultura assimilada e resultante também dá mostras de que “o manda quem pode, prevalece” e que, aquilo que incomoda ao poder, não custa muito em ser eliminado, nem que seja no mínimo por uma troca de acusações.
Assim, perdemos nosso tempo em ficar espantados, horrorizados e talvez mesmo envergonhados, quando assistimos, por exemplo, um Senador da República, de dedo em riste, em plena sessão plenária, acusar outro ou ser repelido por este a baixar o “dedo sujo”. Nosso horror ou vergonha de nada vai adiantar. A guerra do poder, as denúncias, trocas de acusações, ainda durarão muitos anos, enquanto o cancro cultural não for de fato cortado pela raiz.
Não resolverá em nada também, alegarmos que nossa colonização portuguesa é uma das causas disto tudo. Que assim tivemos uma péssima herança cultural, porque se assim aconteceu, não fizemos o suficiente para melhorar e aprimorar o quadro cultural nacional. Ao contrário, antes da proclamação da nossa República já surgiram os cangaceiros e agora, mesmo com o pressuposto fim deles, chegamos aos dias atuais com comportamento semelhante, que sempre acaba em enganos, roubos, força violenta, saques até aos cofres públicos e migalhas distribuídas aos menos favorecidos.
Ora, cangaceiros espalharam um método inusitado de obter bens e simpatizantes a eles também assimilaram tal método. Viveram aquela época, tiveram filhos, netos, bisnetos. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação e transporte no Brasil também se desenvolveram, certamente não tanto quanto deviam, no entanto, o suficiente para aquele método se espalhar pelo Brasil.
Isto pode ser uma teoria. Uma teoria não muito difícil de ter sido praticada sutil e veladamente ao longo de tantos anos, na medida em que o Brasil misturou suas culturas regionais. E a forte e espantosa cultura do Cangaço certamente não ficou fora disso.
Hoje, o Poder age em grupos ou mesmo individualmente. Para quem estuda, pesquisa e acompanha a História do Brasil, talvez seja mais fácil visualizar resquícios do Cangaço em nossos dias. Se isto é idéia de maluco, de um ser mortal comum, ou de um brasileiro idiota qualquer que mal sabe eleger seus governantes, o que tem acontecido no interior do Congresso Nacional do Brasil nos últimos anos e agora mais precisamente no Senado Federal, faz parecer que a teoria do Cangaço faz sentido.
Os rabos parecem estar mais do que presos entre nossos representantes, ou melhor, colados com super bonder; as denúncias de coisas mal feitas nos deixam boquiabertos, o chamado decoro parlamentar que há muito foi para o espaço, mais parece um coro de palavrórios e até palavrões, os discursos em defesa da honra e da dignidade proliferam nas tribunas, fazendo cair por terra incríveis fatos e denúncias. A cultura da cara de pau prosperou. Certamente, os que assim procedem, devem julgar o povo como um bando de idiotas, sem raciocínio, embora na cultura do faz de conta que tudo está bem, isto não seja dito com palavras. Como se costuma imbecilmente dizer, “não é politicamente correto”.
Assim, nossa viagem pelo tempo de nossa história vai prosseguir. Pizzas? Ninguém nem fale em pizzas! Pizza é uma coisa muito boa para a gente comer com a mussarela bem derretida, com salpicos de manjericão. E ainda bem, pois não deixa de ser um bom atenuante em meio a tantos saques, pilhagens e violências contra o povo, este sim porque não se dizer sacaneado disfarçadamente ao longo de tantos anos. Enquanto isso, muito ódio espumado, adicionado de palavras fortes e agressivas, precedidas sempre de Vossa Excelência, ainda serão oferecidos a milhões de pobres incautos. Olhos de cachorro doido ainda fuzilarão muitos pares em nossas sessões plenárias. O espetáculo ainda continuará horripilante, até que o povo entenda de verdade o que deve fazer nos anos eleitorais. Até que muita gente desse mesmo povo não se deixe enganar por um brinde, por uma camiseta, um par de botas ou coisa parecida.
Seja lá o que for preciso para que a mentalidade brasileira cresça de verdade, tudo nos leva a crer que o Espírito do Cangaceiro Lampião ainda continua vivinho entre nós.



sábado, 1 de agosto de 2009

Cielo 2 - este é o Cara !

ESTE É O CARA ! CONQUISTOU DOIS OUROS PARA O BRASIL, BATEU RECORD MUNDIAL E FEZ UMA IMAGEM BONITA DO NOSSO PAÍS LÁ FORA. SEM ARTIFÍCIOS E COM MUITA GARRA E VONTADE DE VENCER ! O FEITO DELE FOI REALIZADO AO AR LIVRE, AOS OLHOS DO MUNDO, UM ATO SEM SEGREDOS. CIELO MAIS UMA VEZ MOSTROU QUE O POVO BRASILEIRO PODE. SE QUISER E TIVER GARRA, PODE ! POR ISSO, CIELO É O CARA ! ALGUÉM AVISA AO PRESIDENTE BARACK OBAMA.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Por que não seguir o exemplo de César Cielo?

