quinta-feira, 25 de março de 2010

Contrastes de uma cueca

Sempre ouvimos dizer que o Brasil é um país dos grandes contrastes. E isso é uma verdade. No campo da raça humana, temos brancos, negros, amarelos, além da fusão disso tudo. Podemos dizer que em tudo existe uma imensa diversidade. Basta observarmos o clima das variadas regiões, as terras, a fauna e a flora.
O contraste é tão intenso que até o modo de se utilizar uma cueca, demonstra este rico país de situações diversas e diferentes. Assim, no campo dessa roupa íntima do vestuário masculino, podemos ver atualmente duas principais formas de seu uso. Ou seja, há muita gente que, para a sobrevivência ou para manter a vida num status mais elevado, deve tanto dinheiro aos credores, que podemos afirmar, são pessoas que devem as próprias cuecas. E parece que essas dívidas são muito antigas, já que a expressão também é muito velha. As inadimplências em geral e os Bancos estão aí mesmo para confirmar essas histórias. E ficar devendo até as cuecas não deve ser muito ruim. Pelo menos, ao ficar sem elas o cidadão tem certas partes do corpo menos apertadas e também mais arejadas.
Por outro lado, parece ter virado moda também no Brasil esse negócio de guardar dinheiro nas cuecas. Alguns políticos e empresários que assim foram flagrados, podem falar melhor sobre isso. Ou melhor, poderiam até mesmo dar umas aulas sobre o tema, para os demais, aqueles que acabam devendo peças tão importantes, que escondem outras peças tão importantes para o homem. É ou não é um país dos contrastes. Haja contrastes, ou melhor, dizendo, haja cuecas. Certamente uma indústria que jamais vai falir por aqui.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Educação Mumificada

TEXTO DEDICADO A TODOS OS BONS EDUCADORES QUE EXISTEM NO BRASIL

Poucos sabem e talvez muitos não saibam. A legislação brasileira ainda permite que candidatos a cargos eletivos participem incólumes de suas campanhas, mesmo que estejam rodeados de processos na Justiça. Dias atrás, uma emissora de rádio de Brasília lembrava mais uma vez o assunto. E, pior, mesmo que o candidato esteja mergulhado em inquéritos relativos a crimes mais graves, inclusive os de assassinato.
Há um projeto de lei rolando na Câmara Federal, para regular esta situação incrível, que vem sendo chamado de “projeto da ficha limpa”. Tudo indica que o mesmo ainda rolará por muito tempo, empurrado com a barriga de quem não tem o menor interesse em construir este País de forma sadia, mas que infelizmente está aí belo e faceiro ocupando cargos de poder. Cargos que, determinados por ancestrais da inusitada política nacional, oferecem muitos privilégios, dentre os quais se destaca a “grande proteção” da imunidade parlamentar.
Este ano, neste blog, foi postado apenas um texto no dia 1º de janeiro. “Essa vida de todos os dias” não deixou de ser observada por este espaço criado na internet. E a conclusão a que se chegou foi a de que nada mudou de verdade no que se refere em geral ao nosso comportamento do dia a dia por este Brasil afora. As mesmices de anos e anos se repetiram nesses 60 dias. Mesmices desagradáveis, que só fazem piorar a qualidade da vida humana, que passa tão depressa. E muitas dessas mesmices ligadas, sem dúvidas, a nossa falta de educação e à ausência de uma cultura de mais respeito ao cidadão brasileiro.
Assim, vimos repetidas de janeiro até agora as mesmas violências urbanas, que resultam em mortes estúpidas, os mesmos problemas da saúde, do transporte e outros do cotidiano. E assistimos todos os dias aos “shows” da cara de pau e das mentiras absurdas, que pretendem nos tornar idiotas, promovidos por muitos (isto para não radicalizar) de nossos políticos e governantes, eleitos pela maioria de nós. Nós, os sempre cidadãos “ordeiros” e “cordiais”, como costumam nos apelidar. Sim, porque isto já está mais para um apelido, uma tarja, um rótulo de um produto fabricado, do que para um elogio a um povo. Aí, só lembrando o José Simão, do Monkey News, com suas notáveis gozações sobre a cena brasileira. Talvez por isso sejamos levados a rir de todas essas desgraças, para não levá-las tão a sério e depois cairmos duros, mortos pelo infarto. De raiva.
