sábado, 29 de maio de 2010

A democracia virtual dos internautas

Ler na internet, comentários das pessoas sobre os vários temas que rolam na rede, pode ser algo muito divertido e permite a observação do sempre saudável exercício de democracia. A opinião dos internautas nos fornece uma amostragem do que vai pelas cabeças, do que se pensa nesta época contemporânea. Praticamente ainda estamos no início do uso desse moderno meio de comunicação, especialmente no Brasil, onde o acesso ainda é restrito às pessoas que têm melhores condições financeiras para a utilização da rede mundial de computadores. E também pelas evidentes falhas das tecnologias já usadas para a navegação. Ou seja, ainda há por aí muitas zonas de “sombras” e tais sombras não se limitam somente as falhas tecnológicas.
No entanto, vamos deixar essas sombras de lado e vamos rir, concordar ou discordar dos comentários dos internautas na internet.
Pelos comentários a gente também pode constatar a grande transformação dos costumes e comportamentos por que passou a sociedade desde o advento da rede. Para os mais velhos, esta visão é evidente e imediata. E não se trata aqui de dizer que antes era melhor e que agora ficou pior. A verdade é que tudo mudou e mudou rapidamente. Há coisas que melhoraram e há coisas que pioraram, sem querer aqui pré-julgar ou julgar qualquer coisa. Afinal, quem está vivo, tenha a idade que tiver, está vivendo agora e tem que encarar tudo de frente. Se é bom ou se é ruim, isso é outra história.
O fato é que a internet é a grande enciclopédia moderna e dinâmica. Por intermédio dela, a gente pode saber, pesquisar, todo e qualquer assunto que se pode imaginar. Por ela, ficamos imediatamente a saber sobre qualquer fato, qualquer coisa que se diga, aqui por perto ou lá do outro lado do mundo. E, como todo mundo sabe, de modo veloz. Antes, quem caia na rede era peixe, agora cair na rede pode ser bom, mas pode ser também um “abacaxi”.
A internet pode ser usada para o bem e para o mal, aliás, como qualquer outra coisa neste mundo. E nos comentários feitos pelos internautas, podemos ver isso claramente. Pega-se qualquer assunto e logo vemos uma nova tendência que surge. A tendência do “botar a boca no trombone” virtualmente. Opiniões verbais, alto e bom som, são raramente audíveis em rodas de pessoas ou mesmo em círculo de amigos. Todavia, se surge assunto polêmico na rede, aí o povo coloca para fora todas as opiniões possíveis e muitas vezes inimagináveis. O que vai acontecer daqui a alguns anos, em futuro talvez breve, é impossível mesmo de se prever ou de se controlar.
Ao mesmo tempo em que isso ocorre pela rede, essa enxurrada de opiniões diversas sobre isso ou aquilo, podemos observar também algumas pequenas mudanças ou transformações por que vai passando a sociedade, de modo lento, gradual e quase sempre sutil. Uma delas é a própria transformação da linguagem. No caso do Brasil é a grande modificação da língua portuguesa, apesar dos esforços dos intelectuais e literatos, que, recentemente, introduziram uma nova mudança no idioma, suprimindo acentos, tremas, introduzindo novos modos de escrita dos verbetes, etc. Na rede e vamos aqui nos prender apenas aos sites de língua portuguesa, vemos um grande número erros de grafia de palavras do idioma pátrio. Agora, quando vamos ler os comentários de internautas, a incrível transformação do português está gritante. Há momentos em que não há outro jeito, a não ser rir bastante, pois o conteúdo já hilariante de certos comentários, associado aos erros de grafia, certamente nos conduzem a gargalhadas incontroláveis. Há pessoas que já começam a se perguntar o porquê tiveram que aprender a forma correta de falar e escrever a língua portuguesa.
Pesquisar este aspecto na internet pode nos dar a idéia do grau atual de conhecimento de muitos dos nossos irmãos de pátria. Leva-nos possivelmente a repensar ou pensar pelo menos em como anda o ensino no Brasil. Aumentou-se o número de escolas e de alunos? Mas, e a qualidade do ensino? Outra coisa também a se levar em conta é que pela internet vai surgindo devagar ou rapidamente (depende do ângulo que se olha), uma linguagem cifrada, abreviada, tipo o “não” é “naum”, “abraços” é “abs”, “cara” é “kra”, e por aí vai.