Parabéns César Cielo. Você hoje encheu de orgulho o povo brasileiro, o seu povo. Num espaço de 100 metros você conseguiu uma medalha de ouro, que é sua, mas que também é do Brasil. Mas que tão pequeno espaço esse, que certamente lhe impôs muitos sacrifícios e determinação para atravessá-lo em primeiro lugar. Sua conquista é um belo exemplo para nós todos, que ainda não pudemos fazer do nosso país um grande exemplo de virtude para os demais povos lá fora, noutros continentes. Temos caminhado não metros, mas quilômetros de vida; temos nadado muito, não para competir e muito menos em águas limpas, mas para sobreviver e acabamos morrendo na praia. E isto porque estamos custando a ver o nosso dia a dia encher-se de medalhas, para comemorar coisas básicas que ainda não funcionam bem por aqui. Coisas que, se colocadas em competição com coisas semelhantes em outros lugares do mundo, não conseguirão nem mesmo uma também suada medalha de bronze.
Sua vitória deve servir de excelente exemplo para outros jovens deste País, que, mesmo não participando de competições esportivas, poderão lutar também com garra para fazer este nosso tão querido Brasil crescer de verdade. Porque o que precisamos crescer é a nossa cultura, a nossa mentalidade. Não basta o crescimento econômico. Este pode ser bom, apenas e como sempre, para os grandes. Precisamos crescer em nosso dia a dia, em nosso comportamento. Crescimento que nos faça enxergar de verdade o que existe por detrás de palavrórios, discursos, promessas e belas estatísticas com segundas e até terceiras intenções.
Mais uma vez, parabéns pelo feito. Você já se tornou uma celebridade no cenário esportivo brasileiro. E graças a Deus, pois senão correríamos o risco de ter muita gente pensando que aqui só existe o futebol. Uma celebridade você é pela garra e pelas conquistas de hoje e de noutro dia. Ao contrário de outras celebridades nacionais, que se tornam célebres infelizmente pelos maus exemplos que dão ao seu público. Maus exemplos porque deles nada se poderá retirar de bom para as pessoas comuns imitarem.
Se puder e acreditamos que você pode, traga sempre outras medalhas e nem importa se de ouro, de prata ou de bronze. O que importa mesmo é o seu exemplo de conquista honesta. A sua emoção ao subir no pódio no Campeonato em Roma.
O seu nome, César, provavelmente não foi mera coincidência quando assim batizado. E nada mais propício a sua vitória, além do seu próprio nome, do que o cenário romano, que mesmo nos dias atuais, alguns milênios depois, faz-nos lembrar dos grandes Césares do antigo Império Romano, conquistadores que fizeram seu nome na história do mundo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Coisas de biografias

Observar o dia a dia, os fatos que rolam e suas interligações, alterna momentos de criatividade com momentos de verdadeiro enjôo para quem escreve ou até para quem lê.

Todavia, quem pode ficar quieto diante de mais uma “crise” do Congresso Nacional, ou do Senado, melhor dizendo desta vez? A resposta é que muita gente fica. Por muitas razões, porque não sabe mesmo o que acontece, ou por não saber expressar suas opiniões, ou até por aquela velha máxima que ainda vigora na cultura brasileira, que é o receio de que algo de ruim possa lhe acontecer. Ficar quieto pode também ser a evidência do saber que tudo vai dar em nada. E assim, continua-se a caminhar como sempre, sem ocorrer maiores mudanças. O cheiro de cocô espalha no ar, acontece um “forrobodó”, a imprensa acaba sendo a culpada de se meter aonde não é chamada e, ao final, o “status quo” prevalece.

Afinal, a coisa rola mais ou menos assim: como pode um ser qualquer, mortal, expressar sua idéia a respeito de coisas tão profundas que acontecem no País? Um ser qualquer que não tem nome cintilando no gás neon, não é nenhuma celebridade e muito menos notório. E pior, não tem uma considerável BIOGRAFIA! E nem é imortal!

Recorrendo rapidamente ao dicionário, ou o velho PAI DOS BURROS, vemos resumidamente que, “Biografia” é “a descrição da vida de uma pessoa”. Portanto, e usando da lógica, só se pode mesmo é esmiuçar a vida desses “merdinhas” que andam todo o dia pra lá e pra cá, trabalhando e buscando a sobrevivência, enfrentando toda aquela eficácia e conforto da vida cotidiana de nossas cidades, que a imprensa teima em só ver coisas erradas no funcionamento. Esses “bostinhas” sim, têm que levar tinta sem dó nem piedade. Eles talvez tenham que pagar o alto preço da sua “ingenuidade”, da sua credulidade, da sua fé e esperança, para não dizer aqui aquela velha história da falta de educação e cultura, que resulta na falta de visão da vida e de elementos para que possam enxergá-la melhor.