Voltemos agora ao parágrafo inicial desta postagem, que é o seu tema básico de hoje. É lido, corrido e sabido, não sabemos se por poucos ou por muitos e neste último caso a coisa fica mais séria, que a lei no Brasil sempre oferece brechas para muitos safados se safarem de suas sujeiras praticadas e, lógico, quando pegos em flagras obtidos com os modernos meios tecnológicos de som e imagem. Embora as coisas estejam mudando sensivelmente, ou seja, algumas podridões já são detectadas e seus produtores já são indiciados e, em alguns casos, até presos (presos ???!!!), muita coisa ainda precisamos fazer por nós, a parcela do povo que trabalha, produz e paga os impostos exigidos pela mesma legislação que permite a esperteza de poderosos.
É engraçado perceber que tais pessoas, que infectam o solo brasileiro e atiram lama em nosso maior símbolo nacional, da Ordem e do Progresso, conseguem enrolar, adiar, empurrar adiante as suspeições de práticas de crimes contra o patrimônio público. Conseguem fazer isso, obviamente, com extrema dose de cara lisa, de “indignações” prontas, utilizando-se de “bons” e “famosos” advogados para eles, pagos regiamente (eles têm dinheiro para isso), embora para o restante da população tais defensores só fazem prestar um desserviço público.
Além dos terremotos que têm ocorrido pelo mundo todo neste início de ano e as chuvas torrenciais que têm feito a desgraça de muita gente brasileira neste verão, um fato está sacudindo o Brasil no momento atual. A prisão, ou melhor, a detenção, melhor dizendo, do governador do Distrito Federal, em fevereiro passado.
Mais uma entre milhares de coisas estranhas que acontecem no meio político do País. Se o senhor José Roberto Arruda recebeu ou não o dinheiro, em ato flagrado por um vídeo mostrado centenas de vezes pela televisão, isto só ele e Deus é que sabem. Com certeza jamais saberemos de fonte limpa. E com certeza ele jamais ficará preso por muitos anos. Tem sido assim sempre. Aos poderosos que lesam o patrimônio nacional, seja do modo que for, nunca se consegue acusar frontalmente e diretamente. São e por muito tempo serão tratados apenas como “suspeitos” dos fatos que emergem do lamaçal.
E, no meio dessa confusão e do circo armado, ficamos nós, os pagantes dos ingressos. Sim, porque nós pagamos e eles atuam. Alguns pagantes o fazem com revolta, mas muita gente parece pagar com satisfação, enaltecendo esses espetáculos. E a peça, que deveria mais ser censurada, não o é, especialmente quando uma parcela dos pagantes se diverte e até aplaude seus verdadeiros ídolos, que, geralmente retornam em uma próxima temporada.
A quantos espetáculos chatos como esses ainda teremos que assistir? Verdadeiros shows da vergonha, que se eternizam mais do que algumas maravilhosas peças de teatro que ficaram em cartaz por 30 ou 40 anos na Broadway em New York.
Resumindo a ópera nacional: temos muito a aprender para fortalecer a cultura brasileira com valores melhores de respeito ao cidadão, ao ser humano. Por enquanto a nossa educação ainda continua em baixa, talvez com alguns progressos a passos lentos devido ao esforço de pessoas entusiastas com o assunto. Faz tanto tempo essa situação que em pouco tempo a nossa educação vai ficar tão famosa quanto à múmia do faraó egípcio Tutankhamon. Mumificada e conhecida mundialmente.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O Tempo de 2010

Hoje. 1º de janeiro de 2010. Estamos diante de um novo tempo. Um tempo que vem e que passa e, se bobearmos, não teremos avançado muito nele. Ou seja, estaremos do mesmo jeito como estamos agora, quando chegarmos ao limiar de 2011. Então, nesse caso, o de bobearmos em não aproveitar o novo tempo, teremos perdido o dito que não voltará nunca mais, como estes 2009 anos após Cristo jamais voltarão.
Porém, não adianta pensar muito nisto, pois tempo passado é tempo que se foi. Guardemos apenas as lembranças boas, felizes (ainda bem que essas sempre existem) e vamos em frente.