O fato é uma constatação. A constatação de uma transformação do mundo, da sociedade, etc. E não apenas porque as pessoas estão escrevendo ou falando de outro modo, ou porque não sabem se expressar de outro modo. Mas trata-se de uma constatação de que ocorre velozmente uma grande mudança no jeito de ser de uma época. E aí dirão alguns que estamos em pleno século 21. Claro, óbvio, todos estamos. E deixando de lado a questão da linguagem modificada, aviltada, transformada, ou de um semi-analfabetismo generalizado, vamos pensar somente nas mudanças dos valores. Nos comentários dos internautas há de tudo. Preconceitos acirrados sobre determinados assuntos, aberturas extremas para outros, falta de respeito, falta de educação, comentários sérios, respeitosos, enfim, acontece de tudo. E de tudo que acontece, a gente consegue ver uma coisa, principalmente quando os comentários se referem à atitude de alguém e quando esse alguém é pessoa notória ou pública.
Nesse caso, a opinião dos internautas acaba demonstrando que, apesar de tudo se transformar de época para época e que o foi ontem não é mais hoje, ainda persiste a mania do ser humano de gostar de saber da vida alheia e dar palpites nela, esquecendo-se da sua própria. Resumindo, enquanto se fofoca a vida dos outros, a nossa vai passando e muita coisa fica sem solução. E os países, obviamente formados por pessoas, acabam seguindo o mesmo caminho. E metem o bedelho nas questões alheias, esquecendo-se dos seus problemas internos, por mais simples que sejam nas velhas áreas da educação, do transporte, do trabalho e da saúde.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

MALHANDO OS "JUDAS"

Dia 02 de abril de 2010. Sexta feira santa ou da Paixão de Cristo. O dia hoje amanheceu cinzento em Brasília, com cara de “sexta feira santa” mesmo. Assim se costuma dizer quando um dia está calmo demais, com nuvens de chuva encobrindo o azul do céu, bem carregadas. Mas hoje, é mesmo o dia considerado santo, feriado, tudo fechado, os fiéis religiosos revivendo a via Sacra de Cristo, rezando, pedindo proteção, pagando promessas e crendo que, com muita fé, Deus e seu Filho irão olhar por nós, pobres pecadores nesta Terra. Um dia, sobretudo, de muita meditação e para quem quiser acreditar em extraordinários milagres divinos.
Esta sexta ficou mais calma ainda, para quem ficou, não foi a lugar nenhum, nem viajou, nem foi ao cinema ou almoçar numa praça de alimentação de shopping. Quem viajou, movimentou-se, aproveitou deste modo o feriado. Quem ficou em casa, aproveitou de outra forma, colocando em dia alguma coisa doméstica, batendo papo com a família e amigos ou até mesmo dormindo, quando não optou por ouvir música ou ver televisão.
Acontece que amanhã, sábado – o sábado de Aleluia, é como se as pessoas, especialmente aqueles religiosos citados, acordassem para a ressurreição da própria vida. Claro que tem muita gente que nem se toca com isso. Afinal, nesses tempos modernos, em que tanta coisa, tantos valores anteriores caíram por terra, um feriado, por esta ou aquela data, é apenas mais um feriadão e oportunidade para um bom descanso e diversão. E aqui, nada contra aos que procedem assim. Não significa que pessoas que se divertem, não tenham também suas crenças particulares ou mesmo as populares.
Ocorre que este texto não quer questionar nada disso. Obviamente, surgiu por algo, por algum fato. E, na calmaria desta santa sexta feira, surgiram lembranças de tradições cultuadas especialmente no sábado de Aleluia. A “Malhação do Judas”, o traidor de Cristo. Espanhóis e portugueses trouxeram para a América do Sul essa tradição. Daí, nas cidades brasileiras criou-se o costume da confecção de bonecos de pano, no tamanho de um homem, que representavam o Judas traidor. Só que, logo em seguida, o povo aproveitou para colocar nesses bonecos os nomes de pessoas que não estavam muito no agrado popular. Políticos, governantes, comerciantes ou até algum vizinho da região, do bairro, que tivesse causado algum transtorno geral nos meses anteriores.