De fato, somos o resultado do que somos mesmo e do que temos sido ao longo de muitos anos, e esses, de biografia medíocre ainda vão por muito tempo usar o seu voto de confiança e de esperança naqueles de legendária biografia. Naqueles muitos de extenso currículo de carreiras e cargos públicos, que deixam o povo deslumbrado quando abrem suas bocas em velhos e antiquados discursos, muitas vezes mal proferidos no idioma pátrio, mas que prometem, prometem e prometem!

Felizes então esses de biografia ímpar, imensa, de vida plena de veneráveis serviços prestados à Pátria amada, que estão acima de tudo, inclusive de qualquer suspeita. Afinal, não são seres reles, comuns. Certamente estão e estarão sempre acima do bem e do mal. E olharão sempre de cima para baixo, esquecidos de quem os paga para ali estarem. Muitos deles até já verbalizam que se “lixam” para esse povinho de biografia rasteira. Esse povinho que sonha com a casa própria, sair enfim dos puxadinhos de fundo de quintal, que corre atrás de bolsas e sacolões e que quase baba quando recebe tais benesses.

Caro leitor, convença-se de que “Biografia” não é para qualquer um. Desculpem, mas ser “biografado” é ato pertinente, para aqueles que somente saem da cadeira importante diretamente para o caixão. Biografia pode ser sinônimo de imunidade, coisa para “very important people” que vivem indignadas com coisas “absurdas”, maléficas, que a imprensa inventa ou que algumas pessoas dizem a respeito deles.

Para os que têm aquela biografiazinha chulé, igualzinha no início, meio e fim, só vai restar mesmo a gripe suína. Corrigindo, a NOVA GRIPE. É mais chique pelo menos. Contraindo-a, o sujeito pode dar ares internacionais a sua tão insignificante biografia.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A irresistível pizzaria brasileira

A afirmativa do presidente Lula, de que os senadores da oposição são “bons pizzaiollos”, estampada ontem, dia 15, nos jornais, no que diz respeito à criação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a Petrobrás, demonstra o descrédito geral hoje em voga com relação à dita Casa do Povo – o Congresso Nacional. Ora, mesmo sendo eles da oposição ao governo, o fato aponta que, ninguém mais leva nada a sério quando se trata de políticos, de comissões parlamentares, ou pelo menos parece estar sendo assim. Até o Presidente da República já sabe com certeza de que tudo acaba mesmo em pizza. Em resumo, nem um pouco de receio, nenhuma preocupação quanto ao resultado dos trabalhos dessas comissões. É como se todos estivessem juntos, falando, gritando, bebendo e comendo muita pizza numa enorme pizzaria. Ou seja, ao final tudo acaba dando certo. Para os interessados, obviamente. A massa e o recheio da pizza sempre no ponto, perfeitos. Uma pizza estratégica.

Num momento desses, não há como deixar de lembrar a célebre frase atribuída ao general Charles de Gaulle, de que “o Brasil não é um país sério”, dita muitos anos atrás pelo ex-presidente francês por ocasião de uma crise política (das lagostas) entre os dois países durante os anos 60. De Gaulle morreu em 1970 e parece ter negado até a morte a autoria da tal frase. Todavia, muitos brasileiros, principalmente os que têm vergonha na cara, não esqueceram a tal frase, que volta e meia, como agora, sempre é lembrada e repetida quando acontecem essas sucessivas crises internas no Brasil ou quando ocorrem fatos políticos inexplicáveis. O fato é que De Gaulle morreu há quase 40 anos, virou nome de um dos aeroportos internacionais de Paris, mas a frase, dita ou não, virou quase um slogan por aqui, mesmo que esquisito.

Não bastando a frase do presidente francês, anos depois nosso músico Renato Russo, já falecido, criou a música intitulada “Que País é este?”... E assim fomos passando os anos, mudamos de século, chegamos quase ao final da primeira década deste novo século, mas, aqueles que têm esperança de um País verdadeiramente melhor, que se envergonham de tanta pouca vergonha, que continuam a engolir pizzas estragadas, pois ainda não apareceu uma coisa melhor, certamente continuam com aquelas frases martelando na cabeça.

Se o país é sério ou que país é este, já nem importa mais, pensando bem. É bem mais uma questão de vergonha do que um jogo de palavras. Talvez baste apenas olhar para a nossa política interna, para o procedimento dos nossos políticos. Realmente, o conceito deles não está em alta. Está despencando em cima das massas de pizzas, mas a política finge que não vê essas coisas, que até a frase presidencial mostrou enxergar com clareza.