Como sempre acontece ao final de cada ano, milhares de mensagens maravilhosas de paz, amor e felicidades, foram escritas e faladas neste final de 2009. É quase certo que cada habitante do planeta disse para si mesmo, ao despontar este novo ano: “este ano não vai ser igual àquele que passou...” Ao seu modo, em cada idioma, isso foi mais ou menos pensado, dentro daquela capacidade inerente ao ser humano em se transformar para melhor. Mas que, ao mesmo tempo, custosa.
O ano novo sempre é esperado por muitos com ansiedade, como a época em que a vida será melhor, que a partir dali tudo será diferente e que a felicidade plena há de chegar. Mais ou menos como a promessa daquela pessoa que fuma há 20 ou 30 anos e que, de repente, sente-se impelida a deixar de fazê-lo a partir de um determinado ponto da vida. Aí, marca-se a hora e o dia.
Se lermos e relermos com atenção as mensagens de final de ano, observarmos o nosso desejo férreo de mudar para melhor, a gente também pode concluir como o nosso comportamento chega a ser engraçado e mesmo infantil, talvez por conta da influência do nosso querido Papai Noel. Muita gente espera o ano novo como se fosse um pacote que chegará pelo correio, numa bela embalagem com laços de fita, tudo impecável. E, dentro dele, um monte de felicidades, amor e alegrias que irão nos envolver por 365 dias. Pensando bem, seria fantasticamente maravilhoso se fosse mesmo assim.
Todavia, esse novo tempo de 365 dias sempre chega quieto, como silenciosamente chegam todos os dias de nossas vidas. O sol nasce e nos enche de luz, ou o sol não aparece e as nuvens tomam conta do espaço acima de nós, numa linguagem da mãe natureza a nos dizer que não temos mesmo o controle sobre tudo.
Então, já que o novo ano sempre chega quieto, nós é que fazemos barulho e movimento, gritamos, cantamos e batemos palmas, como se quiséssemos dizer ao novo tempo que chega: “agora você vai ver, seja bem vindo, mas nós vamos mudar tudo, vamos ter paz, felicidades, alegrias, saúde e tudo de bom”. Mas, o tempo, que a gente nunca consegue ver, porque ele passa muito depressa, parece dizer algo para nós. Algo que não conseguimos escutar, tamanha a barulheira no momento de sua passagem. Talvez ele nos quisesse dizer para termos muita força de vontade para mudar a face do planeta, ou talvez quisesse dizer naquele instante que, para isso se realizar, vai ser preciso muito amor, fé, caridade e esperança. E assim, envolvidos naquela ocasião de intensa alegria e confraternização, muitos de nós continuamos a esperar a abertura daquele pacote Feliz Ano Novo que acabou de chegar.
Fica então, aqui neste blog, mais uma mensagem de apenas quatro palavras, dentre as inúmeras que todos devem ter recebido de amigos ou visto pela mídia. Para você, em 2010, FÉ, AMOR, ESPERANÇA E CARIDADE. Estas quatro palavras foram retiradas de um livro muito especial, que nos fala sobre a finalidade de cada um de nós em cima da Terra. Não são palavras para serem praticadas em seu sentido mais superficial. E, a bem da verdade, são ações de muito difícil execução, porque exigem que acreditemos em algo muito acima de nós e que detém o controle final sobre tudo que orienta o Universo em que vivemos. Lendo o livro que mencionei, acredito que sejam os quatro ingredientes básicos que, adicionados a outros, podem transformar nossas vidas em algo muito melhor e, consequentemente, a vida do mundo inteiro. Tão bom seria que governantes e líderes mundiais praticassem de verdade essas simples quatro palavras. Por enquanto, utopia. Por enquanto, esses mesmos nos deixam acreditando e esperando por aquele “pacote” que vai chegar pelo correio e nos fazer felizes.
Deixemos isso pra lá. O que importa mesmo é cada um fazer a sua parte do melhor modo possível. Quanto àquelas quatro palavras, só nos resta descobrir o seu sentido mais profundo. Fé, amor, esperança e caridade. Que você seja feliz na sua transformação para melhor. Fique certo ou certa de que o planeta irá lhe agradecer. A maneira? Espere e verá. Esperança.