A malhação do Judas sempre foi uma coisa divertida nas manhãs do sábado de Aleluia. Os bonecos amanheciam pendurados nos postes das ruas e por volta das 10 da manhã, as pessoas caiam literalmente de pau neles, numa espécie de libertação de seus recalques ou aborrecimentos contra aquela figura certamente não muito popular. E com isso, muitas vezes, a própria figura do Judas Iscariotes acabava no esquecimento.
Todavia, o tempo passou e com isso, principalmente nas grandes cidades, o ato de malhar o Judas foi se dissolvendo. Provavelmente, a maioria das crianças nascidas agora, nunca irão se divertir com essa manifestação que agradava a muitos e com certeza desagradava aos “malhados”. Aliás, malhado hoje tem outro sentido. São os que malham nas academias de ginástica e por fim acabam sarados.
Pensando bem, muita coisa aconteceu para o quase fim e esquecimento dessa tradição popular, que hoje não vemos ou ouvimos falar muito como antes. As cidades cresceram quase que incontrolavelmente. E mesmo assim, com os inúmeros postes de rua decorrentes do seu crescimento, com certeza faltariam esses para se dependurar a quantidade incontável de “Judas” atuais, os traíras dos tempos modernos, que proliferaram aos milhares, como se uma epidemia de mau caráter tivesse se espalhado geral.
Então, com a ausência dos bonecos de pano pelos postes, os jovens de hoje ficaram privados deste prazer particular, de pelo menos uma vez ao ano, terem a satisfação de assistir ou mesmo participar do festival de cacetadas nas figuras de certos traidores do meio social.
Contudo, apesar do quase final da era dos Judas pendurados em postes, ainda resta um ponta de esperança para que essa “malhação” não seja cada vez mais uma coisa de academias do culto ao corpo. Isto vai depender, mais uma vez, do processo educativo das populações, que seja realizado em alto nível, com a colocação de muita “luz” na cabeça das pessoas. Somente assim, malhar os diversos Judas será possível com um ato de inteligência e não troglodita como era feito até então. Vamos então aguardar a chegada de alguém que não tema a disseminação verdadeira da educação e da cultura no seio da massa populacional. A transferência de conhecimentos é igual à transfusão de sangue. Quanto mais se doa sangue, mais o sangue aumenta no corpo do cidadão. Com a educação não é diferente, mas ainda assusta a alguns, especialmente candidatos a Judas por aí afora, traidores que a seu modo irão dar em nós, a rasteira certa no momento oportuno.
Enquanto isto não acontece de verdade, vamos aguardar, pois, domingo será mais uma comemoração da Páscoa. E esta simboliza a renovação da própria vida. Quem sabe este domingo, dia 04 de abril, não marque o início de uma verdadeira renovação. Milagres podem acontecer. Nunca é demais manter a esperança, já que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Este ano é um ano importante para nós, brasileiros. Devemos renovar muita coisa por aí. Por isso, Feliz Páscoa e felizes escolhas daqui por diante, com “malhações” inteligentes, “doa a quem doer”. E essa foi um plágio evidente.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Contrastes de uma cueca

Sempre ouvimos dizer que o Brasil é um país dos grandes contrastes. E isso é uma verdade. No campo da raça humana, temos brancos, negros, amarelos, além da fusão disso tudo. Podemos dizer que em tudo existe uma imensa diversidade. Basta observarmos o clima das variadas regiões, as terras, a fauna e a flora.
O contraste é tão intenso que até o modo de se utilizar uma cueca, demonstra este rico país de situações diversas e diferentes. Assim, no campo dessa roupa íntima do vestuário masculino, podemos ver atualmente duas principais formas de seu uso. Ou seja, há muita gente que, para a sobrevivência ou para manter a vida num status mais elevado, deve tanto dinheiro aos credores, que podemos afirmar, são pessoas que devem as próprias cuecas. E parece que essas dívidas são muito antigas, já que a expressão também é muito velha. As inadimplências em geral e os Bancos estão aí mesmo para confirmar essas histórias. E ficar devendo até as cuecas não deve ser muito ruim. Pelo menos, ao ficar sem elas o cidadão tem certas partes do corpo menos apertadas e também mais arejadas.