Parece que estamos vivendo uma era de descrédito geral. Acreditar em quê? Em Papai Noel? Em cegonhas? Em eleições? Em partidos políticos? Seria também o caso de se dizer com adaptações, aquela velha máxima brasileira: já não se faz mais Congressos como antigamente! Mas será que antigamente...? Afinal, como funcionava antigamente? No antigamente foi que tudo começou, misturou-se, transformou-se, mas parece que nada mudou tanto assim. O jeito é se fazer uma leitura da história da política brasileira desde a sua origem, nos primórdios da república. Nada como ter a História na cabeça. História é memória. Memória e força e vida de um povo. E nossa memória parece fraquinha. A gente esquece rapidamente de coisas, talvez pelo excesso de pizzas. Vamos ficando gordinhos e felizes, fingindo que tudo vai bem.

A afirmativa do nosso Presidente sobre os senadores da oposição, embora algum desavisado não tenha percebido, é tal qual um tiro de misericórdia contra os parlamentares que gostam de criar CPIs. Com esse tiro, esses eleitos pelo povo poderiam se jogar no fundo do Ganges ou no fundo de um poço, a exemplo dos personagens hindus da novela Caminho das Índias, quando ficam em má situação. A afirmativa do Presidente certamente não foi auspiciosa e muito menos preciosa. Borrou mais um pouquinho o Congresso Nacional, já há algum tempo mergulhado em nuvens sombrias.

domingo, 5 de julho de 2009

Amnésia cultural

No idioma pátrio não devem existir mais palavras, que possam definir exatamente o estado atual de coisas reinantes em nosso País. Melhor mesmo é esquecer e deixar o povo se divertir como pode. E que venha mais um copo de chopp!
Aliás, uma amnésia não deve fazer mal a ninguém. Ficar no esquecimento pode ser uma estratégia para evitar problemas circulatórios, de saúde, ou, melhor falando, evitar raivas. Raiva deve ser mesmo coisa para cachorro. E coisa que deve ser evitada também. Afinal, são eles, os cachorros, os nossos melhores e mais fiéis amigos. Muita gente já começa enfim a sentir isso na pele.
O que dizer de tudo que rola por aí, se milhões de cegos não querem ver, enxergar nada de verdadeiro. Preferem a ilusão afogada em vários copos de cerveja. O que pode uma pequena turma que entende melhor, diante de milhões, de uma massa populacional que espera a caridade pública e o velho jogo de futebol para amenizar os seus problemas? Que, claro, existem, montanhas e montanhas deles. E o pior de tudo, ou o melhor de tudo, claro, para a grande maioria dos que “podem”, é fazer disso um grande trunfo ao seu favor, especialmente naquele memorável dia das eleições.
Bem, seguinte, a fila anda mesmo. Até que ponto vale a pena pensar nessa ignorância generalizada que assola o País e até o mundo? Um caso a pensar.
Valeriam a pena amnésias temporárias? Na verdade, a massa de gente talvez não precise disso. Já vive sem tempo correndo atrás do pouco dinheiro, de seus pensamentos presos a 70 prestações da compra de um carro. Isto sem falar das outras contas. De fato, o não pensar em nada ou a ignorância acerca de certas coisas que poderiam ser, chega a ser uma grande benção em situações semelhantes.
Assim, o melhor mesmo são as amnésias. Por que não experimentarmos? Na política brasileira é de grande valia. Presidentes assinam e já assinaram documentos importantes sem ler o conteúdo. Esqueceram-se de procedimento tão importante. Políticos quando cobrados sobre algum assunto, dizem de cara limpas que “não sabiam” ou que ainda vão se informar dos fatos acerca. Outros que até noutro dia eram inimigos ferrenhos, esquecem-se do ocorrido. Viram amiguinhos para um projeto a dois e a vida brasileira continua. Outros se esquecem de seu próprio patrimônio. Deixam de fazer declarações obrigatórias às autoridades, de casinhas humildes que custaram milhões de reais. Meu Deus! Como alguém pode esquecer uma casinha tão simples assim? Deve ser coisa de pobre mesmo, lembrar que só possui aquela casinha de bairro ou aquela laje para churrasco em um morro qualquer. Uma lembrança certamente inesquecível, comparada a quem tem tantas, uma em Miami, outra em Portugal, na França ou sabe-se onde. Deve dar para esquecer mesmo, principalmente se forem castelos imensos, onde se corre o risco de se perder lá por dentro.
Mas é isso, uma AMNÉSIA NACIONAL. Essa amnésia cultural que empurra o Brasil para frente.