Um 2010 cheio de enormes realizações pessoais, espirituais e materiais. Somente cada um de nós pode ser capaz de conseguir isso. Por isso, felicidades na tarefa. Ah, e não espere pela abertura do pacote. Hoje, dia primeiro, já tiramos as fitas. Daqui a pouco ele começa a ser aberto. E não se surpreenda se, de dentro dele, começarem a sair Dilmas, Serras, cobras, lagartos e outros bichos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A FELICIDADE DO NATAL

O que falar dessa nossa cena cotidiana brasileira, quando faltam apenas duas semanas para o Natal e três para o novo ano chegar? O Brasil, de verdade, melhorou socialmente? Podemos acreditar nessa infinidade de propagandas governamentais que nos apontam mudanças fantásticas no País, pela boca de nossos ministros e demais autoridades do governo? Sem contar que custam uma fábula de dinheiro, do dinheiro público, especialmente quando veiculadas pela televisão. Ou seriam tais propagandas tão disfarçadas como uma “patada de elefante” ou aquele cobertor curto, com o qual tentamos cobrir a cabeça, e os pés ficam de fora e, se conseguimos cobrir estes, então a cabeça fica a descoberto? Ou seja, tudo mostrado através daquela velha estratégia de se manter o poder pelo poder, com o uso da ingenuidade alheia. Vai saber!
Apesar dos pesares, não sejamos do contra. Acreditemos ou pelo menos vamos fingir que acreditamos, já que a época é natalina, de confraternização. Confraternização da paz talvez de um só dia no ano, em que o clima de festa nos faz esquecer os demais 364 dias de batalha pela sobrevivência num ambiente poucas vezes favorável.
É a luta diária pelo transporte que nos leva ao trabalho. É a decepção quando chegamos à porta de um hospital em busca de um atendimento digno. É a violência urbana em todas as suas modalidades. É a visão constante de imagens e textos que apontam para a comilança do dinheiro público exagerada. Sim, porque já se comporta como exagero a troca de favores entre amigos de diversos níveis, que culmina com o desvio do dinheiro da Nação dos seus verdadeiros propósitos, como o asfalto em estradas, o número adequado de leitos e equipamentos em hospitais, o ensino eficaz para que se faça a luz na cabeça de milhões de irmãos, entre outras coisas.
Diante de alguns países que desenvolveram suas culturas com base numa educação aprimorada e nos melhores valores humanos, morais e éticos, ainda estamos muito atrasados. Isso podemos até saber, mas talvez não damos a devida importância e quantas vezes ressaltamos somente as porcarias desses mesmos países. O que é de se lamentar.
Estamos mergulhados e quase acostumados aos meandros da corrupção humana. Pelo menos é o que parece, quando lemos os nossos jornais ou ligamos nossos aparelhos de TV. Todavia, segundo sempre afirmam os suspeitos ou denunciados envolvidos nessa área, tudo não passa de armações, de montagens feitas por adversários políticos, de invencionices dos nossos ilustres jornalistas nacionais. O texto ainda é o mesmo, velho, de muitos anos atrás.
Então, o que fazer? O de sempre? Fechar os olhos, esquecer, beber o vinho do Natal, comer a rabanada, o peru assado? Brindar com champanhe ou espumante mais barato a chegada do Novo Ano cheio das esperanças? Depois esperar pelo Carnaval, Semana Santa, Feriado de Corpus Christi, Dia dos Namorados, Festas Juninas, Copa do Mundo na África do Sul, Dia das Crianças, Feriadões e novamente o final de 2010? Talvez seja melhor deixar rolar tudo mesmo. Pelo menos assim talvez possamos conquistar pequenos momentos de felicidades particulares.
Essa não é obviamente uma mensagem de final de ano. Seria tremendamente negativo desejar uma mensagem dessas às pessoas que agora já estão envolvidas no corre e compra para os festejos de final de ano. Uma mensagem feliz para um final de ano tem que conter palavras que animem, que criem esperanças e que apontem para um mundo maravilhoso que está por vir, caindo de bandeja aos nossos pés. Tem que ser uma mensagem oriunda do Paraíso em que, para aqueles que ainda acreditam em Papai Noel, o bondoso velhinho venha rodeado de anjinhos azulados com asas brancas tal qual a pureza dos hipócritas corações humanos, trazendo no seu saquinho uma montoeira de presentes para todos os que se comportaram direitinho o ano inteiro.
De qualquer modo, o que dizer então, o que transmitir? Tenham todos, um Natal infeliz?