Por outro lado, parece ter virado moda também no Brasil esse negócio de guardar dinheiro nas cuecas. Alguns políticos e empresários que assim foram flagrados, podem falar melhor sobre isso. Ou melhor, poderiam até mesmo dar umas aulas sobre o tema, para os demais, aqueles que acabam devendo peças tão importantes, que escondem outras peças tão importantes para o homem. É ou não é um país dos contrastes. Haja contrastes, ou melhor, dizendo, haja cuecas. Certamente uma indústria que jamais vai falir por aqui.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Educação Mumificada

TEXTO DEDICADO A TODOS OS BONS EDUCADORES QUE EXISTEM NO BRASIL

Poucos sabem e talvez muitos não saibam. A legislação brasileira ainda permite que candidatos a cargos eletivos participem incólumes de suas campanhas, mesmo que estejam rodeados de processos na Justiça. Dias atrás, uma emissora de rádio de Brasília lembrava mais uma vez o assunto. E, pior, mesmo que o candidato esteja mergulhado em inquéritos relativos a crimes mais graves, inclusive os de assassinato.
Há um projeto de lei rolando na Câmara Federal, para regular esta situação incrível, que vem sendo chamado de “projeto da ficha limpa”. Tudo indica que o mesmo ainda rolará por muito tempo, empurrado com a barriga de quem não tem o menor interesse em construir este País de forma sadia, mas que infelizmente está aí belo e faceiro ocupando cargos de poder. Cargos que, determinados por ancestrais da inusitada política nacional, oferecem muitos privilégios, dentre os quais se destaca a “grande proteção” da imunidade parlamentar.
Este ano, neste blog, foi postado apenas um texto no dia 1º de janeiro. “Essa vida de todos os dias” não deixou de ser observada por este espaço criado na internet. E a conclusão a que se chegou foi a de que nada mudou de verdade no que se refere em geral ao nosso comportamento do dia a dia por este Brasil afora. As mesmices de anos e anos se repetiram nesses 60 dias. Mesmices desagradáveis, que só fazem piorar a qualidade da vida humana, que passa tão depressa. E muitas dessas mesmices ligadas, sem dúvidas, a nossa falta de educação e à ausência de uma cultura de mais respeito ao cidadão brasileiro.
Assim, vimos repetidas de janeiro até agora as mesmas violências urbanas, que resultam em mortes estúpidas, os mesmos problemas da saúde, do transporte e outros do cotidiano. E assistimos todos os dias aos “shows” da cara de pau e das mentiras absurdas, que pretendem nos tornar idiotas, promovidos por muitos (isto para não radicalizar) de nossos políticos e governantes, eleitos pela maioria de nós. Nós, os sempre cidadãos “ordeiros” e “cordiais”, como costumam nos apelidar. Sim, porque isto já está mais para um apelido, uma tarja, um rótulo de um produto fabricado, do que para um elogio a um povo. Aí, só lembrando o José Simão, do Monkey News, com suas notáveis gozações sobre a cena brasileira. Talvez por isso sejamos levados a rir de todas essas desgraças, para não levá-las tão a sério e depois cairmos duros, mortos pelo infarto. De raiva.
Voltemos agora ao parágrafo inicial desta postagem, que é o seu tema básico de hoje. É lido, corrido e sabido, não sabemos se por poucos ou por muitos e neste último caso a coisa fica mais séria, que a lei no Brasil sempre oferece brechas para muitos safados se safarem de suas sujeiras praticadas e, lógico, quando pegos em flagras obtidos com os modernos meios tecnológicos de som e imagem. Embora as coisas estejam mudando sensivelmente, ou seja, algumas podridões já são detectadas e seus produtores já são indiciados e, em alguns casos, até presos (presos ???!!!), muita coisa ainda precisamos fazer por nós, a parcela do povo que trabalha, produz e paga os impostos exigidos pela mesma legislação que permite a esperteza de poderosos.
É engraçado perceber que tais pessoas, que infectam o solo brasileiro e atiram lama em nosso maior símbolo nacional, da Ordem e do Progresso, conseguem enrolar, adiar, empurrar adiante as suspeições de práticas de crimes contra o patrimônio público. Conseguem fazer isso, obviamente, com extrema dose de cara lisa, de “indignações” prontas, utilizando-se de “bons” e “famosos” advogados para eles, pagos regiamente (eles têm dinheiro para isso), embora para o restante da população tais defensores só fazem prestar um desserviço público.
Além dos terremotos que têm ocorrido pelo mundo todo neste início de ano e as chuvas torrenciais que têm feito a desgraça de muita gente brasileira neste verão, um fato está sacudindo o Brasil no momento atual. A prisão, ou melhor, a detenção, melhor dizendo, do governador do Distrito Federal, em fevereiro passado.
Mais uma entre milhares de coisas estranhas que acontecem no meio político do País. Se o senhor José Roberto Arruda recebeu ou não o dinheiro, em ato flagrado por um vídeo mostrado centenas de vezes pela televisão, isto só ele e Deus é que sabem. Com certeza jamais saberemos de fonte limpa. E com certeza ele jamais ficará preso por muitos anos. Tem sido assim sempre. Aos poderosos que lesam o patrimônio nacional, seja do modo que for, nunca se consegue acusar frontalmente e diretamente. São e por muito tempo serão tratados apenas como “suspeitos” dos fatos que emergem do lamaçal.
E, no meio dessa confusão e do circo armado, ficamos nós, os pagantes dos ingressos. Sim, porque nós pagamos e eles atuam. Alguns pagantes o fazem com revolta, mas muita gente parece pagar com satisfação, enaltecendo esses espetáculos. E a peça, que deveria mais ser censurada, não o é, especialmente quando uma parcela dos pagantes se diverte e até aplaude seus verdadeiros ídolos, que, geralmente retornam em uma próxima temporada.
A quantos espetáculos chatos como esses ainda teremos que assistir? Verdadeiros shows da vergonha, que se eternizam mais do que algumas maravilhosas peças de teatro que ficaram em cartaz por 30 ou 40 anos na Broadway em New York.
Resumindo a ópera nacional: temos muito a aprender para fortalecer a cultura brasileira com valores melhores de respeito ao cidadão, ao ser humano. Por enquanto a nossa educação ainda continua em baixa, talvez com alguns progressos a passos lentos devido ao esforço de pessoas entusiastas com o assunto. Faz tanto tempo essa situação que em pouco tempo a nossa educação vai ficar tão famosa quanto à múmia do faraó egípcio Tutankhamon. Mumificada e conhecida mundialmente.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O Tempo de 2010

Hoje. 1º de janeiro de 2010. Estamos diante de um novo tempo. Um tempo que vem e que passa e, se bobearmos, não teremos avançado muito nele. Ou seja, estaremos do mesmo jeito como estamos agora, quando chegarmos ao limiar de 2011. Então, nesse caso, o de bobearmos em não aproveitar o novo tempo, teremos perdido o dito que não voltará nunca mais, como estes 2009 anos após Cristo jamais voltarão.
Porém, não adianta pensar muito nisto, pois tempo passado é tempo que se foi. Guardemos apenas as lembranças boas, felizes (ainda bem que essas sempre existem) e vamos em frente.
Como sempre acontece ao final de cada ano, milhares de mensagens maravilhosas de paz, amor e felicidades, foram escritas e faladas neste final de 2009. É quase certo que cada habitante do planeta disse para si mesmo, ao despontar este novo ano: “este ano não vai ser igual àquele que passou...” Ao seu modo, em cada idioma, isso foi mais ou menos pensado, dentro daquela capacidade inerente ao ser humano em se transformar para melhor. Mas que, ao mesmo tempo, custosa.
O ano novo sempre é esperado por muitos com ansiedade, como a época em que a vida será melhor, que a partir dali tudo será diferente e que a felicidade plena há de chegar. Mais ou menos como a promessa daquela pessoa que fuma há 20 ou 30 anos e que, de repente, sente-se impelida a deixar de fazê-lo a partir de um determinado ponto da vida. Aí, marca-se a hora e o dia.
Se lermos e relermos com atenção as mensagens de final de ano, observarmos o nosso desejo férreo de mudar para melhor, a gente também pode concluir como o nosso comportamento chega a ser engraçado e mesmo infantil, talvez por conta da influência do nosso querido Papai Noel. Muita gente espera o ano novo como se fosse um pacote que chegará pelo correio, numa bela embalagem com laços de fita, tudo impecável. E, dentro dele, um monte de felicidades, amor e alegrias que irão nos envolver por 365 dias. Pensando bem, seria fantasticamente maravilhoso se fosse mesmo assim.