Claro que não. Então, que todos mergulhemos no clima natalino e de passagem para mais um novo período, fechemos os olhos e peçamos de verdade a transformação do mundo para melhor. Pela redução ou extinção das hipocrisias, das ilusões falsas, das promessas enganosas, das artimanhas e falcatruas esquisitas que suavemente vão eliminando o direito a uma vida verdadeiramente melhor. Uma prece que seja forte o suficiente para restaurar o coração e a dignidade dos homens sobre a Terra.
Esquecer as coisas ruins, que ocorrem sutilmente e que apenas os mais atentos conseguem enxergar, pode acontecer mesmo, desde que os bons ventos dos melhores valores humanos voltem a soprar.
Do contrário, tudo não passará de atos e fatos repetidos periodicamente. E desse modo ficará a pergunta no ar: “até quando?”
Mesmo assim, seguirá a mensagem deste blog, de modo comum, o mais simples possível: TENHAM TODOS UM FELIZ NATAL, na medida em que cada um puder conseguir ter essa noite de magia verdadeiramente de felicidade. E felicidade é coisa muito pessoal. É de fato um esforço individual de conquista. “Hoje será um novo dia, de um novo tempo”, se lutarmos para isso. Até 2010. (plim plim)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Um dia a casa cai

Os políticos corruptos e que não são poucos no Brasil - isso é uma longa história, parecem apostar numa espécie de "idiotice" do povo. Talvez não estejam muito atentos às modernas tecnologias hoje disponíveis. Gravações, vídeos, câmeras escondidas, etc, tudo muito pequenino, fáceis de se introduzir em chips, que são verdadeiros barris de pólvora.
Depois, não adianta aparecer com a cara deslavada, de pau, dizendo que "as imagens não provam por si mesmas" o fato indecente e que serão necessárias milhares de reuniões e comissões de investigação, geralmente compostas por gente que não pode sentar com o "rabo" perto do braseiro.
Ora, a internet hoje, por si só, já é um tremendo meio de comunicação. Mal estoura um escândalo, desses à moda brasileira, que já sabemos o início, o meio e como vão terminar, o povo corre para seus computadores e cria. Cria sátiras, gozações sobre o evento podre, piadas e também repassa, aos emails de suas agendas, outra série de fatos escusos complementares, denunciados não se sabe por quem.
Enfim, atualmente, essa imensa categoria suja, de políticos e governantes nacionais, precisa pisar no freio um pouco que seja. São inteligentes em seus esquemas de se apropriar do dinheiro público, mas esquecem da velocidade vertiginosa da mídia moderna. O que os "salva" de certo modo, ainda é aquela característica cultural da cara de pau diante de uma podridão descoberta, que sempre os deixa "indignados" perante tamanha capacidade da imprensa em "distorcer os fatos e montar vídeos falsos".
A gente pode também imaginar que esses cidadãos, de certo modo, não têm sossego. Será que conseguem dormir bem a noite toda? Ou passam a noite pensando naquela fileira de homens e mulheres envolvidos em seus esquemas e "esquemões", de carregar malas de dinheiro, enfiar dinheiro em meias e cuecas e as damas, quiçá, em suas calcinhas, desde que não usem os modernos fios dentais? Sim, porque para essa intensa e já comum distribuição do nosso dinheiro público, há que se ter muita gente envolvida, muita gente que se vende até por pouco mesmo, muita gente que não gosta do trabalho produtivo sadio e se encosta nesses esquemas em que o dinheiro caminha mais fácil em suas direções. Ao mesmo tempo, essa teia é perigosa, pois tanta gente envolvida faz com que imensos terremotos humanos ocorram quando um ou dois são pegos no flagra fazendo tanta sujeira. É como se um imenso poço subterrâneo explodisse, jorrando não o petróleo, essa riqueza natural, mas volumes enormes de merda sobre a terra. E aí, quando isso ocorre, não há outra forma a não ser lavar a cara de pau e caminhar sobre a lama fétida orgânica com a postura de um ser supremo. Isto só acontece porque há muita gente por aqui mais do que acostumada a viver atolada no meio dessa merda toda.
Falando sério, mesmo que tudo ainda continue como a gente sabe que costuma a ser no Brasil, ou seja, consigam costurar essa monstruosa teia de ação entre amigos, o bom é que já fica um pouco evidente que o povo já está começando a enxergar, embora ainda existam milhões de ignorantes cegos e crédulos no que pregam as vozes da podridão nacional. Resta então a esperança de que possam existir, no meio desse vendaval na zona, pessoas, políticos que não estejam com o sangue envenenado pelos vírus de "mensalões" e outras bactérias oriundas das trevas. Será que existem? Não percamos a esperança, mesmo que esses ainda estejam por nascer em solo pátrio.
A imprensa brasileira poderia fazer matérias mais esclarecedoras ao povo, por exemplo, mostrando os inúmeros prejuízos que sofremos quando o dinheiro público é levado dentro de cuecas, meias e malas. Levados para os caixas dois de partidos políticos, para construção de mansões por aqui e no exterior, compra de apartamentos e belos carros novinhos ou contas bancárias em paraísos fiscais no exterior. Somos levados a pensar, só por um instante, quando em Brasília podemos apreciar toda aquela frota de veículos nacionais e importados, sempre reluzentes em suas latarias e irremediavelmente sempre com a data do ano atual, a desfilar pelas largas avenidas da cidade. Sim, só por um instante, porque depois temos que nos voltar para nossas vidas e pensar como fazer para pagar essa carga tributária brasileira imensa anual, que depois, nesse ciclo vicioso sem vergonha, será desviada pelos esquemas brabos em meio à intimidade genital dos nossos eleitos.
E, em meio a tal intimidade, os inúmeros pacotes de dinheiro reduzem os leitos em hospitais brasileiros, a educação nas escolas, os salários de professores, o asfalto em nossas estradas, o alimento em nossa mesa, isso apenas para citar alguns dos milhares de itens que nos são lesados a cada ato indecente do tipo dos milhares que ocorrem certamente em todas as esferas do setor público do País.
Portanto, só nos resta esperar o futuro. Esperar que as mentes brasileiras se abram para o esclarecimento da verdade, que os ignorantes desse estado de coisas o deixem de ser, que os crédulos não sejam tanto assim e que, sobretudo, todos os nossos milhões de irmãos não se deixem enganar por esse bando de vampiros do suor de um povo. Há um ditado que diz: "um dia a casa cai", principalmente quando os alicerces são feitos com lama, para o desvio do material apropriado. E essa casa vai cair. Quem viver, verá.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A corrida e a raiva

A rua estreita, com inúmeros prédios residenciais. Apesar disso, um grande movimento de tráfego passa por ela. A cidade pode ser qualquer uma. Mas o fato é verídico e corriqueiro. Acontece sempre desse modo ou parecido. Foi visto e testemunhado em silêncio.
O motorista vem com seu carrinho e dá sinal que vai entrar na garagem de um prédio. Obviamente ele reduz a velocidade e ficou evidente que ele fez a sinalização adequada. Todavia, os motoristas que vêm atrás se irritam. Buzinam, dão com a mão para fora dos seus carros. A hora, por volta das 8 da manhã. Todos apressados para ganhar o pão de cada dia. Todos certamente não acordaram num tempo adequado para sair e enfrentar o mundo lá fora. Todos estão estressados e engarrafados.
Mas, por que aquele cidadão tinha logo que diminuir sua marcha para entrar na garagem daquele edifício? Porra, atrapalhando todo mundo! Ele que fosse em frente, largasse seu carro em qualquer lugar, desse a volta no quarteirão, mas, em hipótese nenhuma provocasse uma redução repentina do movimento de tráfego naquela rua. Afinal, não seria possível, num caso desses, em que um idiota tenta entrar no edifício em que mora e atrapalha o tráfego, passar a qualquer custo por outro lugar, subir na calçada, ou desviar daquele infeliz de merda que reteve o tráfego.
Pois assim é o cotidiano da vida em nossas cidades, onde todo mundo está correndo, muitos até sem saber exatamente o porquê. Muitas das vezes porque vêm os outros correndo ou porque disseram que a vida na cidade grande tem que ser assim, não se pode perder tempo. No que perdeu tempo para chegar alucinado aonde se vai, pode já encontrar outro, que correu mais, sentado em seu lugar.
Felizes então aqueles que se livram dessa loucura ou conseguem conviver na maior paz com essa doença metropolitana.