Todavia, esse novo tempo de 365 dias sempre chega quieto, como silenciosamente chegam todos os dias de nossas vidas. O sol nasce e nos enche de luz, ou o sol não aparece e as nuvens tomam conta do espaço acima de nós, numa linguagem da mãe natureza a nos dizer que não temos mesmo o controle sobre tudo.
Então, já que o novo ano sempre chega quieto, nós é que fazemos barulho e movimento, gritamos, cantamos e batemos palmas, como se quiséssemos dizer ao novo tempo que chega: “agora você vai ver, seja bem vindo, mas nós vamos mudar tudo, vamos ter paz, felicidades, alegrias, saúde e tudo de bom”. Mas, o tempo, que a gente nunca consegue ver, porque ele passa muito depressa, parece dizer algo para nós. Algo que não conseguimos escutar, tamanha a barulheira no momento de sua passagem. Talvez ele nos quisesse dizer para termos muita força de vontade para mudar a face do planeta, ou talvez quisesse dizer naquele instante que, para isso se realizar, vai ser preciso muito amor, fé, caridade e esperança. E assim, envolvidos naquela ocasião de intensa alegria e confraternização, muitos de nós continuamos a esperar a abertura daquele pacote Feliz Ano Novo que acabou de chegar.
Fica então, aqui neste blog, mais uma mensagem de apenas quatro palavras, dentre as inúmeras que todos devem ter recebido de amigos ou visto pela mídia. Para você, em 2010, FÉ, AMOR, ESPERANÇA E CARIDADE. Estas quatro palavras foram retiradas de um livro muito especial, que nos fala sobre a finalidade de cada um de nós em cima da Terra. Não são palavras para serem praticadas em seu sentido mais superficial. E, a bem da verdade, são ações de muito difícil execução, porque exigem que acreditemos em algo muito acima de nós e que detém o controle final sobre tudo que orienta o Universo em que vivemos. Lendo o livro que mencionei, acredito que sejam os quatro ingredientes básicos que, adicionados a outros, podem transformar nossas vidas em algo muito melhor e, consequentemente, a vida do mundo inteiro. Tão bom seria que governantes e líderes mundiais praticassem de verdade essas simples quatro palavras. Por enquanto, utopia. Por enquanto, esses mesmos nos deixam acreditando e esperando por aquele “pacote” que vai chegar pelo correio e nos fazer felizes.
Deixemos isso pra lá. O que importa mesmo é cada um fazer a sua parte do melhor modo possível. Quanto àquelas quatro palavras, só nos resta descobrir o seu sentido mais profundo. Fé, amor, esperança e caridade. Que você seja feliz na sua transformação para melhor. Fique certo ou certa de que o planeta irá lhe agradecer. A maneira? Espere e verá. Esperança.
Um 2010 cheio de enormes realizações pessoais, espirituais e materiais. Somente cada um de nós pode ser capaz de conseguir isso. Por isso, felicidades na tarefa. Ah, e não espere pela abertura do pacote. Hoje, dia primeiro, já tiramos as fitas. Daqui a pouco ele começa a ser aberto. E não se surpreenda se, de dentro dele, começarem a sair Dilmas, Serras, cobras, lagartos e outros bichos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A FELICIDADE DO NATAL

O que falar dessa nossa cena cotidiana brasileira, quando faltam apenas duas semanas para o Natal e três para o novo ano chegar? O Brasil, de verdade, melhorou socialmente? Podemos acreditar nessa infinidade de propagandas governamentais que nos apontam mudanças fantásticas no País, pela boca de nossos ministros e demais autoridades do governo? Sem contar que custam uma fábula de dinheiro, do dinheiro público, especialmente quando veiculadas pela televisão. Ou seriam tais propagandas tão disfarçadas como uma “patada de elefante” ou aquele cobertor curto, com o qual tentamos cobrir a cabeça, e os pés ficam de fora e, se conseguimos cobrir estes, então a cabeça fica a descoberto? Ou seja, tudo mostrado através daquela velha estratégia de se manter o poder pelo poder, com o uso da ingenuidade alheia. Vai saber!
Apesar dos pesares, não sejamos do contra. Acreditemos ou pelo menos vamos fingir que acreditamos, já que a época é natalina, de confraternização. Confraternização da paz talvez de um só dia no ano, em que o clima de festa nos faz esquecer os demais 364 dias de batalha pela sobrevivência num ambiente poucas vezes favorável.
É a luta diária pelo transporte que nos leva ao trabalho. É a decepção quando chegamos à porta de um hospital em busca de um atendimento digno. É a violência urbana em todas as suas modalidades. É a visão constante de imagens e textos que apontam para a comilança do dinheiro público exagerada. Sim, porque já se comporta como exagero a troca de favores entre amigos de diversos níveis, que culmina com o desvio do dinheiro da Nação dos seus verdadeiros propósitos, como o asfalto em estradas, o número adequado de leitos e equipamentos em hospitais, o ensino eficaz para que se faça a luz na cabeça de milhões de irmãos, entre outras coisas.
Diante de alguns países que desenvolveram suas culturas com base numa educação aprimorada e nos melhores valores humanos, morais e éticos, ainda estamos muito atrasados. Isso podemos até saber, mas talvez não damos a devida importância e quantas vezes ressaltamos somente as porcarias desses mesmos países. O que é de se lamentar.
Estamos mergulhados e quase acostumados aos meandros da corrupção humana. Pelo menos é o que parece, quando lemos os nossos jornais ou ligamos nossos aparelhos de TV. Todavia, segundo sempre afirmam os suspeitos ou denunciados envolvidos nessa área, tudo não passa de armações, de montagens feitas por adversários políticos, de invencionices dos nossos ilustres jornalistas nacionais. O texto ainda é o mesmo, velho, de muitos anos atrás.
Então, o que fazer? O de sempre? Fechar os olhos, esquecer, beber o vinho do Natal, comer a rabanada, o peru assado? Brindar com champanhe ou espumante mais barato a chegada do Novo Ano cheio das esperanças? Depois esperar pelo Carnaval, Semana Santa, Feriado de Corpus Christi, Dia dos Namorados, Festas Juninas, Copa do Mundo na África do Sul, Dia das Crianças, Feriadões e novamente o final de 2010? Talvez seja melhor deixar rolar tudo mesmo. Pelo menos assim talvez possamos conquistar pequenos momentos de felicidades particulares.
Essa não é obviamente uma mensagem de final de ano. Seria tremendamente negativo desejar uma mensagem dessas às pessoas que agora já estão envolvidas no corre e compra para os festejos de final de ano. Uma mensagem feliz para um final de ano tem que conter palavras que animem, que criem esperanças e que apontem para um mundo maravilhoso que está por vir, caindo de bandeja aos nossos pés. Tem que ser uma mensagem oriunda do Paraíso em que, para aqueles que ainda acreditam em Papai Noel, o bondoso velhinho venha rodeado de anjinhos azulados com asas brancas tal qual a pureza dos hipócritas corações humanos, trazendo no seu saquinho uma montoeira de presentes para todos os que se comportaram direitinho o ano inteiro.
De qualquer modo, o que dizer então, o que transmitir? Tenham todos, um Natal infeliz?
Claro que não. Então, que todos mergulhemos no clima natalino e de passagem para mais um novo período, fechemos os olhos e peçamos de verdade a transformação do mundo para melhor. Pela redução ou extinção das hipocrisias, das ilusões falsas, das promessas enganosas, das artimanhas e falcatruas esquisitas que suavemente vão eliminando o direito a uma vida verdadeiramente melhor. Uma prece que seja forte o suficiente para restaurar o coração e a dignidade dos homens sobre a Terra.
Esquecer as coisas ruins, que ocorrem sutilmente e que apenas os mais atentos conseguem enxergar, pode acontecer mesmo, desde que os bons ventos dos melhores valores humanos voltem a soprar.
Do contrário, tudo não passará de atos e fatos repetidos periodicamente. E desse modo ficará a pergunta no ar: “até quando?”
Mesmo assim, seguirá a mensagem deste blog, de modo comum, o mais simples possível: TENHAM TODOS UM FELIZ NATAL, na medida em que cada um puder conseguir ter essa noite de magia verdadeiramente de felicidade. E felicidade é coisa muito pessoal. É de fato um esforço individual de conquista. “Hoje será um novo dia, de um novo tempo”, se lutarmos para isso. Até 2010. (plim plim)